Maria Severa

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A Severa
Informação geral
Nome completo Maria Severa Onofriana
Nascimento 26 de julho de 1820
Origem Lisboa
País  Portugal
Data de morte 30 de novembro de 1846 (26 anos)
Gênero(s) fado
Instrumento(s) voz

Maria Severa Onofriana (Lisboa, 26 de Julho de 1820Lisboa, 30 de Novembro de 1846) foi uma cantora portuguesa de fado, considerada a mítica fundadora do fado, caracterizada pelos seus fados lisboetas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Maria Severa Onofriana, filha de Severo Manuel de Sousa e de Ana Gertrudes Severa (alcunha adaptada do nome próprio do marido), nasceu em 26 de Julho de 1820 na Rua da Madragoa (actual Rua Vicente Borga - Nº33, freguesia dos Anjos), onde sua mãe tinha uma taberna, tendo passado por vários locais da cidade até se fixar na Mouraria, onde faleceu. Os locais do seu nascimento e da sua morte estão devidamente assinaladas com uma lápide, colocadas com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa.

Seu pai era de etnia cigana e a mãe de Portalegre que, com outros pescadores da região, emigrara para Lisboa. Atri­bui-se a essa ascendência cigana a sua beleza exótica e o seu cantar expressivo, que conquistou os boémios da capital. Sua mãe, Ana Gertrudes Severa, era uma célebre prostituta da Mouraria e Maria Severa terá ingressado muito cedo na mesma profissão, depressa se distinguindo nesse meio, não só, e muito em particular, como seria de esperar em semelhante contexto, pela beleza trigueira, como ainda pelos dotes invulgares de cantadeira de Fado.

Em 1831 morava na Rua Direita da Graça, terá ainda morado no Pátio do Carrasco ao Limoeiro por volta de 1844, viveu no Bairro Alto à Travessa do Poço da Cidade, antes de se fixar definitivamente na Mouraria, na Rua do Capelão Nº 35 A, ao tempo chamada de Rua Suja, era frequentada pelos marujos portugueses e ingleses. De Severa contam-se muitas histórias dela e/ou com ela, umas talvez verdadeiras, outras talvez não tanto, lendas, por assim dizer.

Conta-se que percorria os bairros populares de Lisboa, e a sua voz animou as noites de muitas tertúlias bairristas, tabernas ficaram famosa só pela sua presença. Teve vários amantes conhecidos, entre eles o Conde de Vimioso (Dom Francisco de Paula Portugal e Castro) que, segundo a lenda, era enfeitiçado pela forma como cantava e tocava guitarra, levando-a frequentemente à tourada. Proporcionou-lhe grande celebridade e naturalmente permitiu a Severa um maior prestígio e número de oportunidades para se exibir para um público de jovens oriundos da elite social e intelectual portuguesa.

Morreu de tuberculose e apoplética a 30 de Novembro de 1846, num miserável bordel da Rua do Capelão, na Mouraria (freguesia do Socorro), tendo sido sepultada no Cemitério do Alto de São João, numa vala comum, sem caixão. Consta que as suas últimas palavras terão sido — “Morro, sem nunca ter vivido” — tinha apenas 26 anos.

Na Mouraria, Rua do Capelão, está atualmente o "Largo da Severa", onde a casa da fadista está assinalada com a indicação de “Casa da Severa” e no chão, empedrado de calçada à portuguesa, pode ver-se o desenho de uma guitarra. Na fachada da casa foi colocada uma placa, onde pode ler-se: “Nesta casa viveu Maria Severa Onofriana / Considerada na época a expressão sublime do Fado / Faleceu em 30-11-1846 com 26 anos de idade / Lisboa 3-6-1989”. Esta placa foi descerrada por Amália Rodrigues.

A sua fama ficou a dever-se em grande parte a Júlio Dantas cuja novela "A Severa" viria a originar uma peça levada à cena em 1901, bem como ao primeiro filme sonoro português realizado por Leitão de Barros em 1931. No filme Fados do realizador espanhol Carlos Saura ela é representada pela fadista Cuca Roseta.

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Referências