UY Scuti

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UY Scuti
Dados observacionais (J2000)
Constelação Scutum
Asc. reta 18h 27m 36,53s[1]
Declinação −12° 27′ 58,87″[1]
Magnitude aparente 9,0[2] - 11,2[1]
Características
Tipo espectral M4Ia[2]
Cor (U-B) 3,3[2]
Cor (B-V) 2,6[2]
Variabilidade Semirregular (SRc)[3]
Astrometria
Velocidade radial 18,33 ± 0,82 km/s[4]
Mov. próprio (AR) −0,693 ± 0,207 mas/a[4]
Mov. próprio (DEC) −3,033 ± 0,177 mas/a[4]
Paralaxe 0,6433 ± 0,1059 mas[4]
Distância 5100 ± 800 anos-luz
1550 ± 260 pc
Magnitude absoluta −6,8[5]
Detalhes
Massa 7–10[2] M
Raio 755[6] R
Gravidade superficial log g = −0,5 cgs[2]
Luminosidade 86000+52000
−30000
[6] L
Temperatura 3605 ± 170[6] K
Outras denominações
UY Sct, BD-12 5055, 2MASS J18273652-1227589, TYC 5698-5176-1[1]
UY Scuti
Scutum constellation map.png

UY Scuti é uma estrela supergigante vermelha e variável pulsante, de tipo espectral M4. Localizada a aproximadamente 1,6 kiloparsecs[4] (5 100 anos-luz) da Terra na constelação de Scutum, foi anteriormente considerada a possível maior estrela conhecida, com raio de 1 708 ± 192 raios solares (R);[2] estimativas mais recentes, baseadas em uma determinação direta da distância, dão um raio menor de 755 R.[6]

Propriedades[editar | editar código-fonte]

UY Scuti é classificada como uma variável semirregular com um período de pulsação aproximado de 740 dias.[7][8][9]

Tamanho[editar | editar código-fonte]

Em 2012, astrônomos usando o interferômetro AMBER, no Very Large Telescope, mediram os parâmetros de três estrelas supergigantes perto da região do Centro da Via Láctea— UY Scuti, AH Scorpii e KW Sagittarii.[2] Os tamanhos das estrelas foram definidos usando o raio de Rosseland (o local onde a profundidade óptica é 2/3)[10] e adotando distâncias de publicações mais antigas. O diâmetro angular modelado para UY Scuti foi de 5,48 ± 0,10 milissegundos de arco e a distância adotada foi de 2,9 kpc, um valor originalmente estimado em um artigo de 1970 com base no modelamento do espectro da estrela.[5] Esses parâmetros correspondem a um raio estelar de 1708 ± 192 R e uma luminosidade de 340 000 L.[2]

Medições diretas de paralaxe pela sonda Gaia determinaram para UY Scuti uma paralaxe de 0,6433 ± 0,1059 milissegundos de arco, o que corresponde a uma distância bem menor de 1,55 ± 0,26 kpc.[4] Com esse valor de distância, UY Scuti tem um raio de apenas 755 R e uma luminosidade de 86 000 L.[6]

Massa[editar | editar código-fonte]

A massa de UY Scuti também é incerta, principalmente porque não há estrela companheira visível pela qual sua massa possa ser medida por interferência gravitacional. Modelos evolucionários estelares indicam que a posição no diagrama HR de uma supergigante vermelha como UY Scuti é consistente com uma massa inicial (a massa da estrela quando ela se formou) de cerca de 25 M (possivelmente até 40 M☉ para uma estrela sem rotação), e a estrela provavelmente já perdeu mais da metade disso.[2]

Evolução[editar | editar código-fonte]

Com base em modelos atuais de evolução estelar, UY Scuti já começou a fusão de hélio e continua a fusão de hidrogênio em uma casca em torno do núcleo. A localização de UY Scuti dentro do disco da Via Láctea sugere que é uma estrela rica em metal.[11]

