Jaó-do-litoral

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Como ler uma infocaixa de taxonomiaJaó-do-litoral
Crypturellus noctivagus
Crypturellus noctivagus
Estado de conservação
Espécie vulnerável
Vulnerável
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Tinamiformes
Família: Tinamidae
Género: Crypturellus
Espécie: C. n. noctivagus
Nome trinomial
Crypturellus noctivagus noctivagus
( Wied , 1820)

Crypturellus noctivagus, popularmente jaó-do-litoral (em inglês: Yellow-legged Tinamou), é uma ave Tinamiforme, que habita a Mata Atlântica no Brasil, entre 0 e 400 m de altitude. Seu habitat típico são as florestas altas de restinga em estado primário, na planície litorânea e estendendo-se à florestas de encostas serranas e de vales de rios, dentro dessa faixa aproximada de altitude. É conhecido também por jaó-do-sul[1][2] , jaó-da-mata, juó ou juô (litoral do Estado de São Paulo).[3]

Mede entre 32 a 34 cm, alimenta-se principalmente de sementes, pequenos frutos de palmeiras, como Euterpe oleracea, e também os das plantas: tapiá, oiticica, curubixá, cupá; bem como insetos, vermes, aranhas, moluscos e ainda vegetais de folhas tenras, como certas gramíneas e também boa quantidade de grãos de areia.

Sua distribuição geográfica abrange os Estados do ES, RJ, SP, PR, SC e RS. Segundo relatos abalizados, essa espécie apresenta distribuição esparsa e irregular em seu habitat, a floresta atlântica primária; e dentro dele, suas áreas de maior ocorrência pontual seriam nas proximidades de leitos secos de lagoas, recobertos por vegetação rasteira entremeada por gramíneas.

Tem relativa tolerância às alterações antrópicas, sendo observada a sua ocorrência em pequenas áreas de floresta primária, circundadas por pastos e plantações.

Uma característica na reprodução dessa espécie, é a da formação de haréns de fêmeas no período de acasalamento (à exemplo de C. strigulosus), que se reúnem a um macho solitário e dominante.

Ovo de jaó-do-litoral.

Fator que contribui para resultados normalmente escassos, obtidos em sua reprodução em cativeiros conservacionistas, em não se dispondo de uma proporção adequada entre os sexos.

O período do acasalamento ocorre de setembro a janeiro, quando então podem ser ouvidas as vocalizações dos machos. Além dessas vocalizações ocorre também um display de acasalamento; onde o macho se aproxima da fêmea em postura ereta com leve agito das asas, e em seguida foge dela por uns 2 metros com as asas meio erguidas, cabeça baixa e penas traseiras eriçadas; a seguir volta-se de frente para ela e reinicia a aproximação.

O ninho é simples, apenas um ajuntamento de folhas secas sobre um leve rebaixo do solo. É geralmente construído aos pés ou entre as raízes tabulares de árvores como as sapopembas, ou moitas como as de gravatás, como exemplos. Sua postura é de 2 a 3 ovos de coloração verde-clara, incubados por 18 dias em média. Por vêzes, várias fêmeas fazem suas posturas num mesmo ninho. A incubação é feita pelo macho, que cobre os ovos com folhas secas ao sair do ninho, ocultando-os. Também é o macho que cria e protege os filhotes.

Sua vocalização padrão consiste numa sequência de 4 notas, sendo a primeira alongada e descendente, e as seguintes curtas e lineares. Emite também um único pio curto e agudo, como advertência ou desafio a outros machos da espécie. Seu piado é ressoante e pode ser ouvido à distância. No período da reprodução piam inclusive noite adentro. Diferentemente dos machos, as fêmeas da espécie piam baixo e de forma variada, normalmente ao amanhecer e no crepúsculo. Apresentam as fêmeas, mínimas diferenças no colorido da plumagem, sendo esse em geral um pouco mais claro.

Possui uma subespécie no Nordeste do Brasil, o Zabelê (Crypturellus noctivagus zabele), que ocorre a partir de MG e BA. Essa, apresenta coloração geral mais pálida e com riscas claras mais evidentes na cabeça. Tal variação é devida à sua adaptação aos ambientes mais ensolarados como os da Caatinga e veredas.

As linhas horizontais vermelho-acobreado no dorso inferior, o tom alaranjado do ventre e garganta, e a tonalidade corporal cinza-azulado são colorações típicas do jaó do litoral; as quais tendem a tonalidades de marrom na subespécie nordestina.

Outro detalhe que as diferencia, é o da subespécie zabele possuir os tarsos de coloração amarelo-claro, e a espécie noctivagus os possuir de coloração tendente à olivácea. Os ovos da espécie n.noctivagus são pouco mais arredondados ou esféricos que os da subespécie n. zabele.

Sua vocalização também possui uma modulação um pouco diferente daquela emitida pela espécie C. n. noctivagus, do litoral leste e sul do Brasil; sendo a do zabelê em geral mais baixa e com dialetos locais já estudados.

O desmatamento e a ocupação imobiliária de suas áreas de ocorrência natural, têm contribuido para ameaçá-lo; ocorrendo mesmo extinções locais. É espécie cinegética.

Referências


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

MASSARIOLI, Marcos, "Estudo Taxonômico e Comportamental do Jaó do Litoral (Crypturellus n. noctivagus)", UNIABC-SP, 2004

Ícone de esboço Este artigo sobre Aves, integrado no Projeto Aves é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.