Margaret Bondfield

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Margaret Bondfield
Margaret Bondfield em 1919
Nome completo Margaret Grace Bondfield
Nascimento 17 de março de 1873
Somerset
Reino Unido Reino Unido
Morte 16 de junho de 1953 (80 anos)
Sanderstead, Surrey
Reino Unido Reino Unido
Nacionalidade Britânica
Ocupação Política

Rt. Hon. Margaret Grace Bondfield (Somerset, 17 de Março de 187316 de Junho de 1953) foi uma pioneira feminista e política britânica, membro do Partido Trabalhista do Reino Unido, foi a primeira mulher a integrar um gabinete, como ministra do Trabalho no governo Ramsay MacDonald. Foi ainda a primeira mulher a fazer parte do Conselho Privado.

Em 1923, foi eleita membro do Parlamento pelo Partido Trabalhista por Northampton, tendo sido reeleita em 1926 e em 1929, quando foi convidada a formar parte do Gabinete MacDonald. Saiu em 1931, e em 1935 não conseguiu mais retornar ao Parlamento.

Bondfield nasceu numa família humilde e recebeu uma educação formal limitada. Após aprender costura, trabalhou como assistente de loja em Brighton e Londres. Bondfield ficou chocada com as condições de trabalho dos trabalhadores da loja, em particular com aqueles que viviam no local de trabalho, e tornou-se num membro ativo do sindicato dos trabalhadores de loja. Depois de se aproximar de círculos socialistas, foi nomeada subsecretária do sindicato National Amalgamated Union of Shop Assistants, Warehousemen and Clerks (NAUSAWC) em 1898. Mais tarde, tornou-se numa figura proeminente em vários movimentos socialistas femininos: ajudou a fundar a Women's Labour League (WLL) em 1906 e foi presidente da Adult Suffrage Society. A sua posição relativamente ao sufrágio feminino (ela defendia o voto para todos os adultos, independentemente do género ou propriedade em vez do acesso ao voto "nas mesmas condições dos homens" que os grupos sufragistas da época defendiam) excluiu-a do militarismo feminista da época.

Após deixar o seu cargo no sindicato em 1908, Bondfield trabalhou como secretária organizacional na WLL e mais tarde como delegada das mulheres para o National Union of General and Municipal Workers (NUGMW). Ela foi eleita para o conselho do Trades Union Congress em 1918 e tornou-se sua presidente em 1923, ano em que conseguiu pela primeira vez um lugar no Parlamento. No curto governo Trabalhista de 1924, serviu como secretária parlamentar do Ministro do Trabalho. O seu mandato no Parlamento entre 1929 e 1931 ficou marcado pelas crises económicas que importunaram o segundo governo Trabalhista. A sua disposição para considerar cortes nos subsídios de desemprego fizeram com que se afastasse de muitos dos membros do Partido Trabalhista.

Bondfield continuou envolvida no trabalho do NUGMW até 1938 e, durante a Segunda Guerra Mundial, realizou investigações para o Grupo das Mulheres para a Prosperidade Pública. Bondfield morreu em 1953. Apesar dos seus anos de serviço ao partido e ao sindicalismo e do seu sucesso a quebrar barreiras de género, ela nunca recebeu um grande reconhecimento do movimento Trabalhista.

Infância e família[editar | editar código-fonte]

Fotografia moderna (2009) da rua principal de Chard, Somerset, a vila onde nasceu Bondfield

Margaret Bondfield, conhecida em privado como "Maggie", nasceu em 17 de março de 1873 na vila de Chard, Somerset.[1] Ela foi a décima de onze filhos e a terceira de quatro filhas de William Bondfield e da sua esposa, Ann.[2] William Bondfield era rendeiro e tinha um historial de ativismo político. Na sua juventude, William fora secretário do Chard Political Union, um centro de radicalismo local que as autoridades suprimiram através de força militar.[3] Ele também se tinha envolvido na Anti-Corn Law League, um grupo que se opunha às Corn Laws, nos anos 1840. Completamente autodidata, William tinha um fascínio pela ciência e pela engenharia e foi um dos inventores de um protótipo do avião moderno que foi exibido na Grande Exposição de 1851.[3]

