Moacir Santos
| Moacir Santos | |
|---|---|
Em 1964. | |
| Informações gerais | |
| Nascimento | 26 de julho de 1926 |
| Origem | Flores , |
| País | |
| Morte | 6 de agosto de 2006 (80 anos) Pasadena, |
| Instrumento(s) | Saxofone Piano Clarineta Trompete Banjo Violão Bateria |
| Período em atividade | 1943 — 2006 |
Moacir Santos (entre os municípios de Serra Talhada, Flores, São José do Belmonte e Bom Nome[1], 8 de abril de 1926 - Pasadena, 6 de agosto de 2006) foi um arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista brasileiro.[2]
Como compositor, Moacir Santos trabalhou com Nara Leão, Roberto Menescal, Sérgio Mendes e Lynda Laurence, entre outros.[3][4] Sua música era altamente respeitada por músicos no Brasil e nos Estados Unidos, apesar de nunca ter alcançado um reconhecimento mais amplo.[5][6]
Carreira
[editar | editar código]Moacir Santos nasceu em Flores do Pajeú, Pernambuco, em 1926.[7] Após perder sua mãe aos 3 anos, Moacir foi criado por diferentes famílias, enquanto seu pai se unia a uma força volante contra cangaceiros.[1] Cresceu na pobreza, mas sua família adotiva ajudou-o a frequentar a escola e a ter aulas de música.[7] Desde a infância, destacou-se por seu talento musical, liderando uma banda de meninos e demonstrando aptidão acadêmica.[1] Aos 14 anos, já tocava saxofone, banjo, violão e bandolim.[7] No entanto, enfrentou obstáculos como tarefas domésticas pesadas e preconceito racial, reflexo das desigualdades persistentes no Brasil pós-escravidão.[1]
Na adolescência, tocou na banda da Polícia Militar da Paraíba e mais tarde tornou-se maestro desse mesmo grupo.[8] Eventualmente, fugiu de casa e tornou-se um músico itinerante, viajando por Pernambuco em busca de trabalho e chegando a atuar, por um tempo, em um circo itinerante.[9][7][10]
Nos anos 1950, Santos vivia no Rio de Janeiro e trabalhava na Rádio Nacional como compositor.[10][9] Reconhecendo o valor artístico da música popular, passou a estudar compositores de big band, tendo aulas com Hans-Joachim Koellreutter.[9] Ele acabaria se tornando diretor musical da emissora.
Durante as décadas de 1950 e 1960, Santos deu aulas particulares a vários jovens músicos da Bossa Nova, entre eles Nara Leão, Baden Powell, Carlos Lyra e Roberto Menescal.[7]
Em 1965, Santos lançou o álbum Coisas pelo selo Forma.[10] O álbum era uma fusão de ritmos afro-brasileiros com sonoridades de big-band jazz. Embora na época tenha recebido pouca atenção, mais tarde passou a ser amplamente aclamado — o New York Times o descreveu como “uma das grandes realizações da música brasileira moderna”.[7] Larry Blumenfeld, no Village Voice, escreveu que o álbum representava “o melhor do jazz brasileiro”.[10]
Depois de compor trilhas sonoras para diversos filmes brasileiros ao longo da década de 1960, Santos teve a oportunidade de se mudar para os Estados Unidos.[8] Em 1967, ele e sua esposa, Cleonice, mudaram-se para Pasadena, Califórnia, com a intenção de ingressar na indústria cinematográfica.[10][8][7] Continuou a dar aulas de música em casa, por meio das quais conheceu Horace Silver.[8]Grande parte de seu trabalho em Hollywood foi não creditado, sendo Final Justice seu único crédito oficial.[7]
Santos gravou três álbuns para a Blue Note na década de 1970. Seu lançamento de 1972, Maestro, foi indicado ao Grammy.[11] Ainda assim, ele não obteve o reconhecimento amplo que desejava e continuou escrevendo e lecionando música no sul da Califórnia.[10]
