Papus

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Gérard Encausse
Nome completo Gérard Anaclet Vincent Encausse
Conhecido(a) por Papus
Nascimento 13 de julho de 1865
Corunha, Espanha
Morte 25 de outubro de 1916 (51 anos)
Paris, França
Nacionalidade  França
Progenitores Mãe: Irene Perez
Pai: Louis Encausse (químico)
Cônjuge Madame J. Robert
Ocupação Médico, militar, ocultista

Gérard Anaclet Vincent Encausse (Corunha, Espanha, 13 de Julho de 1865Paris, França, 25 de Outubro de 1916), mais conhecido pelo pseudônimo de Papus, foi um médico, escritor, ocultista, rosacrucianista, cabalista, maçom e fundador do martinismo moderno.

Discípulo de Joseph Saint-Yves d’Alveydre (1842-1910), um iniciado da Igreja Gnóstica e frequente investigador de muitos grupos ocultos de seu tempo. Um dos mais famosos ocultistas da virada do século, ele foi o fundador da Escola Hermética em Paris, que atraiu muitos estudantes russos e dirigiu revista francesa de ocultismo, L’Initiation. Papus também foi o cabeça de duas sociedades esotéricas, a L’Ordre du Martinisme e a L’Ordre Kabbalistique de la Rose-Croix.

Papus, juntamente com Oswald Wirthe Stanilas de Guaita,sonharam em unir os ocultistas de todo lugar numa fraternidade Rosacruniana reavivadade, uma ordem oculta internacional em que eles esperavam que o Império Russo desempenharia um papel de líder como ponte entre o Leste e o Oeste.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de pai francês, o químico Louis Encausse, e de mãe espanhola, de origem cigana, a senhora Irene Perez, desde 1869 passou a viver com a família no bairro de Montmartre, em Paris. Estudou primeiramente no colégio Rollin e, depois, com 17 anos, começou a frequentar a Faculdade de Medicina de Paris, onde se graduou com sua tese de doutorado sobre moléstias nervosas, um verdadeiro tratado sobre o assunto.

Teve sua crise de materialismo ainda nos tempos de faculdade, e o contato mantido com alguns membros de diversas ordens ocultistas, dentre eles Stanislas de Guaita, transformou a mera curiosidade em legítimo e profundo interesse pelos assuntos do Ocultismo. Teve como seu iniciador o Marquês Saint-Yves d'Alveydre, que herdou os documentos de um dos principais fundadores do ocultismo francês, Antoine Fabre d'Olivet.

Ainda jovem, começou a estudar os segredos ocultistas, passando horas na Biblioteca Nacional de Paris ou na Biblioteca do Arsenal, analisando os segredos da Alquimia e da Cabala. O nome "Papus" (nome do gênio da medicina no "Nuctemeron", de Apolonio de Tiana) foi adotado por influência de Eliphas Levi, e identifica uma entidade espiritual dedicada à terapia. Em 1882 foi iniciado por Henri Delaage na Sociedade dos Filósofos Desconhecidos, ordem que teria sido fundada por Louis Claude de Saint-Martin, no século XVIII, na França.[2]

Em 1888, Encausse, Saint-Yves e de Guaita juntaram-se com Joséphin Péladan e Oswald Wirth para fundar a Ordem Cabalística da Rosacruz. Encausse foi ainda o fundador do Grupo de Estudos Esotéricos e o editor das revistas L'Initiation e Le Voile d'Isis.[3]

