Joel José de Carvalho

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Joel José de Carvalho
Nome completo Joel José de Carvalho
Nascimento 13 de julho de 1948
Muriaé, Brasil
Morte julho de 1974 (26 anos)
Medianeira, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileiro
Ocupação operário, militante

Joel José de Carvalho (Muriaé, 13 de julho de 1948Medianeira (Paraná), julho de 1974) foi um operário gráfico e militante da Vanguarda Popular Revolucionária desaparecido na ditadura militar brasileira.

É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Joel José de Carvalho nasceu no dia 13 de julho de 1948, na cidade de Muriaé, em Minas Gerais. Pertencia a uma família de evangélicos mineiros que se mudaram para a cidade de Diadema, no ABC Paulista, nos anos 50. Filho de Ely José de Carvalho e Esther José de Carvalho, Joel tinha uma irmã, Helena, e quatro irmãos metalúrgicos: Derly, Devanir, Daniel e Jairo. Dos seis irmãos Carvalho, apenas Helena não era militante.[1] Joel vivia com Maria das Graças de Souza e tinha um filho, Jocimar.[2]

Militância[editar | editar código-fonte]

Joel trabalhava como operário gráfico no ABC Paulista. Engajado na esquerda política, militou pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e posteriormente pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB).[2] Em meados nos anos 60, assim como seus irmãos Devanir, Derly, Daniel e Jairo, Joel participou da Ala Vermelha,[3] uma dissidência do PCdoB que se tornou partido autônomo em 1966.[4] Entre 1969 e 1971, enquanto Devanir se desligou da Ala Vermelha e ajudou a fundar o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT),[5] Joel e seu irmão Daniel saíram da ala e ingressaram na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR),[2] organização de luta armada brasileira de extrema esquerda. O codinome de Joel era “Gilberto”.[6]

Prisão e exílio[editar | editar código-fonte]

Em maio de 1969, Joel foi preso no bairro de Santo Amaro, na cidade de São Paulo. Ainda participante da Ala Vermelha, Joel foi preso com outros militantes de esquerda, incluindo seus irmãos Jairo e Daniel.[6] Foi torturado pela Operação Bandeirante (OBAN) antes de ser transferido para o Presídio Tiradentes. Lá, permaneceu preso até janeiro de 1971, quando ele e mais outros 69 militantes foram banidos do Brasil em troca da libertação do embaixador suíço Giovanni Bucher, que havia sido sequestrado pela VPR em 7 de dezembro de 1970.[2][7] Joel e os outros 69 presos foram exilados no Chile.[8] No exílio, Joel ingressou na VPR. Ele permaneceu no Chile até o Golpe de Estado no Chile em 1973, quando fugiu para a Argentina.[2]

Desaparecimento[editar | editar código-fonte]

Em 11 de julho de 1974, Joel tentou entrar no Brasil clandestinamente pela cidade de Medianeira, a sudoeste do Paraná. Ele estava acompanhado por seu irmão Daniel José de Carvalho, José Lavecchia, Gilberto Faria de Lima, Vitor Claros Ramos e Onofre Pinto, também membros da VPR, e pelo argentino Enrique Ernesto Ruggia. Onofre Pinto liderou o grupo à zona rural de Medianeira após receber um convite para ir a uma suposta área de guerrilha. Desde então, os sete homens estão desaparecidos.[9]

A emboscada[editar | editar código-fonte]

Em 1993, em depoimento realizado na Câmara Federal, o ex-sargento e ex-agente do DOI-CODI de São Paulo e do Centro de Informações do Exército (CIE) Marival Dias do Canto Chaves afirmou que houve uma operação para capturar os militantes. A emboscada teve participação do ex-sargento Alberi Vieira dos Santos, que estava infiltrado na VPR e contatou Onofre Pinto sobre a fictícia área de treinamento de guerrilha numa chácara em Medianeira.[10]

Marival também falou sobre a emboscada na matéria “Os Matadores”, publicada na revista ISTOÉ em 24 de março 2004:
“A chácara (...) foi arranjada pelo então capitão Areski de Assis Pinto Abarca, chefe do serviço de inteligência do Quartel do Exército de Foz do Iguaçu, que, após a operação, passou a integrar os quadros do CIE. (...) "Presos, os irmãos Carvalho, Lavéchia (sic), Vitor, Ruggia e Zorro foram torturados e executados imediatamente", conta Marival.”[11]

O desaparecimento dos militantes fez parte da Operação Juriti, que contou com a colaboração de militares chilenos e argentinos.[12]

Joel José de Carvalho consta na lista dos desaparecidos políticos do anexo I, da lei 9.140/95.[5]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

A cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, deu o nome de Joel José de Carvalho a uma rua do bairro de Indústrias, em sua homenagem. [13]

No dia 5 de abril de 2010, a Secretaria Especial de Direitos Humanos fez uma homenagem aos irmãos Carvalho e a Aderval Alves Coqueiro, também militante durante o período ditadura. A cerimônia ocorreu no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em Diadema.[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Núcleo Memória, Homenagem aos irmãos Carvalho e Aderval Alves Coqueiro
  2. a b c d e Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
  3. Centro de Memória Sindical, Depoimento de Derly José de Carvalho - parte 2
  4. Teses e Dissertações da Universidade de São Paulo - USPAla vermelha: revolução, autocrítica e repressão judicial no Estado de São Paulo - SILVA, Tadeu Antonio Dix
  5. a b Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva, Caso: Devanir José de Carvalho
  6. a b Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil, Joel José de Carvalho - Ficha Pessoal
  7. A Verdade Sufocada, O Sequestro do Embaixador Suíço
  8. Comunistas Guerrilha no Brasil - O sequestro do embaixador suíço
  9. Imprensa Oficial de São Paulo (ed.). "Dossiê Ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964-1985)". 2009. [S.l.: s.n.]  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)
  10. ”Dossiê Ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964-1985)”, p.587
  11. “Os Matadores” - Revista IstoÉ, 24 de março de 2004 Acesso em 14 de junho de 2014.
  12. ”Dossiê Ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964-1985)”, p.588
  13. ”Dossiê Ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964-1985)”, p.589