The Root of All Evil?

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The Root of All Evil?
2006 •  
Idioma inglês

The Root of All Evil? (em português: A Raiz de Todo o Mal?) é um documentário britânico feito para a televisão, escrito e apresentado por Richard Dawkins, que tem como foco demonstrar a prescindibilidade das religiões, evidenciando possíveis vantagens para a humanidade advindas de sua inexistência. O documentário foi exibido pela primeira vez em janeiro de 2006 na televisão inglesa, em dois episódios de 45 minutos cada. O título dado ao documentário não era o preferido por Dawkins, mas foi mantido pela emissora (Channel 4) para criar certa controvérsia.

Primeiro episódio: Uma ilusão chamada Deus[editar | editar código-fonte]

Em The God Delusion (Deus, um delírio), Dawkins traz à baila algumas das tradições religiosas para compará-las com o método científico, supostamente muito mais eficaz e capaz de nos mostrar a realidade. Dawkins inicia o documentário narrando ao fundo, enquanto imagens de um atentado suicida percorrem a tela: "Há neste mundo aspirantes a assassinos dispostos a matar eu e você, porque são motivados pelo que acreditam ser o mais alto dos ideais". E segue dizendo: "Este não é só um problema do islamismo, mas é um mal que atinge igualmente o cristianismo e o judaísmo, o processo de não-pensar, chamado fé".

Lourdes[editar | editar código-fonte]

Dawkins visita o santuário de Lourdes no sul da França, e se junta a uma multidão de romeiros em procissão. Dawkins afirma que é a mesma ilusão o que junta todos ali, e é exatamente este enorme senso de solidariedade que continua a guiá-los a uma mentira: a cura pela fé. Os peregrinos católicos acreditam que podem se curar dalguma doença tocando ou bebendo a água da nascente de Lourdes, mas Dawkins adverte que o mais provável é que, no meio de toda aquela multidão, o máximo que alguém vá alcançar é um resfriado.

Dawkins então questiona o padre Liam Griffin a respeito dos milagres de Lourdes, que segundo a igreja têm acontecido freqüentemente. O padre Griffin diz que há 66 milagres reconhecidos e outras duas mil curas que nunca foram explicadas (sendo que cerca de 80 mil peregrinos visitam o santuário todo ano), e mais milhões de "curas espirituais". Dawkins permanece cético e questiona tais números, e aponta depois que ninguém nunca reportou o miraculoso re-crescimento de uma perna amputada. Em vez disso, afirma que as curas invariavelmente compreendem aflições que teriam melhorado de qualquer forma ..

Fé versus Ciência[editar | editar código-fonte]

Dawkins continua sua comparação entre e ciência. A ciência, de acordo com ele, é um processo incessante de acertos e erros, em busca duma melhor teoria. A fé, ao contrário, prende-se a verdades inquestionáveis, mesmo à sombra duma evidência científica incontestável. Um exemplo de fé que contraria a lógica é a doutrina da infalibilidade papal que revelou a assunção de Maria em 1950, baseada não em fatos, mas na tradição. Dawkins argumenta que um fato não se torna mais verdadeiro ou falso do que era no início se passado de geração em geração por centenas de anos. E em busca de um exemplo da primazia da ciência sobre a fé, relata um acontecimento de sua época de estudante, quando um visitante desbancou uma teoria de um vetusto professor de sua universidade. O professor, admitindo que estava errado, agradeceu o visitante: "Meu caro colega, desejo agradecer-lhe, estive errado por todos estes anos".

Por fim, Dawkins evoca a teoria da evolução, de Charles Darwin, algo de imensa significação para ele, em oposição à teoria do design inteligente. Ao pé de uma montanha, utiliza elegantemente de uma analogia já explanada no seu livro A Escalada do Monte Improvável, para demonstrar o quão absurda é a teoria de um criador inteligente. Que a noção de completa complexidade da vida emergiu por chance cega ou pelas mãos de um designer inteligente, ele compara isso com a face reta de um penhasco. Por contraste sugere que a teoria da seleção natural de Darwin fornece uma explicação comparada a escalar a mesma montanha do outro lado, gradualmente, por um sutil gradiente, passo a passo. Dawkins também comenta que a hipótese de design levanta outra questão: quem fez o designer?

