Ludovico da Viadana

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Ludovico da Viadana
Nascimento 1560
Viadana
Morte 2 de maio de 1627 (67 anos)
Gualtieri
Cidadania Itália
Ocupação compositor, musicólogo, teórico musical
Movimento estético música barroca

Lodovico Grossi da Viadana (usualmente Lodovico da Viadana, embora seu nome de família seja Grossi; c. 1560–2 de maio de 1627) foi um compositor italiano, além de professor e frei franciscano da Ordem dos Frades Menores Observantes. Foi a primeira figura significativa a fazer uso da então recém-desenvolvida técnica do baixo contínuo, uma das técnicas de composição que definiram o fim da Renascença e o começo do Barroco em música.

Vida[editar | editar código-fonte]

Nasceu na cidade de Viadana, próximo a Parma, na Itália. De acordo com um documento datado de aproximadamente 150 anos após a sua morte, foi um membro da família Grossi, mas tomou o nome de sua cidade natal, Viadana, quando entrou para a Ordem dos Menores Observantes antes de 1588 (Mompellio 2001). Embora não haja nenhuma evidência contemporânea, tem-se afirmado que ele estudou com Costanzo Porta (Mompellio 2001), tornando-se maestro de coro na Catedral de Mântua em 1594. Em 1597, foi para Roma e, em 1602, tornou-se mestre de coro na Catedral de São Lucas, também em Mântua. Ludovico da Viadana ocupou uma sucessão de cargos importantes em várias catedrais da Itália, inclusive Concórdia (próximo a Veneza, e Fano, na costa leste da Itália, onde foi maestro de capela de 1610 a 1612 (Mompellio 2001). Por três anos consecutivos, 1614 a 1617, ocupou uma posição em sua ordem religiosa que cobria toda a província de Bolonha (inclusive Ferrara, Mântua e Piacenza). Por volta de 1623, mudou-se para Busseto, e mais tarde trabalhou no convento de Santa André, em Gualtieri, próximo a Parma. Morreu em Gualtieri (Mompellio 2001).

Música e Relevância[editar | editar código-fonte]

Viadana é importante no desenvolvimento do técnica do Barroco inicial, chamada baixo contínuo e de seu método de notação, conhecido como baixo cifrado. Ainda que não tenha sido o inventor do método — o baixo contínuo apareceu em fontes públicas pelo menos desde 1597 (Williams e Ledbetter 2001) — foi o primeiro a utilizá-lo numa coleção de música sacra largamente difundida (Cento concerti con il basso continuo), que foi publicada em Veneza, em 1602. Agostino Agazzari, em 1607 publicou um tratado descrevendo como interpretar o novo baixo cifrado, embora seja notável que muitos "performers" já haviam aprendido esse método, pelo menos nos centros mais desenvolvidos da Itália. Viadana compôs, em sua maioria, música sacra: missas, salmos, magnificats, motetos e lamentações, embora existam dois livros de cançonetas e um livro de "sinfonia musicali" a oito vozes. Suas primeiras composições estão, claramente, no estilo renascentista, estritamente à capela, com polifonia balanceada entre as vozes, mas depois de 1602, escreveu, progressivamente, no estilo barroco, com freqüentes passagens em concertato, e sempre com baixo contínuo. Também usou o estilo monódico, especialmente em suas obras posteriores, e alguns de seus modelos de salmos (por exemplo, os "Salmi" op. 27, para 4 coros espacialmente separados) são obras progressivas no estilo policoral veneziano. Além disso, algumas de suas obras posteriores antecipam o vindouro concerto instrumental: elas indicavam instrumentação específica—que ainda não era uma prática largamente usada— envolviam diálogo de eco entre grupos de vozes e instrumentos. Também escreveu música secular, sendo a quantidade limitada, como se pode esperar de um membro de uma ordem religiosa restrita. Nela se inclui dois volumes de cançonetas (um para três, outro para quatro vozes) e um volume de sinfonias instrumentais, que mais se parecem com típicas canzonas (muita terminologia se perdeu ao longo dos anos 1600: aquilo que um compositor chamava sinfonia, outro poderia chamar uma fantasia, canzona ou ricercare. Nas sinfonias, cada composição carrega o nome de uma cidade diferente da Itália: podem ser quase concebidas como um prenúncio de música programática. A música de Viadana foi influente não apenas na Itália, mas também na Alemanha, em compositores como Michael Praetorius, John Schein e Heinrich Schütz. Foi principalmente através de Viadana que o estilo concertato chegou à Alemanha, país que o desenvolveu mais contundentemente no início do século XVII.

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Mompellio, Federico. 1980. "Lodovico Grossi da Viadana" in The New Grove Dictionary of Music and Musicians, ed. Stanley Sadie. 20 vol. London, Macmillan Publishers Ltd. (ISBN 1-56159-174-2)
  • Bukofzer, Manfred. 1947. Music in the Baroque Era. New York, W.W. Norton & Co. (ISBN 0-393-09745-5)
  • Haack, Helmut. 1974. Die Anfänge des Generalbass-Satzes: die ‘'Cento concerti ecclesiastici'’ (1602) von Lodovico Viadana. 2 vols. Münchner Veröffentlichungen zur Musikgeschichte 22. Tutzing: Schneider. (ISBN 3795201306)
  • Mompellio, Federico. 1967. Lodovico Viadana, musicista fra due secoli XVI–XVII. Florence:
  • Mompellio, Federico. 2001. "Viadana, Lodovico". The New Grove Dictionary of Music and Musicians, edited by Stanley Sadie and John Tyrrell. London: Macmillan.
  • Reese, Gustave. 1954. Music in the Renaissance. New York, W.W. Norton & Co. (ISBN 0-393-09530-4)
  • Roche, Jerome. 1984. North Italian Church Music in the Age of Monteverdi. Oxford: Clarendon Press. (ISBN 0193161184)
  • Williams, Peter, and David Ledbetter. 2001. "Continuo". The New Grove Dictionary of Music and Musicians. edited by Stanley Sadie and John Tyrrell. London: Macmillan.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]