Yamato (couraçado)

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Yamato
Yamato during Trial Service.jpg
Carreira  Japão
Operador Marinha Imperial Japonesa
Fabricante Arsenal Naval de Kure, Kure
Homônimo Província de Yamato
Data de encomenda março de 1937
Batimento de quilha 4 de novembro de 1937
Lançamento 8 de agosto de 1940
Comissionamento 16 de dezembro de 1941
Estado Naufragado
Fatalidade Afundado em batalha no
dia 7 de abril de 1945
Características gerais
Tipo de navio Couraçado
Classe Yamato
Deslocamento 71 659 t
Maquinário 12 caldeiras
4 turbinas a vapor
Comprimento 263 m
Boca 38,9 m
Calado 11 m
Propulsão 4 hélices triplas
- 150 000 hp (112 000 kW)
Velocidade 27 nós (50 km/h)
Autonomia 7 200 milhas náuticas a 16 nós
(13 300 km a 30 km/h)
Blindagem Cinturão: 410 mm
Conveses: 200 a 230 mm
Torres de artilharia: 250 a 650 mm
Barbetas: 380 a 560 mm
Anteparas: 300 a 340 mm
Armamento 1941:
9 canhões Tipo 94 de 460 mm
12 canhões Tipo 3º Ano de 155 mm
12 canhões antiaéreos Tipo 89 de 127 mm
24 canhões automáticos Tipo 96 de 25 mm
4 metralhadoras pesadas M1929 de 132 mm


1945:
9 canhões Tipo 94 de 460 mm
6 canhões Tipo 3º Ano de 155 mm
24 canhões antiaéreos Tipo 89 de 127 mm
162 canhões automáticos Tipo 96 de 25 mm
4 metralhadoras pesadas M1929 de 132 mm
Aeronaves 7 hidroaviões
(Nakajima E8N ou Nakajima E4N)
Tripulação 2500–2800

O Yamato (大和?) foi um navio couraçado operado pela Marinha Imperial Japonesa na Segunda Guerra Mundial e construído pelos estaleiros do Arsenal Naval de Kure. Foi a primeira embarcação da Classe Yamato, sendo junto com seu irmão Musashi os mais pesados e poderosos navios de guerra já construídos na história da humanidade.

Nomeado em homenagem à província de Yamato, ele foi projetado para combater a frota de couraçados numericamente superior da Marinha dos Estados Unidos, o principal rival do Império do Japão no oceano Pacífico. A construção do Yamato começou em novembro de 1937 e ele foi formalmente comissionado uma semana depois do Ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941. A embarcação serviu como nau-capitânia da Frota Combinada pelo ano de 1942, com o almirante Isoroku Yamamoto comandando a frota de sua ponte durante a desastrosa Batalha de Midway. O Musashi assumiu a liderança no início do ano seguinte e o Yamato passou 1943 e boa parte de 1944 movendo-se entre as bases Truk e Kure, principalmente respondendo a ameaças norte-americanas. O navio esteve presente na Batalha do Mar das Filipinas em junho de 1944, porém não participou do embate.

A única vez que o Yamato disparou seus canhões principais contra alvos inimigos foi em outubro de 1944, quando foi enviado para enfrentar forças norte-americanas invadindo as Filipinas na Batalha do Golfo de Leyte. As embarcações japonesas acabaram recuando bem quando estavam à beira da vitória, acreditando na verdade estarem enfrentando uma frota inteira de porta-aviões ao invés dos pequenos porta-aviões de escolta que eram a única coisa que separava os couraçados dos navios de tropas.

O equilíbrio de poder no Pacífico ficou definitivamente contra os japoneses ao longo de 1944, com a frota estando assolada no início do ano seguinte pela falta de suprimentos e combustível. O Yamato foi enviado para Okinawa em abril de 1945 em uma tentativa desesperada de conter o avanço norte-americano, recebendo ordens para proteger a ilha até a morte. Submarinos e aeronaves inimigas avistaram a força tarefa ao sul de Kyushu, com o couraçado sendo afundado por bombardeiros e torpedeiros junto com a maior parte de sua tripulação.

