Thiago Braz

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Thiago Braz
campeão olímpico
Atletismo
Nome completo Thiago Braz da Silva
Modalidade salto com vara
Nascimento 16 de dezembro de 1993 (22 anos)
Marilia, Brasil
Nacionalidade  brasileiro
Compleição Peso: 75 kg Altura: 1,83 cm
Medalhas
Jogos Olímpicos
Ouro Rio 2016 salto com vara
Jogos Olímpicos da Juventude
Prata Cingapura 2010 salto com vara
Campeonato Mundial Júnior
Ouro Barcelona 2012 salto com vara

Thiago Braz da Silva (Marília, 16 de dezembro de 1993) é um atleta e campeão olímpico brasileiro especializado no salto com vara. Atual recordista olímpico, é um dos nove atletas no mundo que saltaram acima dos seis metros de altura. Também é atleta das Forças Armadas e tem a patente de terceiro-sargento da Aeronáutica.[1]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Começou no atletismo aos 14 anos, treinando e competindo pelo Clube dos Bancários de Marília, transferindo-se depois para cidade de Bragança Paulista, meses depois vencendo o Campeonato Brasileiro de Menores e o Juvenil, além do Estadual de Menores e o Estadual Juvenil. Em sua primeira competição internacional, em 2009, foi medalha de bronze do Campeonato Sul-Americano Juvenil, ano em que também foi campeão brasileiro juvenil. Em seguida, começou a competir no Clube de Atletismo BMF&BOVESPA, embora só tenha se tornado contratado da equipe em 2010, dependendo antes do apoio financeiro da campeã mundial da modalidade Fabiana Murer. No mesmo ano, conseguiu seu melhor resultado internacional a medalha de prata nos I Jogos Olímpicos da Juventude em Cingapura.[2] Em 2011, aos 17 anos, foi vice-campeão do Troféu Brasil de Atletismo.[3][4]

Foi campeão mundial júnior no Campeonato Mundial Júnior de Atletismo realizado em julho de 2012 em Barcelona, Espanha. Thiago ganhou a medalha de ouro com a marca de 5m55, novo recorde brasileiro juvenil, conseguida na primeira tentativa. Foi o primeiro título mundial júnior do Brasil desde a vitória de Clodoaldo dos Santos em Lisboa em 1994 na corrida de 20 km, prova não mais existente.[2]

Em agosto de 2013, com um salto de 5,82m, 1 cm a menos que seu recorde sul-americano, superou o campeão mundial Raphael Holzdeppe e conquistou a medalha de ouro no Meeting de Leverkusen, na Alemanha.[5] Em fevereiro de 2016, no torneio indoor Istaf em Berlim, derrotou o campeão olímpico e recordista mundial Renaud Lavillenie vencendo a prova com a marca de 5,93 m, então novo recorde brasileiro e sul-americano.[6]

Rio 2016[editar | editar código-fonte]

A competição nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, os primeiros de sua carreira, incluía o francês Lavillenie, campeão olímpico em Londres 2012, recordista mundial e nº1 do ranking da modalidade, o canadense Shawn Barber, campeão mundial em Pequim 2015, o campeão norte-americano Sam Kendricks e o polonês Piotr Lisek, entre outros. Thiago chegou para a competição sob forte pressão psicológica. Lavillenie já havia se referido a ele como talentoso mas inconstante, sempre com altos e baixos, e suscetível a pressões nas grandes competições[7] – Thiago havia zerado sua prova no Pan de Toronto 2015, ficado apenas em 19º no Mundial de Pequim 2015 e acertado apenas um salto, saindo precocemente da competição, no Campeonato Mundial de Atletismo em Pista Coberta de 2016, em Portland, Estados Unidos, cinco meses antes das Olimpíadas.[8]

Na final no Estádio Olímpico, a marca de 5,75 já tinha retirado da competição vários concorrentes fortes, como Barber, quando o francês a saltou, na primeira tentativa, seu primeiro salto na final da competição. Braz precisou de duas tentativas mas também passou a marca. A marca seguinte, 5,85 m, viu a passagem de apenas três competidores, Braz, Lavillenie – novamente na primeira tentativa – e Kendricks, que ficou por ali.[9]

Em segunda tentativa, Thiago passou a marca de 5,93 m, seu recorde sul-americano e até então melhor marca, também ultrapassada pelo francês de primeira, enquanto o americano, que não a ultrapassou, ficava com a medalha de bronze. A prova agora se resumia a quem entre Braz e Lavillenie ficaria com a medalha de ouro, os dois únicos ainda restantes na competição. O francês, mais experiente e liderando a competição pelo menor número de tentativas para ultrapassar as marcas mesmo sofrendo com as vaias que lhe eram dirigidas pelo público torcedor do brasileiro, ultrapassou a marca seguinte, 5,98 m, novo recorde olímpico e marca nunca atingida antes por Thiago. Sem nada a perder, com ao menos a prata garantida, Braz arriscou tudo e pediu marca mais alta, desistindo de saltar esta altura, fazendo com que ela aumentasse para 6,03 metros. Até então, nunca em Jogos Olímpicos os seis metros haviam sido ultrapassados.[9]