Colorado Springs[editar | editar código-fonte]

Em seguida, Dawkins faz uma visita à cidade de Colorado Springs (EUA), para discutir o crescimento espantoso do fundamentalismo cristão nos Estados Unidos, um país onde, de acordo com pesquisas, cerca de 45 por cento da população acredita ter o universo surgido há menos de 10 mil anos. Dawkins visita a New Life Church, um templo cristão de US$ 18 milhões, onde o pastor Ted Haggard discursa diuturnamente para mais de 12 mil fiéis. Haggard é o presidente da Associação Nacional de Evangélicos estadunidense, e afirmava falar uma vez por semana com o ex-presidente George W. Bush.

Dawkins conversa em particular com Haggard, e começa comparando o culto a uma reunião nazista (Nuremberg Rally) que faria até Joseph Goebbels orgulhoso. Haggard diz que não sabe de nada sobre Nuremberg e diz que alguns evangélicos pensam de seus serviços como um tipo de concerto de rock. Haggard afirma que a Bíblia é verdadeira e não se contradiz (um assunto altamente debatido), como a ciência supõe ser. Dawkins, entretanto, coloca que a vantagem da ciência é que novas evidências mudam as ideias, permitindo um avanço no conhecimento humano, algo que a religião não permite. Gradualmente a conversa vai se tornando ríspida.

Haggard diz que os evangélicos estadunidenses abraçam totalmente o método científico, esperando que ela mostrará como Deus criou o Céu e a Terra. Dawkins pergunta se ele aceita a demonstração científica de que a Terra tem 4.5 bilhões de anos de idade. De acordo com Haggard, essa é meramente uma visão aceita de uma porção da comunidade científica. Ele segue no confronto dizendo que os netos de Dawkins poderiam rir dele quando ouvissem essas afirmações. Dawkins responde "quer apostar?" Haggard insiste que alguns "evolucionistas" acreditam que o olho "simplesmente se formou do nada". Dawkins replica que nem um único biólogo evolucionista que ele conhece pensaria assim e que Haggard claramente não sabe de nada sobre o assunto. Em resposta Haggard insiste que alguns (anônimos) "evolucionistas" que ele conheceu disseram isso. A reunião toma um rumo mais ríspido com Haggard afirmando que "esse problema" de "arrogância intelectual" é a razão porque pessoas como Dawkins e outros que contrariam o criacionismo, tem um problema com pessoas de fé. Essa cena termina com Haggard dizendo a Dawkins que quando ele envelhecer vai se encontrar num ponto em que está "errado sobre algumas coisas, certo sobre outras", e que ele não deveria ser arrogante.

Enquanto Dawkins e sua equipe se preparam para partir, acontece um breve incidente no estacionamento. Foi reportado que Haggard ordenou a equipe de Dawkins para sair de suas terras com ameaças de ações legais e confiscação de suas gravações, com a afirmação de "você chamou minhas crianças de animais". Dawkins interpreta isso retrospectivamente dizendo que do ponto de vista da evolução, de fato leva a dizer que os seguidores de Haggard são animais, que é exatamente o que todos os humanos realmente são.

Então Dawkins vai a uma reunião de Pensadores Liberais, onde um professor de biologia revela que ele foi rotulado de "Satã Reencarnado" por ensinar evolução, e outro pensador liberal compara a situação atual com a era McCarthy.

Jerusalém[editar | editar código-fonte]

Dawkins visita a Jerusalém, algo que ele considera um microcosmo de tudo o que há de errado com as religiões. Inicialmente, Dawkins é levado por um guia à Basílica do Santo Sepulcro. Tal basílica, segundo a tradição cristã, é o local onde Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e de onde ressuscitou no Sábado de Aleluia. Dawkins comenta sobre o que ele chama de "edgy watchfulness" (algo como uma constante observação, guarda) na Velha Cidade. Uma área em particular está sob pesada guarda: o Templo da Montanha, englobando ambas Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha. O mesmo local é também onde fica o Templo Sagrado Judeu antigo.

Dawkins entrevista representantes dos dois lados do conflito israelo-palestino: primeiro, o judeu Yisrael Medad, e depois, o Grand Mufti da Palestina, Sheikh Ekrima Sa'id Sabri, mas ambos os lados se mostram inconciliáveis. Esperando encontrar alguém com uma visão neutra do embate que há tempos aflige Jerusalém, Dawkins entrevista Joseph Cohen, agora conhecido como Yousef al-Khattab, um judeu estadunidense que se mudou para Israel e se converteu ao Islã. Todavia, depois de oferecer boas-vindas a Dawkins, al-Khattab começa seu sermão religioso, atacando a suposta decadência de valores ocidentais.