En 1891, Encausse afirmou estar na posse dos documentos originais de Martinez de Pasqually, e com eles fundou uma ordem maçônica de martinistas denominada Ordem dos Superiores Desconhecidos ou, simplesmente, Ordem Martinista. Assegurava que tinha sido iniciado no Rito de San Martín pelo seu amigo Henri Delaage, o Visconde de Laage (que afirmava que o seu avô materno tinha sido iniciado na ordem pelo próprio Saint-Martín).[2] A Ordem Martinista converteu-se no principal feito de Encausse, e continua vigente na atualidade como um dos seus legados mais perduráveis. Em 1893, Encausse foi consagrado bispo da Igreja Gnóstica de França por Jules Doinel, o qual tinha fundado esta Igreja em 1890 com a intenção de fazer reviver a religião dos cátaros. Em 1895, Doinel abdicou como Primado da Igreja Gnóstica francesa, deixando o controle da mesma a um sínodo de três bispos, um dos quais era Encausse. Durante este período (1894, 1895), Encausse esteve filiado na Sociedade Teosófica. Em Março de 1895, filiou-se ao Templo da Golden Dawn Ahathoor de Paris, e em 1897 fundou a Sociedade Alquímica de França, juntamente com Saint-Yves d'Alveydre, Jollivet Castelot, de Guaita e outros.[4]

Encausse reconhecia "Maitre Philippe" (Philippe Nizier) como seu "mestre espiritual", porém o seu primeiro e verdadeiro mestre foi o Marquês Saint-Yves d'Alveydre, já citado.

Morte[editar | editar código-fonte]

Faleceu em 25 de outubro de 1916 de tuberculose, contraída nas linhas de batalha da Primeira Grande Guerra, onde atuou como major-médico.

Obras[editar | editar código-fonte]

Papus deixou 160 livros, almanaques, revistas e artigos, esta impressionante produção literária lhe rendeu o apelido de "Balzac" do oculto. No entanto, alguns o criticam por falta de rigor em seu trabalho na Cabala em particular. Através de seus talentos como popularizador, ele ajudou a abrir as mentes de seu tempo para as fontes vivas de pensamento analógico e imaginação criativa, continuando o trabalho que Eliphas Levi havia realizado.[5]

Teses[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

(por ordem cronológica)

  • L'occultisme contemporain : Louis Lucas, Wronski, Éliphas Lévi, Saint-Yves d'Alveydre, Mme Blavatsky (1887)
  • Traité élémentaire de science occulte (1888), Paris, Carré. Dangles, 1990 [2] [archive]
  • La Pierre Philosophale (1889) [3] (Em português pela Sociedade das Ciências Antigas)
  • Le Tarot des Bohémiens, clef absolue des sciences occultes (1889), Paris, Carré. 3e éd. aug. 1926. Dangles, 1990
  • Essai de physiologie synthétique (1891), 2e éd. 1909, Librairie Hermétique, 150 p.
  • Traité méthodique de science occulte (1891), en 2 tomes, Paris, Éditions Dangles, Paris [4] [archive]
  • La Cabbale, Tradition secrète de l'Occident (1892). Dixième éd. augmentée Dangles, 1977. 2e éd. 1903. Dangles, 14e éd., 1999, 365 p. [5] [archive]
  • La science des mages et ses applications théoriques et pratiques (1892), Librairie du merveilleux. Bussière, 5e éd., 2003, 282 p. [6] [archive]
  • Traité élémentaire de magie pratique (1893), Paris, Chamuel. [7] [archive] Éd. revue et augmentée par Chacornac en 1924 sous le titre Traité méthodique de magie pratique. Dangles, 1999, 640 p.
  • Anarchie, indolence et synarchie : les lois physiologiques d'organisation sociale et l'ésotérisme (1894) [8] [archive]
  • L'anatomie philosophique et ses divisions (1894), Paris, Chamuel.
  • Les Arts divinatoires. Graphologie, chiromancie, morphologie, physiognomonie, astrosophie, astrologie (1895), Paris, Chamuel. Éd. augmentée Dangles, 1992, 220 p.. [9] [archive]
  • Lumière invisible, médiumnité et magie (1896), éd. Suzanne Demoiny, 1992, 59 p.
  • Traité synthétique de chiromancie (1896). Éd. revue : Comment on lit dans la main (1902)
  • Traitement externe et psychique des maladies nerveuses. Aimants et couronnes magnétiques, miroirs, traitement diététique, hypnotisme, suggestion, transferts (1897), Paris, Chamuel
  • L'âme humaine avant la naissance et après la mort (1898), Paris, Chamuel. [10] [archive]
  • Martinésisme, willermosisme, martinisme et franc-maçonnerie (1899), Chamuel. BookSurge, 2001, 131 p. (Em português pela SCA)
  • Comment est constitué l'être humain (1900), Chamuel (Em português pela SCA)
  • Qu'est-ce que l'occultisme ? (1900), Paris, Chamuel. Éd. augmentée Leymarie 1929. [13] [archive]
  • L'occultisme et le spiritualisme (1902), Paris, Félix Alcan, coll. « Bibliothèque de philosophie contemporaine ». [14] [archive]
  • Comment on lit dans la main (1902) [15] [archive]
  • Le livre de la chance bonne ou mauvaise (1908), Bussière, 1996, 120 p. [16] [archive]
  • Le tarot divinatoire. Clef du tirage des cartes et des sorts (1909).
  • Ce que doit savoir un Maître Maçon (1910). Dangles, 10e éd., 1999, 188 p.
  • La réincarnation. L'évolution physique, astrale et spirituelle. Ce que deviennent nos morts (1912), 3e éd. aug. 1945. Dangles, 1999, 215 p. (Em português pela SCA)
  • Rituel de l'Ordre Martiniste (1913) (avec Teder)
  • Ce que deviennent nos morts (1918), O.C.I.A. 1949
  • ABC illustré d'occultisme (posthume, 1922), Paris, Dorbon.
  • La science des nombres (posthume, ?), Paris 5e, édition Buissière.

