Lívio Andrônico

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Lívio Andrônico
Nascimento 280 a.C.
Tarento
Morte 200 a.C. (80 anos)
Roma
Cidadania Roma Antiga
Etnia gregos
Ocupação poeta, tradutor, escritor, dramaturgo
Magnum opus Odisseia

Lívio Andrônico (em latim Lucius Livius Andronicus; 284 a.C.204 a.C.) foi um escritor épico romano de origem grega.

É considerado o fundador da poesia épica romana. A sua primeira obra foi, em 240 a.C., uma tradução para o latim de um drama grego. A sua contribuição fundamental para a épica greco-latina é a tradução da Odisseia de Homero para o verso latino típico, o satúrnio. Trata-se da primeira obra épica em latim, precursora da obra de Névio. Também compôs tragédias a partir de modelos gregos. Traduziu a Odisseia de Homero para o latim, em versos saturinos, para o uso em escolas romanas, e compôs hinos em latim a mano do Senado.

Resenha biográfica[editar | editar código-fonte]

Da sua vida, há poucos dados seguros. Trata-se provavelmente de um grego, nascido c. 284 a.C. em Taras (atual Tarento) e levado como prisioneiro de guerra, jovem ainda - 272 a.C.-,[1] para Roma, depois da queda da sua cidade natal. Foi escravo de uma família nobre da gente Lívia. Ao ser liberto, adotou o nome do seu antigo patrão. Chegou a ser o primeiro mestre grego de Roma.

Em Roma foi mestre dos filhos do seu senhor, ofício que lhe valiou a liberdade e a adoção do nome do seu patrono e protetor, Lúcio Lívio, talvez o pai de Marco Lívio Salinador, vencedor de Asdrúbal Barca na Batalha do Metauro em 207 a.C. Para celebrar essa vitória, encarregou-lhe a composição de um hino em honra de Juno, para o qual Lívio usou a forma do partênio (do grego párthenoi). Em razão das datas de tais eventos, data-se geralmente a sua morte uns anos depois, c. 204 a.C.

Obra[editar | editar código-fonte]

Apesar de a sua obra estar praticamente perdida - apenas se conservam cerca de um centenar de versos dispersos -, Andrônico é citado pelos autores latinos posteriores[2][3][4]como o introdutor em Roma de gêneros literários gregos tão diversos quanto a poesia épica, a tragédia, a comédia e até mesmo a poesia lírica.

Segundo Cícero,[3] a atividade literária de Andrônico deveu começar em 240 a.C. Nessa data foram-lhe encomendadas pelo menos uma comédia e uma tragédia que ele próprio representou como ator por ocasião dos ludi romani celebrados após a vitória romana na primeira guerra púnica. Este ensaio, que muito provavelmente consistiria numa tradução não isenta de originalidade de obras gregas, teve sucesso, pois a partir dessa data se sucederam as adaptações de temas e metros gregos para o latim. Com esta técnica foram surgindo obras das quais apenas se conhece pouco mais do que o título. As tragédias Achilles, Aegisthus, Aiax, Andromeda, Danae, Equos Troianus, Hermiona, Tereus e talvez Ino. Editam-se como seus os fragmentos das comédias Gladiolus, Ludius, Virgo.

Possivelmente anterior a esta atividade foi a sua versão da Odisseia homérica, texto sobre o qual deveu girar a sua atividade docente na escola. Dos apenas 50 versos preservados desta obra é possível concluir que:

  • não foi escrita em hexâmetros datílícos, mas em verso Satúrnio, metro quantitativo de características polêmicas: de origem itálica, talvez etrusca, para uns; não isento de influências gregas para orientações mais atuais.
  • o poeta visava romanizar a epopeia. Divindades gregas identificam-se com deuses romanos: Hermes é Mercúrio ; Cronos, Saturno, as musas identificam-se com as Camenas.

A sua obra está à base de toda a épica romana e foi estudada na escola de geração em geração pelo menos até finais do século I a.C. Da sua vigência nos dão fé homens desta época como Cícero[3] e Horácio.[5]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. cfr. pág 90 de Fregni Bassetto, Bruno (2001). Elementos de filologia românica 2 ed. [S.l.]: EdUSP. 380 páginas. 8531406013, 9788531406010 
  2. Aulo Gélio XVII 21, 42 e XVIII 9, 5
  3. a b c Cícero, Brutus 18, 71 ss.
  4. Tito Lívio, Ab urbe condita Vll 2, 8, e XXVII 37, 7.
  5. Horácio, Epístolas 11 1, 69

Ligações externas[editar | editar código-fonte]