Projeto e construção[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Classe Yamato

O governo japonês adotou uma militância ultranacionalista durante a década de 1930 com o objetivo de expandir o Império do Japão.[1] O país saiu da Liga das Nações em 1934 e renunciou suas obrigações ao tratado.[2] A Marinha Imperial Japonesa começou a planejar os novos couraçados da Classe Yamato logo depois do Japão ter abandonado o Tratado Naval de Washington de 1922, que limitava o tamanho e poder de seus navios de guerra. Os planejadores reconheceram que o país seria incapaz de competir com o número de embarcações que os estaleiros dos Estados Unidos produziam caso uma guerra começasse, então os navios de setenta mil toneladas[3] da Classe Yamato foram projetados para serem capazes de enfrentar vários outros couraçados inimigos ao mesmo tempo.[4]

A quilha do Yamato foi batida nos estaleiros do Arsenal Naval de Kure, Kure, em 4 de novembro de 1937 dentro de uma doca seca que havia sido adaptada para especialmente acomodar seu casco enorme.[5] [6] A doca foi aprofundada em um metro e guindastes capazes de levantar 350 tonelada foram instalados.[5] [7] Sigilo extremo foi mantido durante toda construção,[5] com até mesmo um dossel sendo erguido sobre parte da rampa de lançamento para bloquear a visão do navio.[8] O Yamato foi lançado em 8 de agosto de 1940 com o capitão Miyazato Shutoku no comando.[9] Grande esforços foram tomados no Japão para impedir que oficiais de inteligência norte-americanos descobrissem sobre sua existência e especificações.[5]

Armamentos[editar | editar código-fonte]

O Yamato no final de sua equipagem, 20 de setembro de 1941.[10]

A bateria principal do Yamato consistia em nove canhões navais Tipo 94 de 460 mm calibre 45 – o maior calibre de artilharia naval já instalado em um navio de guerra na história,[11] apesar dos projéteis não eram tão pesados quanto aqueles usados pelos canhões britânicos de 460 mm na Primeira Guerra Mundial. Cada canhão tinha 21,13 m de comprimento, pesava 147,3 t e era capaz de disparar balas explosivas ou anti-blindagem há 42 km de distância.[12] Sua bateria secundária era formada por doze canhões de 155 mm montados em quatro torres triplas (uma na proa, uma na popa e duas a meia-nau) e doze canhões antiaéreos de 127 mm instalados em seis torres duplas (três em cada lado a meia-nau). Estas torres tinham sido retiradas dos cruzadores da Classe Mogami, que estavam sendo convertidos para possuir uma bateria principal de 203 mm. Além disso, o Yamato carregava 24 canhões automáticos antiaéreos de 25 mm montados principalmente a meia-nau.[11] O navio passou por reformas em 1944 e 1945 para confrontos navais no Sul do Pacífico,[13] com a configuração da bateria secundária sendo alterada para seis canhões de 155 mm, 24 canhões de 127 mm e 162 canhões automáticos de 25 mm.[14]

História[editar | editar código-fonte]

Operações iniciais[editar | editar código-fonte]

O Yamato em seus testes marítimos, 1941.

O Yamato passou por seus testes marítimos em outubro ou novembro de 1941,[nota 1] alcançando uma velocidade máxima de 27,6 nós (50,7 km/h). Prioridade foi dada para a aceleração da construção militar enquanto a guerra se aproximava. O navio foi formalmente comissionado meses antes do esperado durante uma cerimônia mais austera do que o normal no dia 16 de dezembro, pouco mais de uma semana depois do Ataque a Pearl Harbor e a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, já que japoneses ainda queriam esconder as características da embarcação.[9] No mesmo dia, o capitão Gihachi Takayanagi assumiu o comando e o Yamato juntou-se a 1º Divisão de Couraçados ao lado do Nagato e do Mutsu.[16]

O navio tornou-se em 12 de fevereiro de 1942 a nau-capitânia da Frota Combinada liderada pelo almirante Isoroku Yamamoto.[9] [15] Ele era um veterano da Batalha de Tsushima na Guerra Russo-Japonesa e também o principal responsável pelo planejamento do Ataque a Pearl Harbor, desejando um confronto decisivo contra os Estados Unidos no Atol Midway. O Yamato participou de alguns jogos de guerra e então partiu para a Baía de Hiroshima em 27 de maio junto com o grupo de couraçados de Yamamoto.[9] [17] Decifradores norte-americanos estavam cientes das intenções do almirante e a subsequente Batalha de Midway entre 3 e 7 junho mostrou-se desastrosa para a força de porta-aviões japoneses, com 4 navios e 332 aeronaves destruídas.[9] Yamamoto exerceu o comando geral das forças a partir da ponte de comando do Yamato,[17] porém seu plano havia dispersado seus navios a fim de atrair os norte-americanos para uma armadilha, com o grupo de couraçados estando muito distante para poder participar da batalha.[9] O almirante emitiu ordens no dia 5 para que as embarcações restantes voltassem para o Japão, assim o Yamato recuou até a Ilha de Hashira antes de voltar para Kure.[15] [16]