São duas as maiores preocupações de al-Khattab. Primeiramente, ele deseja ver todos os não-muçulmanos fora da terra sagrada de Maomé. Em segundo lugar, demonstra-se imensamente preocupado com o modo como os homens ocidentais permitem "suas" mulheres se vestir - ou não se vestir. Ele não aceita que as mulheres se vistam "como prostitutas", como ele mesmo diz, ou que aparecem "fazendo topless" na televisão. Quando perguntado sobre os atentados de 11 de Setembro, aponta como culpada a criação do Estado de Israel. "Conserte sua sociedade, conserte suas mulheres!" é seu conselho de despedida.

O bule de Bertrand Russel[editar | editar código-fonte]

Dawkins resume este primeiro episódio com a parábola do bule de chá de Bertrand Russel. Se disserem que há um bule de chá orbitando a Terra, a maioria das pessoas irá provavelmente desconfiar dessa afirmação. Entretanto, não há como provar que tal bule não esteja lá. Assim como não se pode contestar milhares de questões sobre o universo. Só porque a ciência não conseguiu ainda responder tal ou qual questão, não há porque buscar a resposta na fé, que, segundo Dawkins, nunca conseguiu responder algo de importante até hoje.

Segundo episódio: O vírus da fé[editar | editar código-fonte]

No segundo episódio, Dawkins examina a moral das religiões, argumentando contra a doutrinação das crianças. O título deste episódio vem do livro O Gene Egoísta, no qual Dawkins expôs pela primeira vez o conceito de meme, uma unidade de cultura auto-replicativa e capaz de evoluir, das quais as religiões, de acordo com Dawkins, estão repletas.

Educação sectária[editar | editar código-fonte]

Dawkins principia este episódio argumentando acerca da desarmoniosa influência das escolas paroquiais sobre toda a sociedade, com crianças segregadas e rotuladas por sua religião. Ele visita uma comunidade de judeus chassídicos em Londres, onde crianças recebem somente educação religiosa, sendo privadas de uma cultura mais ampla, como por exemplo, através da televisão. Dawkins entrevista Rabbi Herschel Gluck, e o questiona se suas crianças tem acesso permitido a ideias científicas.

Gluck afirma que é importante para uma minoria ter um espaço particular para poder expressar sua cultura e suas próprias crenças. Dawkins coloca que preferia que as tradições fossem ensinadas sem impor demonstrações falsas. Gluck enfatiza que embora eles acreditem que Deus criou o mundo em seis dias, a evolução das espécies também é ensinada, embora ele diga que a maioria dos estudantes não acreditarão nela quando saírem da escola. Gluck contrasta a tradição judaica com cientistas que "têm suas tradições". A expressão facial de Dawkins nesse ponto parece sugerir que ele não engoliu bem essa afirmação de que a ciência é baseada apenas em "tradição". Gluck então vai mais fundo dizendo que isso é chamado de "teoria da evolução" em vez de "lei da evolução". Quando Dawkins aponta que o termo é usado no sentido técnico e descreve a evolução como um fato, Gluck sugere que ele é um "crente fundamentalista".

Dawkins expressa preocupação sobre o aumento da influência religiosa nas escolas britânicas já com mais de 7 mil escolas de fé e com o governo encorajando mais, então mais da metade das Academias Municipais esperam receber patrocínio por organizações religiosas. Ele diz que o desenvolvimento mais preocupante é uma nova onda de escolas evangélicas privadas que adotaram o currículo "Educação Cristã Acelerada" dos americanos batistas, e como um exemplo liga para a Phoenix Academy, em Londres. O professor Adrian Hawkes introduz a escola a Dawkins, e faz lembrar, jubiloso, que quase toda página do material didático faz menção a Deus ou Jesus, como referências à Arca de Noé em livros de ciências. Hawkes responde dizendo que as histórias poderiam ter muito a ver com a ciência se acreditar nelas, e que a ciência que ele aprendeu na escola na sua época é ridícula hoje. Como exemplo, ele menciona que ele foi ensinado que a Lua veio dos oceanos da Terra e que de alguma forma flutuou para o espaço durante os primeiros anos da vida da Terra. Dawkins diz que isso deveria ter sido apresentada como uma forte teoria da época. Outra lição fala sobre AIDS como sendo "o preço do pecado", então Dawkins questiona se isso não estaria misturando educação sadia com pregações de moral. Hawkes responde que sem alguém para dar a lei, "Por que estuprar é errado? Por que pedofilia é errado?" e que se as pessoas acreditarem que podem sair por aí cometendo crimes sem serem punidos então eles farão isso mesmo. Dawkins responde a isso perguntando Hawkes se a única razão porque ele não faz essas coisas é porque ele tem medo de Deus e em seguida sugere que essa atitude é característica da moralidade torta que a religião tende a instigar nas pessoas.