A partir de 1980, Moacir Santos empreendeu uma busca meticulosa pelo seu registro de nascimento original, impulsionado por uma necessidade de esclarecer sua identidade. Originário de Bom Nome, um vilarejo remoto, sua jornada o levou a explorar os recantos da pequena localidade, desde a igreja até a residência do padre e da zeladora. Com o apoio de diversos colaboradores, a investigação retrocedeu ao período entre 1920 e 1935. Finalmente, após uma busca exaustiva, o registro de batismo foi descoberto no salão paroquial de São José do Belmonte, datado de 11 de setembro de 1926. Esse documento mencionava "Muacy", filho legítimo de José Francisco do Nascimento e Juleheita Pureza Torre, nascido em 26 de julho de 1926. Essa descoberta não apenas lançou luz sobre sua identidade, mas também ressaltou as complexidades enfrentadas por muitos brasileiros em relação à documentação e à cidadania. Motivado por esse evento marcante em sua vida, Moacir compôs "Agora eu sei" e também "Now I know". Essa música, permeada pela emotividade do momento e pela reflexão sobre sua jornada pessoal, tornou-se um testemunho musical de sua busca pela identidade.[1]
Em 2001, os músicos brasileiros Zé Nogueira e Mario Adnet organizaram sessões para regravar composições de Santos.[7] Essas gravações formariam o álbum Ouro Negro (2004), com participações de Milton Nascimento, João Donato e Gilberto Gil.[12][7] O álbum revitalizou a reputação de Santos no Brasil e internacionalmente.[7] Seu último disco, Choros & Alegria, lançado em 2005, foi composto inteiramente de material inédito e contou com participação de Wynton Marsalis.[12]
Em 6 de agosto de 2006, Moacir Santos morreu devido a complicações de um AVC anterior, em uma casa de repouso em Pasadena, Califórnia.[10] Pouco antes de falecer, recebeu os prêmios Shell de Música e Prêmio Tim.[13]
Realizações
[editar | editar código]Conhecido pelo seu virtuosismo, dominava o saxofone, o piano, a clarineta, o trompete, o banjo, o violão e a bateria. Note-se que ele iniciou-se como tocador de clarinete aos 11 anos.[carece de fontes] É tido como um dos maiores mestres da renovação harmônica da música popular brasileira (MPB).[carece de fontes]
Foi parceiro de Vinicius de Moraes, e por esse foi homenageado na canção "Samba da Bênção", com Baden Powell: "Moacir Santos / tu que não és um só, és tantos / como este meu Brasil de todos os santos."[carece de fontes] Foi assistente do compositor alemão Hans Joachim Koellreuter e professor de músicos como Baden Powell, Paulo Moura, João Donato, Nara Leão, Roberto Menescal, Sérgio Mendes e outros importantes nomes da música brasileira.[carece de fontes]
Em julho de 2006, ganhou o Prêmio Shell de Música.[carece de fontes]
Mark Levine, Anat Cohen e Muiza Adnet lançaram álbuns que consistem inteiramente da música de Santos.[carece de fontes]
Obras
[editar | editar código]O seu primeiro disco intitula-se Coisas, lançado em 1965 pela gravadora Forma. Já morando nos Estados unidos lançou os discos Maestro (1972), Saudade (1974) e Carnival of the Spirits (1975) pelo selo Blue Note, e Opus 3 Nº 1 (1978) pelo selo Discovery.[carece de fontes]
Suas mais conhecidas composições são "Coisa n. 5", "Menino Travesso", "Triste de Quem", "Se Você Disser que Sim" (com Vinicius de Moraes) e "Nanã" (com Mário Teles).[carece de fontes]
Em 2001 sua obra foi novamente lançada no Brasil através do álbum Ouro Negro com arranjos e produção de Mario Adnet e Zé Nogueira, e com participações especiais de grandes artistas como Milton Nascimento, Djavan, Ed Motta, Gilberto Gil, João Bosco, João Donato entre outros. Em 2005 foi lançado um DVD com um show da Banda Ouro Negro, gravado ao vivo no Sesc Pinheiros em São Paulo, e um disco, pela gravadora Biscoito Fino, com várias composições do início da sua carreira, nunca antes gravadas chamado Choros & Alegria.[carece de fontes]