Lavillenie, sob pressão e vaias do público, foi então obrigado a tentar saltar a nova marca, falhando na primeira tentativa, o mesmo acontecendo com Thiago, que saltou em seguida. O francês tentou pela segunda vez falhando novamente, mas até então liderava a competição, pois havia saltado 5,98 m e Braz não. Thiago então correu para a barra e ultrapassou a marca, dez centímetros mais alta do que sua melhor marca até então na carreira, e novo recorde olímpico. Pressionado, e agora em desvantagem, pois havia falhado na altura em duas tentativas enquanto Thiago a tinha superado na segunda, não restou ao francês outra alternativa senão pedir a marca seguinte, 6,08 m, que já havia superado antes e o único do mundo em atividade a fazê-lo, na tentativa de passá-la e obrigar Thiago a dar mais este salto para vencer. Com apenas uma chance, Lavillenie, vaiado pelo público que o pressionava na tentativa de desestabilizá-lo, errou o salto e Thiago Braz tornou-se o primeiro campeão olímpico do atletismo masculino brasileiro desde Joaquim Cruz em Los Angeles 1984.[9]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Thiago foi abandonado pelos pais quando tinha apenas dois anos de idade, sendo desde então criado por seus avós paternos Maria do Carmo e Orlando Braz (aos quais se refere como "pai e mãe")[10] com o apoio de um tio, o ex-atleta Fabiano Braz.[11][12][13] É casado desde 2014 com Ana Paula Oliveira, que também é atleta.[14]

Thiago vem sendo treinado por Vitaly Petrov, o mais respeitado técnico de salto com vara do mundo, que tem no seu currículo o treinamento de Sergei Bubka, Yelena Isinbayeva e Fabiana Murer. A saltadora brasileira é amiga e orienta o atleta desde que ele tem 15 anos de idade.

Principais resultados[editar | editar código-fonte]

Ano Competição Sede Posição Notas
2009 Campeonato Sul-americano Junior Brasil São Paulo 4.40 m
2010 I Jogos Olímpicos da Juventude Singapura Cingapura 5.05 m
Campeonato Sul-americano da Juventude Colômbia Medellín 5.10 m
2011 Campeonato Pan-americano Junior Estados Unidos Miramar 5.20 m
Campeonato Sul-americano Junior Colômbia Medellín 4.85 m
2012 Campeonato Mundial Júnior de Atletismo Espanha Barcelona 5.55 m
2013 Campeonato Sul-Americano de Atletismo Colômbia Cartagena das Índias 5.83 m Recorde sul-americano
Campeonato Mundial de Atletismo Rússia Moscou 14º (q) 5.40 m
Meeting de Leverkusen Alemanha Leverkusen 5,82 m
2016 Meeting Internacional Indoor ISTAF Alemanha Berlim 5.93 m Recorde sul-americano
Rio 2016 Brasil Rio de Janeiro 6,03 m Recorde olímpico, Recorde sul-americano

Referências

  1. «Industria de Defesa & Segurança - RIO2016> Veja as modalidades que os 145 militares vão competir nas Olimpíadas». defesaeseguranca.com.br. 8 de agosto de 2016. Consultado em 16 de agosto de 2016. 
  2. a b «Da Silva is the latest Petrov Pole Vault protégé to win a World title». IAAF. Consultado em 15 de julho de 2012. 
  3. «Thiago Braz». BM&FBOVESPA Atletismo. Consultado em 15 de julho de 2012. 
  4. Thiago Braz ganha 1 kg de ouro e agradece ‘patrocínio’ de Fabiana Murer
  5. «Thiago Braz bate campeão mundial e conquista o ouro no salto com vara». 29 de agosto de 2013. Consultado em 16 de agosto de 2016. 
  6. «Salto com vara: Thiago Braz vence prova em Berlim e estabelece recorde». O Globo. Consultado em 4 de julho de 2016. 
  7. «Campeão olímpico vê Braz irregular e pressionado em grandes competições». globoesporte. Consultado em 29 August 2016. 
  8. «É ouro! Thiago Braz se reinventa no Rio e troca pressão por topo do pódio». globoesporte. Consultado em 29 August 2016. 
  9. a b c «REPORT: MEN'S POLE VAULT FINAL – RIO 2016 OLYMPIC GAMES». IAAF. Consultado em 29 August 2016. 
  10. Redação (16 de agosto de 2016). «Thiago Braz: do abandono ao estrelato mundial». catacralivre.com.br. Consultado em 16 de agosto de 2016. 
  11. «Thiago Braz foi abandonado pelos pais aos 2 anos: "perdoei"». Consultado em 2016-08-17. 
  12. «Abandonado pela mãe, Thiago foi criado pelos avós e teve tio como "mentor" - UOL Olimpíadas». olimpiadas.uol.com.br. Consultado em 2016-08-17. 
  13. «De garoto abandonado pela mãe a herói nacional: ouro de Thiago Braz será 'a imagem' da Rio 2016?». 2016-08-16. Consultado em 2016-08-17. 
  14. Amanda Kestelman e Helena Rebello (13 de agosto de 2016). «Da dor do abandono à luta mental por medalha: conheça Thiago Braz». globoesporte.globo.com. Consultado em 16 de agosto de 2016.