José Lourenço Gomes da Silva

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José Lourenço Gomes da Silva
José Lourenço.jpg
Nascimento 1872
Pilões de Dentro, Paraíba
Morte 12 de fevereiro de 1946 (74 anos)
Exu, Pernambuco
Nacionalidade Brasileiro
Ocupação Líder comunitário

José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido como beato José Lourenço, (Pilões de Dentro, 22/01/1872Exu, 12 de fevereiro de 1946) foi o líder da comunidade Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, localizada na zona rural do Crato (Ceará).

Biografia[editar | editar código-fonte]

José Lourenço Gomes da Silva era paraibano da cidade de Pilões de Dentro, nascido em 1872, filhos de escravos alforriados – Lourenço Gomes da Silva e Teresa Maria da Conceição. Muito jovem foi trabalhar na agricultura, afastado da família que migraria para Juazeiro. Aos vinte anos de idade, José Lourenço vem para Juazeiro do Norte, onde reencontra sua família e ser torna beato.

Baixa Dantas[editar | editar código-fonte]

Em Juazeiro, conquistou a confiança do sacerdote e foi encarregado de liderar uma missão, para onde Padre Cícero enviaria os flagelados da região. José Lourenço então arrendou terras no sítio Baixa Dantas para iniciar a produção.

A comunidade se desenvolveu rapidamente, o que despertou a fúria dos fazendeiros da região. Com o intuito de pôr a comunidade em descrédito, espalhou-se um boato de que os membros idolatravam o boi Mansinho como a um deus. A Igreja Católica, que já estava irritada com os supostos fenômenos sobrenaturais ocorridos em Juazeiro do Norte, pressionou Padre Cícero para que tomasse uma decisão. Para evitar maiores transtornos, Floro Bartolomeu ordenou que sacrificassem o boi e prendessem José Lourenço. O beato foi solto algumas semanas depois.

Caldeirão[editar | editar código-fonte]

Depois da confusão, José Lourenço Gomes da Silva decidiu transferir a comunidade para o Caldeirão, um local mais afastado. Entretanto as perseguições continuaram e em 1936, a comunidade foi invadida e arrasada por forças estaduais e federais, com apoio do setor religioso e latifundiários locais. Caldeirão era uma comunidade autossustentável que dava abrigo às famílias camponesas que fugiam da exploração imposta pelos latifundiários, podendo ser comparada com Canudos.

José Lourenço fugiu para Exu onde morreu em 1946 de peste bubônica, tendo sido sepultado em Juazeiro do Norte.

Ações Jurídicas[editar | editar código-fonte]

Em 2008, a ONG cearense SOS Direitos Humanos ajuizou uma Ação Civil Pública na Justiça Federal do Ceará requerendo que a União Federal e o Estado do Ceará informem a localização da cova comum onde o Exército e a Polícia Militar do Ceará enterraram as vítimas do Sítio Caldeirão que massacraram em 1937.

A ação foi extinta sem julgamento de mérito pelo juiz da 16ª Vara Federal de Juazeiro do Norte/CE, a pedido do MPF que em seu parecer disse que:

  • a) o massacre ocorreu há mais de 70 anos e estava prescrito,
  • b) nao há como encontrar os restos mortais pelo tempo que o crime ocorreu.

A SOS DIREITOS HUMANOS inconformada com a decisão do juiz apelou ao TRF da 5ª região em Recife/PE aduzindo que:

  • a) o crime de desaparecimento de pessoas é imprescritível,
  • b) os restos mortais estão em local árido, a Chapada do Araripe, e portanto podem ser encontrada, a exemplo da família do Czar Romanov que foi morta em 1918 e encontrada nos anos de 1991 e 2007.

Ver também[editar | editar código-fonte]