Nitócris da Babilônia

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Nitócris, veja Nitócris (desambiguação).

Nitócris foi uma rainha da Babilônia descrita por Heródoto em suas histórias. Segundo sínteses modernas com base nos textos antigos, ela foi filha de Nabucodonosor II, esposa de Nabonido e mãe de Belsazar.

Nitócris da Babilônia
Rainha da Babilônia
Reinado p. 550 a.C.
Cônjuge Nabonido (possivelmente)
Casa babilônica
Nascimento Século VI a.C
Morte Século VI a.C
Ocupação Soberana
Filho(s) Belsazar, Enigaldi-Nana e Nabucodonosor III
Pai Nabucodonosor II
Mãe Amitis da Média

Os últimos reis da Babilônia foram Nabucodonosor II (morreu em 562 a.C.), seguido por seu filho Evil-Merodaque, que reinou por dois anos, seguido de Neriglissar (559 - 555) e, finalmente, por Nabonido em cujo reinado a Babilônia foi conquistada por Ciro, o Grande.[1] Nabonido, possivelmente, foi casado com Nitócris, filha de Nabucodonosor com quem teve Belsazar, seu filho mais velho.[2]

De acordo com Heródoto,[Nota 1] houve apenas duas rainhas governantes da Babilônia, a primeira foi Semíramis, e cinco gerações depois, Nitócris.[3] Ele a descreve como uma rainha mais sábia que Semíramis, e, vendo que o Reino dos Medos, por ser grande, poderia tentar se expandir, e lembrando-se do trágico destino de Nínive que fora destruída pelos medos, reformou a Babilônia, para se preparar para a defesa.[4] Ela ordenou que mudassem o curso do Rio Eufrates para dar maior proteção a Babilônia, dificultando o acesso à cidade pelo rio, intimidando um ataque inimigo. Também ordenou que construíssem um lago artificial acima da cidade e uma ponte de tijolos com vigas de madeira através do Eufrates, o rio que corta a cidade; tal ponte só podia ser acessada durante o dia.[5]

Segundo o historiador Heródoto, ela foi esposa de Labineto, e teve um filho também chamado de Labineto, o último rei da Babilônia, derrotado por Ciro, o Grande;[5] estes dois reis são identificados a Nabonido e seu filho Belsazar.[6]

Existem muitas opiniões conflitantes sobre o contexto histórico dessa rainha. Alguns acreditam que Nitócris era filha de Nabucodonosor, e se casou com Neriglissar, que conspirou contra Evil-Merodaque. E após a morte de Neriglissar, ela se casou com Nabonido, o último rei da Babilônia. Já outros acreditam que Nitócris era esposa de Nabucodonosor, e após a morte de seu marido, ela se casou com o rei Nabonido. O possível núcleo histórico por trás da tradição de Nitócris também é controverso, pois não há menção sobre essa rainha em nenhuma outra fonte histórica. A única fonte de informação a seu respeito, vem do historiador Heródoto. O nome Nitócris não é de origem babilônica, mas se refere ao Egito. Heródoto também menciona uma rainha do Egito, chamada Nitócris.

Ao morrer, ela ordenou que seu túmulo fosse colocado em cima do portão mais movimentado da Babilônia. Em seu túmulo, ela fez gravarem uma inscrição, dizendo que dentro do túmulo tinha um tesouro, e que só deveria ser aberto em caso de extrema necessidade. O túmulo permaneceu fechado até Dario I, rei da Pérsia, decidiu abri-lo, mas não encontrara nenhum tesouro, só havia o cadáver e um recado de Nitócris, o reprimindo por ser tão ganancioso ao ponto de abrir os túmulos dos mortos. O recado dizia: "Se você é uma pessoa gananciosa e ambiciosa, que explora os pobres sem mínima vergonha. Pois então, abra o túmulo da pessoa morta".[7]

Nitócris também aparece no livro bíblico de Daniel, em um episódio em que uma mulher chamada “rainha” aconselha Belsazar a chamar Daniel para interpretar a escrita misteriosa da parede. Essa “rainha” tem sido identificada com Nitócris. A forma que ela falou com o rei faz transparecer uma mulher sábia e prudente, tal como a descrição de Heródoto.[8]

Notas e referências

Notas

  1. No texto de Heródoto, há referências a dois reis, pai e filho, de nome Labineto, que, segundo historiadores modernos, é uma forma corrompida de Nabonido.

Referências

  1. Easton's Bible Dictionary (1897), Nebuchadnezzar [em linha]
  2. Easton's Bible Dictionary (1897), Belshazzar [em linha]
  3. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 184 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  4. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 185 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  5. a b Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 188 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  6. Gilbert Génébrard, Cronografia (1599), Libri Quatuor.
  7. Heródoto, Histórias, Livro I, Clio, 187 [pt] [el] [el/en] [ael/fr] [en] [en] [en] [es]
  8. leia Daniel 5:10-12 Daniel, capítulo 5, versículo 10 ao 12.