Discografia
[editar | editar código]Como líder
[editar | editar código]- 1965 - Coisas (Forma)
- 1972 - Maestro (Blue Note)
- 1974 - Saudade (Blue Note)
- 1975 - Carnival of the Spirits (Blue Note)
- 1979 - Opus 3 No. 1 (Discovery)[14]
- 2001 - Ouro Negro (Universal)
- 2005 - Choros & Alegria (Adventure Music)
Como sideman
[editar | editar código]- 1973 - Kenny Burrell, Both Feet on the Ground (Fantasy)
- 1980 - Kenny Burrell, Heritage (AudioSource)
- 1979 - Raul de Souza, Til Tomorrow Comes (Capitol)
- 1972 - Cass Elliot, Cass Elliot (RCA Victor)
- 1975 - Shelly Manne, Hot Coles (RCA Victor/Flying Dutchman)
- 1968 - Sergio Mendes, Sergio Mendes' Favorite Things (Atlantic)
- 1981 - João Nogueira, Boca Do Povo (Polydor)
- 1963 - Baden Powell, Baden Powell Swings with Jimmy Pratt (Elenco)
- 1979 - Benny Powell, Ya Betcha B.P.!! (Los Angeles Phonograph)
Como arranjador
[editar | editar código]- 1964 - Luiza, Luiza (RCA Victor)
- 1963 - Vinicius de Moraes, Vinicius & Odette Lara (Discos Elenco LTDA)
Referências
- ↑ a b c d e DIAS, Andrea Ernest (2010). Mais "Coisas" sobre Moacir Santos, ou os Caminhos de um Músico Brasileiro. Salvador, Bahia: Universidade Federal da Bahia. p. 25
- ↑ «Compositor e saxofonista Moacir Santos morre em Los Angeles»
- ↑ Allmusic
- ↑ «Folha Online Ilustrada – Compositor e saxofonista Moacir Santos morre em Los Angeles – 08/08/2006». uol.com.br. Consultado em 27 October 2016 Verifique data em:
|acessodata=(ajuda) - ↑ Thurber, Jon (12 de agosto de 2006). «Moacir Santos, 80; Composer, Arranger of Brazilian Pop Tunes». Los Angeles Times (em inglês). Consultado em 12 de outubro de 2021
- ↑ Margasak, Peter (9 de agosto de 2006). «Brazilian arranger Moacir Santos dies at 80». Chicago Reader (em inglês). Consultado em 12 de outubro de 2021
- ↑ a b c d e f g h i j k «Moacir Santos, 80, a Composer Revered in Brazil's Jazz History, Dies (Published 2006)» (em inglês). 14 de agosto de 2006. Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ a b c d Staff, Variety (8 de agosto de 2006). «Moacir Santos». Variety (em inglês). Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ a b c Ratliff, Ben (2002). Jazz : a critic's guide to the 100 most important recordings. The Archive of Contemporary Music. [S.l.]: New York : Times Books. Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ a b c d e f g Ratliff, Ben (2002). Jazz : a critic's guide to the 100 most important recordings. The Archive of Contemporary Music. [S.l.]: New York : Times Books. Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ «Moacir Santos, 80, a Composer Revered in Brazil's Jazz History, Dies (Published 2006)» (em inglês). 14 de agosto de 2006. Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ a b Margasak, Peter (9 de agosto de 2006). «Brazilian arranger Moacir Santos dies at 80». Chicago Reader (em inglês). Consultado em 15 de novembro de 2025
- ↑ Holston, Mark (Oct 2006). "Passings". JAZZIZ. 23: 11. ProQuest 1383976.
- ↑ Lord, Tom (1994). The Jazz Discography. West Vancouver, B.C., Canada: Lord Music Reference. pp. S115–S116. ISBN 978-1-881993-08-7
Ligações externas
[editar | editar código]- Nascidos em 1926
- Mortos em 2006
- Saxofonistas de Pernambuco
- Trompetistas de Pernambuco
- Clarinetistas de Pernambuco
- Banjoístas do Brasil
- Violonistas de Pernambuco
- Bateristas de Pernambuco
- Compositores de Pernambuco
- Naturais de Serra Talhada
- Agraciados com a Ordem do Mérito Cultural
- Moacir Santos
- Maestros de Pernambuco