Religião como um vírus[editar | editar código-fonte]

Em seguida, Dawkins discute especificamente a religião vista como um vírus no sentido de um meme. Ele começa explicando como a mente duma criança é geneticamente pré-programada para acreditar em tudo que lhes é ensinado, sem nada questionar a palavra das figuras autoritativas, especialmente os pais - o imperativo evolucionista sendo que nenhuma criança conseguiria sobreviver adotando uma atitude cética sobre tudo que os mais velhos dissessem. E é este imperativo que as tornam vulneráveis à "infecção" pela religião.

Dawkins se encontra com a psicóloga Jill Mytton, que sofreu uma rigorosa educação religiosa quando criança, e que hoje ajuda a reabilitar crianças igualmente afetadas por tal fervorosa catequização. Mytton explica que, para uma criança, imagens como o fogo do inferno não fica restrito ao sentido metafórico, mas assumem uma significação real, inspirando terror. Ela retrata sua infância como dominada pelo medo. Quando pressionada por Dawkins para descrever as realidades do Inferno, Mytton hesita, explicando que as imagens de eterno sofrimento que ela absorveu quando criança ainda tinham poderoso efeito sobre ela.

Logo depois Dawkins visita o pastor Keenan Roberts, diretor de um programa Hell House por 15 anos (comuns nos EUA, também conhecidas como judgment houses, uma casa de estilo mal-assombrado dirigida por fundamentalistas cristãos, construídas para descrever os "castigos divinos" que estão por vir para todos os pecadores, sendo operadas comumente nos dias que precedem o Halloween), produzindo shows teatrais direcionadas a crianças de doze anos ou mais uma impressão inquestionável de que pecado destrói. Vemos cenas de ensaios mostrando doutores forçando aborto em uma mulher apesar dela ter mudado de ideia, e uma cerimônia de um casamento lésbico presidido por Satã onde a mulher jura nunca acreditar que é normal e Satã cita o Primeiro Coríntios 6 onde Deus diz que a homossexualidade é igual a pecado. Roberts absolutamente acredita nas escrituras sobre o pecado, e quando Dawkins questiona a base de sua moralidade, ele replica dizendo que é uma questão de fé.

Moral bíblica[editar | editar código-fonte]

Em seguida, Dawkins questiona se a Bíblia realmente fornece uma base moral adequada, e desafia que os textos são de origem e veracidade dúbias, são internamente contraditórias e, examinadas de perto, descrevem um sistema de morais que qualquer pessoa civilizada deve achar venenosa. Ele descreve o Velho Testamento como a raiz do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, e como exemplo das leituras ele dá Deuteronômio, 13, que instrui crentes a matar qualquer amigo ou membro da família que seguem outros deuses, e Números 31, onde Moisés, nervoso com a piedade que suas forças vitoriosas mostram em levar as mulheres e crianças como cativas, instrui todos menos as meninas virgens, um ato que Dawkins descreve como genocídio. Dawkins também questiona uma passagem do Livro dos juízes, 19, em que um velho homem atira sua filha a uma multidão nervosa de "homens loucos" para ser estuprada e humilhada, numa tentativa de salvar seu hóspede (um homem) de ser estuprado pelos "homens loucos". Na opinião de Dawkins, Deus deve ser o personagem mais maldoso da ficção.

Dawkins então se volta para o Novo Testamento, o qual, à primeira vista, descreve ele, apresenta um progresso moral indubitável em relação ao antigo livro. Mas é repelido pelo que ele chama de doutrina sadomasoquista de São Paulo, onde Jesus teve que ser torturado e morto para que pudéssemos nos redimir e pergunta "se Deus queria perdoar nossos pecados, porque não apenas perdoá-los? A quem Deus está tentando impressionar?" Ele diz que a ciência moderna mostra que a alegação dos perpetradores Adão e Eva nunca nem existiram, acabando com a doutrina de São Paulo.

