O Povo Brasileiro

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O Povo Brasileiro é uma obra do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro, lançada em 1995, que aborda a história da formação do povo brasileiro.

O livro trata das matrizes culturais e dos mecanismos de formação étnica e cultural do povo brasileiro.

No prefácio da primeira edição, de 1995, Darcy Ribeiro afirma que escrever este livro "foi o maior desafio" que se propôs. Demorou 30 anos para escreve-lo. Segundo Darcy, o livro unifica uma teoria de base empírica de classes sociais no brasil e na américa latina; uma tipologia das formas de exercício do poder e de militância política; e uma teoria de cultura.

No quarto capítulo do livro, o autor apresenta em subseções cinco "brasis" distintos:

  • O Brasil sertanejo;
  • O Brasil crioulo;
  • O Brasil caboclo;
  • Brasil caipira;
  • Brasil sulino.

Trate-se da obra final do autor publicada antes de sua morte. É revestida de opiniões e impressões formadas pela experiência da vida do autor. O livro apresenta as formas através das quais a empresa "Brasil" moldou as zonas de habitação humana no território nacional e sua influência na miscigenação das 3 matrizes básicas formadoras do brasileiro.

Foi escrito em Maricá, cidade do litoral do Rio de Janeiro, para onde Darcy Ribeiro fugiu, abandonando o hospital em que estava internado e, segundo suas próprias palavras no prefácio do livro, "na iminência de morrer sem concluí‐lo", tendo sido esta obra o seu maior desafio.[1]

Estrutura do Livro[editar | editar código-fonte]

O livro possui 5 seções: (I) O Novo Mundo; (II) Gestação Étnica; (III) Processo Sociocultural; (IV) Os Brasis na História; (V) O Destino Nacional.

Cada uma das seções está estrutura com os seguintes capítulos:

(I) O Novo Mundo

  1. Matrizes étnicas
  2. O enfrentamento dos mundos
  3. O processo civilizatório

(II) Gestação Étnica

  1. Criatório de gente
  2. Moinhos de gastar gente
  3. Bagos e ventres

(III) Processo sociocultural

  1. Aventura e rotina
  2. A urbanização caótica
  3. Classe, cor e preconceito
  4. Assimulação ou segregação
  5. Ordem versus progresso

(IV) Os Brasis na história

  1. Brasis
  2. O Brasil crioulo
  3. O Barsil sertanejo
  4. O Brasil caipira
  5. Brasis sulinos: gaúchos, matutos e gringos

(V) O Destino Nacional

Excertos[editar | editar código-fonte]

Escrever este livro foi o desafio maior que me propus. Ainda é. Há mais de trinta anos eu o escrevo e reescrevo, incansável. O pior é que me frustro quando não o faço, ocupando‐me de outras empresas. Nunca pus tanto de mim, jamais me esforcei tanto como nesse empenho, sempre postergado, de concluí‐lo. Hoje o retomo pela terceira vez, isto se só conto aquela primeira vez em que o escrevi e completei, e a segunda em que o reescrevi todo, inteiro, esquecendo as inumeráveis retomadas episódicas e inconseqüentes. Ultimamente essa angústia se aguçou porque me vi na iminência de morrer sem concluí‐lo. Fugi do hospital, aqui para Maricá, para viver e também para escrevê‐lo.
 
Prefácio do livro "O Povo Brasileiro".
(...) os brasileiros se sabem, se sentem e se comportam como uma só gente, pertencente a uma mesma etnia. Vale dizer, uma entidade nacional distinta de quantas haja, que fala uma mesma língua, só diferenciada por sotaques regionais, menos remarcados que os dialetos de Portugal. Participando de um corpo de tradições comuns mais significativo para todos que cada uma das variantes subculturais que diferenciaram os habitantes de uma região, os membros de uma classe ou descendentes de uma das matrizes formativas.

Mais que uma simples etnia, porém, o Brasil é uma etnia nacional, um povo‐nação, assentado num território próprio e enquadrado dentro de um mesmo Estado para nele viver seu destino.

 
O Povo Brasileiro, p.21-22.
Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados.Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria.

A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista.

 
O Povo Brasileiro, p.120.

Referências

  1. RIBEIRO, Darcy (1995). O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil (PDF). São Paulo: Companhia das Letras. 480 páginas. ISBN 9788571644519. Formato PDF. Acervo digital do Portal IPHI. Consultado em 9 de abril de 2014 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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