Ele partiu para Truk em 17 de agosto de 1942.[18] [nota 2] O Yamato passou onze dias no mar até ser avistado pelo submarino norte-americano USS Flying Fish, que disparou quatro torpedos (todos erraram o alvo). O navio chegou em segurança em Truk mais tarde no mesmo dia.[15] [18] [nota 3] Ele permaneceu no local durante toda a Batalha de Guadalcanal por causa da falta de munição de 460 mm adequada para bombardeamento, pelos mares não mapeados de Guadalcanal e também por seu alto consumo de combustível.[9] [13] Ao final do ano, o capitão Chiaki Matsuda assumiu o comando da embarcação.[18]

O Yamato e o Musashi em Truk, 1943.

O Yamato foi substituído por seu irmão Musashi como nau-capitânia da Frota Combinada em 11 de fevereiro de 1943.[9] O navio foi apelidado de "Hotel Yamato" pelas tripulações japonesas de cruzadores e contratorpedeiros no Pacífico Sul,[18] pois passou apenas um dia longe de Truk desde sua chegada em agosto de 1942 até finalmente partir em 8 de maio de 1943. Neste dia ele viajou para Yokosuka e depois até Kure, chegando em 14 de maio.[9] [19] O navio passou os nove dias seguintes em uma doca seca para inspeções e reparos gerais, navegando ao Mar Interior de Seto a fim de novamente ficar em uma doca seca até julho para reequipagens e melhoras. O Yamato começou sua volta para Truk em 16 de agosto, juntando-se a uma grande força tarefa formada em resposta aos ataques norte-americanos contra os atols de Tarawa e Makin.[18] Ele partiu no final de setembro para atacar a norte-americana Força Tarefa 15 junto com o Nagato, três porta-aviões e outros navios de guerra menores, e novamente um mês depois desta vez com seis couraçados, três porta-aviões e onze cruzadores. A inteligência tinha relatado que a base de Pearl Harbor estava quase completamente vazia, com os japoneses interpretando isso como um sinal de que a força norte-americana iria atacar a Ilha Wake. Como não houve contato no radar ao longo de seis dias, a frota voltou para Truk, chegando em 26 de outubro.[9]

O navio escoltou a Operação de Transporte BO-1 de Truk até Yokosuka entre 12 e 17 de dezembro.[19] Pouco depois, o Yamato e o Musashi foram colocados em serviço como embarcações de transporte devido a sua grande capacidade de armazenamento e grossa blindagem.[20] O Yamato e seu grupo foram interceptados pelo submarino norte-americano USS Skate em 25 de dezembro enquanto transportava tropas e equipamentos – necessitados como reforços para as guarnições em Kavieng e nas Ilhas do Almirantado – de Yokosuka para Truk.[9] [21] O submarino disparou quatro torpedos no couraçado; um deles acertou o lado estibordo mais para popa.[9] Seu casco foi aberto cinco metros abaixo da protuberância anti-torpedos por um buraco de aproximadamente 25 metros, com uma junta falhando entre os cinturões superior e inferior de blindagem, inundando uma das reservas de munições da torre de artilharia traseira.[10] Por volta de três mil toneladas de água entraram no Yamato,[10] [21] porém ele conseguiu chegar em Truk no dia seguinte. O navio de reparos Akashi realizou concertos temporários[18] e a embarcação partiu para Kure em 10 de janeiro.[21]

O Yamato chegou em Kure em 16 de janeiro de 1944 para reparar os danos causados pelo torpedo, permanecendo na doca seca até 3 de fevereiro.[18] Nesse período, uma blindagem angulada em 45° foi instalada na área danificada do casco. Foi proposto utilizar mais de cinco mil toneladas de aço para melhorar as defesas do navio contra inundações causadas por impactos de torpedos fora da cidadela blindada, porém isso foi rejeitado devido ao peso adicional que teria aumentando muito seu deslocamento e calado.[10] O capitão Nobuei Morishita, ex-oficial comandante do couraçado Haruna, assumiu o comando do Yamato enquanto ele ainda estava na doca. O navio junto com seu irmão Musashi foram transferidos para a 1ª Divisão de Couraçados da Segunda Frota em 25 de fevereiro.[18]

Desenho da configuração do Yamato em 1944 e 1945.