UY Scuti deve fundir lítio, carbono, oxigênio, néon e silício em seu núcleo dentro do próximo milhão de anos. Após isto, seu núcleo começará produzir ferro, interrompendo o equilíbrio entre gravidade e radiação em seu núcleo e resultando no colapso do núcleo, uma supernova. Acredita-se que estrelas como UY Scuti evoluam de volta para temperaturas mais quentes para se tornarem uma hipergigante amarela, variável luminosa azul ou estrela Wolf-Rayet, criando um forte vento estelar que ejetará suas camadas externas e exporá o núcleo, antes de explodir como uma supernova tipo Ib/Ic.[12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d «V* UY Sct -- Red supergiant star». SIMBAD. Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Consultado em 10 de junho de 2018 
  2. a b c d e f g h i j Arroyo-Torres, B.; Wittkowski, M.; Marcaide, J. M.; Hauschildt, P. H. (junho de 2013). «The atmospheric structure and fundamental parameters of the red supergiants AH Scorpii, UY Scuti, and KW Sagittarii». Astronomy & Astrophysics. 554: A76, 10. Bibcode:2013A&A...554A..76A. arXiv:1305.6179Acessível livremente. doi:10.1051/0004-6361/201220920 
  3. Samus, N. N.; Kazarovets, E. V.; Durlevich, O. V.; Kireeva, N. N.; Pastukhova, E. N. (janeiro de 2009). «VizieR Online Data Catalog: General Catalogue of Variable Stars (Samus+, 2007-2017)». VizieR On-line Data Catalog: B/gcvs. Bibcode:2009yCat....102025S 
  4. a b c d e f Gaia Collaboration: Brown, A. G. A.; Vallenari, A.; Prusti, T.; de Bruijne, J. H. J.; et al. (2018). «Gaia Data Release 2. Summary of the contents and survey properties». Astronomy & Astrophysics. 616: A1, 22 pp. Bibcode:2018A&A...616A...1G. arXiv:1804.09365Acessível livremente. doi:10.1051/0004-6361/201833051.  Catálogo Vizier
  5. a b Lee, T. A. (outubro de 1970). «Photometry of high-luminosity M-type stars». Astrophysical Journal. 162. 217 páginas. Bibcode:1970ApJ...162..217L. doi:10.1086/150648 
  6. a b c d e Messineo, M.; Brown, A. G. A. (julho de 2019). «A Catalog of Known Galactic K-M Stars of Class I Candidate Red Supergiants in Gaia DR2». The Astronomical Journal. 158 (1): artigo 20, 15 pp. Bibcode:2019AJ....158...20M. arXiv:1905.03744Acessível livremente. doi:10.3847/1538-3881/ab1cbd 
  7. Kholopov, P. N.; Samus, N. N.; Kazarovets, E. V.; Perova, N. B. (1985). «The 67th Name-List of Variable Stars». Information Bulletin on Variable Stars. 2681: 1. Bibcode:1985IBVS.2681....1K 
  8. Whiting, Wendy A. (1978). «Observations of Three Variable Stars in Scutum». The Journal of the American Association of Variable Star Observers. 7. 71 páginas. Bibcode:1978JAVSO...7...71W 
  9. Jura, M.; Kleinmann, S. G. (1990). «Mass-losing M supergiants in the solar neighborhood». The Astrophysical Journal Supplement Series. 73. 769 páginas. Bibcode:1990ApJS...73..769J. doi:10.1086/191488 
  10. Wehrse, R.; Scholz, M.; Baschek, B. (junho de 1991). «The parameters R and Teff in stellar models and observations». Astronomy and Astrophysics. 246 (2): 374–382. Bibcode:1991A&A...246..374B 
  11. Israelian, edited by Garik; Meynet, Georges (2008). The metal-rich universe. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 9780521879989. Consultado em 15 de janeiro de 2016 
  12. Groh, Jose H.; Meynet, Georges; Georgy, Cyril; Ekström, Sylvia (2013). «Fundamental properties of core-collapse supernova and GRB progenitors: Predicting the look of massive stars before death». Astronomy & Astrophysics. 558: A131. Bibcode:2013A&A...558A.131G. arXiv:1308.4681Acessível livremente. doi:10.1051/0004-6361/201321906 

Coordenadas: Sky map 18h 27m 36.53s, −12° 27′ 58.9″