Posteriormente, Dawkins entrevista o reverendo Michael Bray, que segue a Bíblia ao pé da letra - ele gostaria de ver a pena capital forçada para o pecado do adultério, por exemplo. Bray era amigo de Paul Jennings Hill, sentenciado à morte em 2003 por matar um médico que realizara um aborto. Bray defende o ato de Hill, dizendo que ele deve estar se dando muito bem no céu. Dawkins também conversa com Richard Harries, ex-bispo de Oxford, um liberal anglicano mais pragmático. Harries vê as escrituras sagradas como textos que devem ser lidos no contexto da época quando foram escritos, e interpretados pela luz da modernidade. Dawkins pergunta a Harries sobre sua atitude sobre os milagres - ele acredita no nascimento virgem, por exemplo? Não está "no mesmo nível" da ressurreição, diz Harries.

Moral secular[editar | editar código-fonte]

Por fim, Dawkins busca uma explicação para a moral baseada na evolução biológica, que ele considera mais esperançoso do que os textos antigos. Junto com o psicólogo evolucionista Oliver Curry, discute acerca da moral primordial encontrada entre os chimpanzés. Curry assevera que não precisamos de religião alguma para explicar a moral e que ela só é um obstáculo. Uma explicação mais convincente se encontra nos conceitos de altruísmo recíproco e seleção de parentesco.

Depois de uma breve análise dos valores seculares, Dawkins inicia uma discussão sobre a moral com o novelista Ian McEwan. McEwan toma como ponto de partida a mortalidade humana, o que deveria nos guiar naturalmente para uma moral baseada na empatia - uma coisa que ele clama, deveria nos conferir um senso claro de responsabilidade por nossa curta estada na Terra.

Dawkins termina com um argumento que o Ateísmo não é uma receita para o desespero mas justamente o contrário; em vez de ver a vida como um julgamento que deve ser enfrentado antes de atingir um plano místico, um ateísta vê essa vida como tudo que temos, e por negar uma vida após a morte podemos ter mais excitação nesta vida. Ateísmo, Dawkins conclui, é a afirmação da vida de uma maneira que religião nunca poderá ser.

Citações[editar | editar código-fonte]

  • Chegou a hora de todas as pessoas racionais dizerem: já basta. A fé religiosa desencoraja o raciocínio independente, desarmoniza, e é perigosa.
  • Para muitos, parte do processo de amadurecer é aniquilar o vírus da fé com uma boa dose de reflexão racional. Mas se um indivíduo não consegue fazê-lo, sua mente ficará para sempre num estado infantil, e há um enorme perigo de que este indivíduo venha a infectar a próxima geração com este mesmo vírus.
  • O deus do Velho Testamento só pode ser uma das mais desagradáveis personagens de ficção de todos os tempos: egoísta e orgulhoso disto, insignificante, vingativo, injusto, rancoroso, racista, um deus que encoraja seus seguidores à prática do genocídio.
  • O fundamentalismo cristão está em ascensão entre o eleitorado da única superpotência do mundo, incluindo o presidente. Se você acredita em pesquisas, 45 por cento dos estadunidenses, cerca de 135 milhões de pessoas, acreditam que o universo foi criado há menos de 10 mil anos.
  • Nós iremos todos morrer, e é isso que nos torna tão sortudos. A maioria das pessoas nunca morrerá, porque nunca irá sequer nascer.
  • Nós somos todos ateus em relação à maioria dos deuses em que a sociedade já acreditou. Alguns de nós só vão um deus adiante.

Críticas[editar | editar código-fonte]

Richard Dawkins, em artigo publicado no New Statesman,[1] afirmou que a correspondência recebido pelo Channel 4 (emissora responsável pela produção e exibição do documentário) lhe era favorável numa razão de dois para um. Jornalistas, incluindo Howard Jacobson,[2] acusaram Dawkins de dar voz a extremistas, afirmação que Dawkins refutou, asseverando que nenhum dos maiores líderes religiosos do Reino Unido concordaram em participar do documentário. Dawkins também foi criticado pelo teólogo Keith Ward, pela suposta visão simplista acerca das religiões apresentada pelo documentário.[3] Mas uma apreciação veio de Johann Hari para o The Independent "Nós nunca precisamos de Richard Dawkins mais do que agora".

Referências

  1. Richard Dawkins, 2006. "Diary." New Statesman
  2. Howard Jacobson, 2006. "Nothing like an unimaginative scientist to get non-believers running back to God." The Independent.
  3. Keith Ward, 2006. "Faith, hype and a lack of clarity." The Tablet.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]