O navio novamente foi para a doca seca em 25 de fevereiro para mais melhorias em todos os seus radares e nos sistemas antiaéreos.[18] Metade das torres triplas com canhões de 155 mm foram retiradas e substituídas por três pares de canhões antiaéreos duplos de 127 mm. Além disso, oito canhões automáticos triplos e 26 duplos de 25 mm foram adicionados, aumentando o total de canhões de 127 mm e 25 mm para 24 e 162, respectivamente.[14] Abrigos também foram colocados no convés superior para proteger as tripulações de defesa antiaéreas adicionais. Dois radares de procura/controle de fogo, um Tipo 13 e outro Tipo 22, foram instalados, com o mastro principal também sendo modificado. Além disso, seus radares foram melhorados para incluir sistemas de identificação infravermelho e também outros radares de procura área e controle de fogo.[18] O Yamato deixou a doca em 18 de março e passou por vários testes a partir de 11 de abril.[21] Ele seguiu para Kure dez dias depois e embarcou soldados suprimentos em Okinoshima para uma missão em Manila, alcançando as Filipinas em 28 de abril.[10] A embarcação então foi para a Malásia a fim de encontrar a Frota Móvel do vice-almirante Jisaburō Ozawa em Ligga; esta força chegou em Tawi-Tawi no dia 14 de maio.[18]

Batalha do Mar das Filipinas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha do Mar das Filipinas

O Yamato e o Musashi foram requisitados em junho novamente para servirem como transporte de tropas, desta vez a fim de reforçar a guarnição de defesas navais perto da ilha de Biak, parte da Operação Kon.[20] [22] A missão foi cancelada quando o quartel-general de Ozawa recebeu notícias de ataques de porta-aviões norte-americanos nas Ilhas Marianas.[20] Ao invés disso, a Marinha Imperial Japonesa se reorganizou, concentrando a maior parte da sua força restante na esperança de alcançar um sucesso definitivo contra os Estados Unidos. Entretanto, nessa altura a marinha japonesa estava em experiência e números inferiores do que a marinha inimiga.[22] O Yamato escoltou a Frota Móvel entre 19 e 23 de junho de 1944 durante a Batalha do Mar das Filipinas, apelidada pelos pilotos norte-americanos como "O Grande Tiro aos Patos das Marianas".[22] [23] O Japão acabou perdendo três porta-aviões e 426 aeronaves,[22] com a única contribuição significante do Yamato foi disparar por engano contra um avião japonês.[18]

O Yamato retirou-se da Frota Móvel depois da batalha para a área de Hashira perto de Kure a fim de reabastecer e se rearmar. Ele deixou a frota junto com o Musashi em 24 de junho para uma rápida jornada a Kure, onde recebeu mais quinze canhões automáticos de 25 mm. Aproveitou-se a oportunidade para colocar em prática "procedimentos emergenciais de manutenção da flutuação". Estes resultaram na retirada de praticamente todos os itens inflamáveis do couraçado, incluindo linóleo, roupas de cama e colchões. No lugar desta última, os tripulantes dormiam em pranchas que também poderiam ser utilizadas para concertar danos. Pinturas inflamáveis receberam uma camada de silicone, com bombas d'água e equipamentos de combate a incêndio adicionais sendo instalados. O navio deixou o Japão em 8 de julho indo para o sul, acompanhado dos couraçados Musashi, Kongō e Nagato, e também onze cruzadores e contratorpedeiros. O Yamato e o Musashi foram para as Ilhas Lingga, chegando entre 16 e 17 de julho. Nessa altura da guerra, o Japão tinha perdido boa parte da sua frota de navios tanques para os submarinos norte-americanos, com grandes frotas ficando estacionadas nas Índias Orientais para servirem como fonte de combustível. Os dois couraçados permaneceram nas ilhas pelos próximos três meses.[22]

Batalha do Golfo de Leyte[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha do Golfo de Leyte
O Yamato atingido por uma bomba na Batalha do Mar de Sibuyan em 24 de outubro de 1944; o impacto não produziu grandes danos.