Traduzida ao português[editar | editar código-fonte]

  • A Reencarnação, Ed. Pensamento, São Paulo, Brasil, s/d.
  • Tratado Elementar de Magia Prática, Ed. Pensamento, São Paulo, Brasil, 1973.
  • O Tarô dos Boêmios, Sociedade das Ciências Antigas, Brasil, 1985.
  • A Cabala, Martins Editora, 2003.
  • ABC do Ocultismo, Martins Editora, 2003.
  • O Que Deve Saber Um Mestre Maçom, Editora Pensamento, 2011

Principais Revistas[editar | editar código-fonte]

  • Revista L'Initiation, 1888-1912 (primeira série) e posteriormente em 1953 (nova série).
  • Revista Mysteria, 1913-1914
  • Revista Le Voile d'Isis, 1890-1898 e 1905-1909.

Estudos sobre Papus[editar | editar código-fonte]

  • Philippe Encausse (filho de Papus) : Papus, sa vie, son œuvre, Paris, Ed. Pythagore, 1932.
  • Marie-Sophie André e Christophe Beaufils, Papus, biographie, la Belle époque de l'occultisme, Berg international, 1995.
  • Jean-Pierre Bayard, Philippe Encausse, Pierre Mariel, Papus : Occultiste, ésotériste ou mage ? Anthologie thématique du Dr Gérard Encausse, Mennecy, Éditions Ediru, 384 p., 2005, (ISBN 2-86734-050-0)
  • Arnaud de l'Estoile, Papus, Grez-sur-Loing, Éditions Pardès, Collection « Qui suis-je ? », 2006, 128 p.

Notas

  1. [1]
  2. «Biografia de Papus hermanubis». Consultado em 27/Fev/2011  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. «Biografia de Papus» (em francês). Consultado em 27/Fev/2011  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. Prefácio do tradutor da edição para a língua portuguesa de Tratado Elementar de Magia Prática (Editora Pensamento, São Paulo, 1973).
  5. (Les Disciples de la science occulte : Fabre d'Olivet et Saint-Yves d'Alveydre, Paris, 1888 ; Traité élémentaire d'occultisme, Paris, 1888 ; Traité méthodique de sciences occultes, Paris, 1891, etc.)