Quando Margaret ainda era criança, William ficou desempregado e teve dificuldades em encontrar trabalho. A família passou por grandes dificuldades e com a ameaça constante da prisão numa workhouse. Apesar disso, William e Ann fizeram o seu melhor para garantir que os filhos frequentavam a escola.[4] Margaret era uma criança inteligente e as suas competências de recitação de poemas e no piano eram frequentemente exibidas em eventos da vila e da catequese.[5] Até aos 13 anos, Margaret frequentou a escola primária local, depois trabalhou durante um ano como aprendiz de professora na parte masculina da escola.[6] Uma vez que havia pouco emprego na zona onde cresceu, Margaret deixou Chard aos 14 anos para trabalhar numa retrosaria em Hove, perto de Brighton.[7]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Trabalhadora de loja[editar | editar código-fonte]

Brighton na década de 1890.

Bondfield começou a trabalhar numa retrosaria em Church Road, Hove, onde os jovens aprendizes eram tratados como família. As relações entre os clientes e as assistentes eram cordiais e as memórias de Bondfield deste período eram felizes. Depois de completar o período de aprendizagem, Bondfield trabalhou como assistente de loja residente em várias retrosarias de Brighton onde depressa encarou as realidades da vida de uma assistente de loja: patrões antipáticos, longas horas de trabalho, condições de habitação deploráveis e falta de privacidade. Bondfield falou da sua experiência como assistente de loja e residente no local de trabalho: "Superlotação, muito pouca higiene e comida fraca e em pouca quantidade eram as características principais deste sistema.". Bondfield conseguiu algum alívio deste ambiente quando travou amizade com uma cliente abastada, Louisa Martindale e com a sua filha, Hilda. As Martindale, liberais conscientes do que se passava na sociedade e defensoras dos direitos da mulher, acharam que Bondfield estava disposta a aprender e emprestaram-lhe livros que despertaram nela o seu interesse em questões laborais e sociais. Bondfield descreveu Louisa Martindale como "uma das mais vívidas influências da minha vida... ela indicou-me o caminho do conhecimento que tem sido uma grande ajuda para os meus colegas de loja".

O irmão de Bondfield, Frank, tinha conseguido estabelecer-se em Londres alguns anos antes como tipógrafo e sindicalista e, em 1894, depois de Margaret ter conseguido juntar 5 libras, decidiu juntar-se a ele. Em Londres, Bondfield não encontrou condições de trabalho melhores do que as de Brighton, mas Frank apresentou-a a vários dos seus amigos socialistas e políticos e ela tornou-se num membro ativo do National Amalgament Union of Shop Assistants, Warehousemen, and Clerks (NUSAWC). A sua educação política e literária veio sobretudo do Ideal Club, onde conheceu Bernard Shaw e Sidney e Beatrice Webb. Sob a influências destes eruditas socialistas, Bondfield juntou-se à Sociedade Fabiana e mais tarde ao Partido Trabalhista Independente (ILP).

Livros de Margaret Bondfield[editar | editar código-fonte]

  • Socialism for Shop Assistants (1909)
  • The National Care of Maternity (1914)
  • The Meaning of Trade (1928)
  • Why Labour Fights (1941)
  • Our Towns: A Close-up (1943)
  • A Life's Work (1949)

Referências

  1. Corbett, Sue (16 de setembro de 2014). The Times Great Women's Lives: A Celebration in Obituaries (em inglês). [S.l.]: History Press. ISBN 9780750962346 
  2. «The undercover 'shopgirl'». BBC News (em inglês). 1 de julho de 2014 
  3. a b Hamilton, Mary Agnes (1924). Margaret Bondfield (em inglês). [S.l.]: L. Parsons 
  4. Abrams, pp. 218–19
  5. Hamilton, p. 37
  6.  Hamilton, p. 38
  7. Abrams, pp. 218–19

Ligações externas[editar | editar código-fonte]