Onofre Pinto

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Onofre Pinto
Nascimento 26 de janeiro de 1937
Jacupiranga, Brasil
Morte 13 de julho de 1974 (37 anos)
Medianeira, Brasil
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Guerrilheiro, militar

Onofre Pinto (Jacupiranga, 26 de janeiro de 1937 - Medianeira,13 de julho de 1974), filho de Maria Pinto do Rosário e Júlio do Rosário, foi um torneiro mecânico, militar e guerrilheiro brasileiro, integrante da luta armada contra a ditadura militar instalada no Brasil no ano de 1964. Preso e banido em 1969, voltou ao país e desapareceu na cidade de Medianeira, no Paraná, em 1974.

É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ex-sargento do Exército Brasileiro e integrante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foi presidente da Associação dos Sargentos de São Paulo antes do regime militar de 1964. Teve seus direitos políticos cassados pelo Ato Institucional n°1 e sua prisão preventiva decretada em 8 de outubro de 1964 por participação na associação e no 'Movimento dos Sargentos". Solto, começou a articular o MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário), de linha brizolista. Em 1967, o Movimento se desfaz e Onofre funda, com outros companheiros, a Vanguarda Popular Revolucionária, participando de várias ações armadas no ano seguinte, incluindo o assassinato do capitão do exército norte-americano Charles Chandler, tido pela guerrilha como um espião da CIA, em São Paulo.[1]

Preso em 2 de março de 1969, foi banido do Brasil em 6 de setembro do mesmo ano junto com mais 14 presos políticos, libertado em troca da vida do embaixador dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick, sequestrado no Rio de Janeiro por integrantes das organizações extremistas MR8 e Aliança Libertadora Nacional. No exílio, Onofre passa pelo México e pela Europa até se estabelecer no Chile de Salvador Allende.

Onofre voltou ao Brasil em 1974 com outros companheiros exilados, entrando no país pela fronteira de Foz do Iguaçu, entre a província de Misiones e o estado do Paraná.[2] Entretanto a volta do grupo foi anunciada à repressão por um traidor, fazendo com que todos fossem executados na região da fronteira. Seu corpo nunca foi encontrado e é dado como desaparecido político.[3]

Onofre foi morto após uma emboscada organizada pelo Centro de Informações do Exército (CIE), conhecida como no Massacre de Medianera, ou Chacina do Parque Nacional do Iguaçu, que deixou cinco guerrilheiros mortos, José Lavecchia, Joel de Cravalho, Daniel Carvalho, Victor Carlos Ramos e Ernesto Ruggia. Segundo o depoimento à Comissão da Verdade de Otávio Rainolfo da Silva, um infiltrado dos militares nos movimentos de esquerda, o guerrilheiro não participou da ação do grupo de outros militantes que acabaram mortos na emboscada, pois era um rosto muito popular e por isso ficou esperando em um sítio junto com o ex-ministro José Dirceu e outros. Após o massacre, Silva e o sargento Alberi Vieira dos Santos, outro infiltrado, foram atrás de Onofre, que percebeu a emboscada e tentou fugir correndo. Ele acabou sendo levado a um centro do Exército onde tentaram fazer com que ele se unisse aos militares e trabalhasse como um "cachorro", como eram chamados os militantes de esquerda que se alinhavam ao governo ditatorial e passavam a ser infiltrados em grupos esquerdistas. De acordo com o depoimento de Silva, Onofre não aceitou a proposta e foi morto dias depois com uma injeção de shelltox. O guerrilheiro teve os dedos, a arcada dentária e as tripas removidos e após a morte seu corpo foi jogado em um rio. Em 2009, O Ministério Público Federal abriu um inquérito para apurar o desparecimento de Onofre e dos demais militantes mortos e desaparecidos no episódio, mas o arquivou por falta de provas.[4]  

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «No que deu aquilo, companheiro?». Consultado em 24 de junho de 2011. Arquivado do original em 16 de novembro de 2012 
  2. «Onofre Pinto, presente!». Consultado em 24 de junho de 2011 
  3. «Onofre Pinto». Centro de Documentação Eremias Delizoicov. Consultado em 24 de junho de 2011 
  4. «Militar contou à Comissão da Verdade como ajudou a emboscar militantes - 19/01/2015 - Poder». Folha de S.Paulo. Consultado em 9 de outubro de 2019