Elias Maluco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Elias Maluco
Elias Maluco (sem camisa, ao centro) sendo apresentado pela polícia após sua prisão em 2002
Nome Elias Pereira da Silva
Nacionalidade  brasileiro
Crime (s) Tráfico e associação para o tráfico de drogas (i)
Tráfico e associação para o tráfico de drogas (ii)
Homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver (iii)
Pena 13 anos de prisão (i)
18 anos de prisão (ii)
28,5 anos de prisão (iii)
Situação Preso

Elias Pereira da Silva, vulgo Elias Maluco, é um dos maiores traficantes de drogas do Rio de Janeiro, hoje encarcerado. Foi preso em 19 de setembro de 2002, após uma caçada humana de 3 meses, na sequência do assassinato do jornalista Tim Lopes[1] . Integrante da facção criminosa Comando Vermelho, comandava o tráfico de drogas em 30 favelas das imediações do Complexo do Alemão e da Penha, sendo acusado pela morte de mais de 60 pessoas[1] .

Elias Maluco é ainda considerado como um dos responsáveis pelas ondas de violência que abalaram o Rio de Janeiro em dezembro de 2006 e novembro de 2010[2] [3] .

Assassinato de Tim Lopes[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Tim Lopes

Em 2 de junho de 2002, o jornalista Tim Lopes, que na ocasião fazia uma reportagem sobre abuso sexual de menores e tráfico de drogas em bailes funk na favela Vila Cruzeiro, bairro da Penha, foi sequestrado e levado por um grupo de traficantes liderado por Elias Maluco para a Favela da Grota no Complexo do Alemão, onde foi torturado e morto,[4] após ter sido descoberto com uma microcâmera tentando filmar a venda de drogas no local.[5] De acordo com depoimentos de traficantes ligados a Elias Maluco, presos poucos dias depois pela polícia, este executou pessoalmente o jornalista com uma espada de samurai,[4] [5] tendo em seguida o corpo do jornalista sido esquartejado com facas e incinerado com pneus e gasolina[5] numa gruta conhecida entre os locais como o "microondas".[6] Após intensas buscas, os restos carbonizados do corpo de Tim Lopes foram encontrados no dia 12 de junho, num cemitério clandestino da Favela da Grota.[4]

O crime teve repercussão internacional[7] e motivou manifestações contra a violência no Rio de Janeiro e em defesa da liberdade de imprensa, tendo sido um dos casos que levou a que o Brasil fosse apontado pela Comissão de Impunidade da Sociedade Interamericana da Imprensa (SIP) como o terceiro país mais perigoso para os profissionais desta área nas Américas.[5]

Captura[editar | editar código-fonte]

Após uma caçada humana de três meses liderada pela cúpula da segurança do Rio de Janeiro,[4] a polícia lançou no dia 16 de setembro de 2002 a chamada "Operação Sufoco", cercando o Complexo do Alemão com o objetivo de capturar Elias Maluco. Após 50 horas de cerco policial, foi capturado no dia 19 de setembro na Favela da Grota, não tendo resistido à prisão. É dele a frase, no momento da prisão, "Perdi, chefe. Só não esculacha, não.", em referência à ânsia da polícia em prendê-lo.[1]

Elias Maluco foi condenado em dezembro de 2002 a 13 anos de prisão pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico de drogas, num processo que envolvia o cantor Belo.[8] Em 10 de novembro de 2003, foi condenado a 18 anos de prisão pela 23ª Vara Criminal do Rio de Janeiro pelos mesmos crimes no âmbito de outro processo,[8] e em 25 de maio de 2005 foi condenado a 28,5 anos de prisão pelo 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver no caso do assassinato de Tim Lopes.[9]

Elias Maluco ficou preso no complexo prisional Bangu I desde a sua detenção[9] até 4 de janeiro de 2007, quando foi transferido para o Presídio Federal de Cantanduvas, Paraná, juntamente com outros onze chefes das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando (TC) acusados de planejar a queima de ônibus e os atentados contra delegacias e postos da Polícia Militar ocorridos no Rio de Janeiro em 28 de dezembro de 2006, que resultaram na morte de dezenove pessoas.[2] Após o início de uma nova onda de violência no Rio de Janeiro em 21 de novembro de 2010, Elias Maluco e Marcinho VP, que segundo o setor de inteligência da polícia teriam ordenado os ataques, foram transferidos em 25 de novembro de 2010 para o Presídio Federal de Porto Velho, Rondônia.[3] Em 18 de agosto de 2011, Elias Maluco foi novamente transferido, desta feita para o Presídio Federal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.[10]

Referências

  1. a b c "Elias Maluco é preso na Favela da Grota". Terra.com.br. 2003-09-19. Consult. 16 de maio de 2013. 
  2. a b "Chefões vão para cadeia no Sul do País". Terra.com.br. 2007-01-05. Consult. 16 de maio de 2013. 
  3. a b "Justiça autoriza transferência de mais 10 presos do RJ para o PR". Terra.com.br. 2010-11-26. Consult. 16 de maio de 2013. 
  4. a b c d "2002 - Elias Maluco choca ao executar Tim Lopes". Terra.com.br. Consult. 16 de maio de 2013. 
  5. a b c d "Há um ano Tim Lopes era executado por traficantes". Terra.com.br. 2003-06-02. Consult. 16 de maio de 2013. 
  6. "Governo decide concretar gruta em favela no Rio". Terra.com.br. 2003-06-02. Consult. 16 de maio de 2013. 
  7. "Desaparecimento de jornalista da Globo gera preocupação internacional". Folha de S. Paulo. 2002-06-04. Consult. 16 de maio de 2013. 
  8. a b "Elias Maluco é condenado a 18 anos de prisão". Terra.com.br. 2003-11-11. Consult. 16 de maio de 2013. 
  9. a b "Elias Maluco pega 28 anos pela morte de Tim Lopes". Terra.com.br. 2005-05-25. Consult. 16 de maio de 2013. 
  10. "Elias Maluco é transferido para presídio federal no MS". Terra.com.br. 2011-08-18. Consult. 16 de maio de 2013.