O Yamato participou como parte da Força Central do almirante Takeo Kurita em um dos maiores confrontos navais de toda a história: a Batalha do Golfo de Leyte entre 22 e 26 de outubro de 1944.[24] A Operação Shō-Gō se iniciou como resposta à invasão dos Estados Unidos das Filipinas, convocando grandes grupos para convergir na ilha de Leyte, onde as tropas norte-americanas tinham desembarcado. O navio recebeu em 18 de outubro um revestimento de camuflagem negra em preparação de sua travessia noturna para o Estreito de San Bernardino; o principal ingrediente era fuligem retirada de sua própria chaminé.[18] A força foi atacada no caminho para Leyte em 23 de outubro na Passagem de Palawan pelos submarinos USS Darter e USS Dace, que conseguiram afundar os cruzadores pesados Atago e Maya, além de danificar o Takao.[25] Kurita estava a bordo do Atago, mas conseguiu sobreviver e transferiu seu estandarte para o Yamato.[18]

Mar de Sibuyan[editar | editar código-fonte]

A Força Central sofreu grandes perdas no dia seguinte durante Batalha do Mar de Sibuyan, com outros três cruzadores pesados sendo afundados, eliminando uma parte substancial da defesa antiaérea da frota. Ao longo do dia, aeronaves norte-americanas decolaram 259 vezes dos porta-aviões. Uma aeronave do USS Essex atingiu o Yamato com duas bombas perfuradoras de blindagem e quase acertou uma terceira; o navio sofreu danos moderados que permitiram a entrada de 3320 toneladas de água, porém ele mesmo assim permaneceu apto para o combate.[26] Entretanto, seu irmão Musashi tornou-se o foco dos ataques norte-americanos e eventualmente afundou depois de ser atingido por pelo menos dezessete bombas e dezenove torpedos.[27]

Samar[editar | editar código-fonte]

O Yamato na Batalha de Samar, 25 de outubro de 1944.

Sem que Kurita ficasse sabendo, a principal força defensiva norte-americana do almirante William Halsey partiu de Leyte na tarde do dia 24 de outubro. Este estava convencido que as forças do almirante japonês haviam recuado, pegando sua poderosa 3ª Frota para perseguir a Força Japonesa do Norte, um grupo de distração composto pelo porta-aviões Zuikaku, três cruzadores rápidos, dois híbridos couraçados-porta-aviões, além de suas escoltas.[25] A distração foi um sucesso, afastando cinco porta-aviões e cinco cruzadores rápidos com mais de seiscentas aeronaves, seis couraçados, oito cruzadores e mais de quarenta contratorpedeiros. A força de Kurita navegou pela madrugada através do Estreito de San Bernadino e pouco depois ao alvorecer, na Batalha de Samar, atacou a formação norte-americana que tinha permanecido na área a fim de prover apoio às tropas invasoras. Este grupo era conhecido como "Taffy 3" e era formado por seis porta-aviões de escolta, três contratorpedeiros e quatro contratorpedeiros de escolta.[28]

Durante os estágios iniciais desta batalha, o Yamato combateu inimigos de superfície pela primeira e única vez em toda sua carreira, atingindo vários navios norte-americanos.[28] [29] Os rastros de quatro torpedos foram avistados depois do couraçado confirmar acertos de sua bateria principal no porta-aviões de escolta USS Gambier Bay, forçando o Yamato a se afastar do conflito a fim de se desviar e consequentemente ficando de fora do restante da batalha.[25] Apesar de estarem sob fogo pesado e armados apenas com torpedos e canhões de pequeno calibre, as embarcações da Taffy 3, com o apoio de aviões Grumman F4F Wildcat e Grumman TBF Avenger,[30] lutaram tão ferozmente que Kurita acreditou que sua frota estava enfrentando uma força tarefa completa de porta-aviões. Um relatório incorreto afirmou que estavam combatendo seis porta-aviões, três cruzadores e dois contratorpedeiros, algo que fez o almirante ordenar que seus navios parassem de atirar e fugissem. O Yamato saiu do combate sem danos sérios; foram sofridos apenas três quase acertos de bombas e dezessete mortos metralhados pelos aviões durante a própria batalha, enquanto na retirada ataques dos porta-aviões causaram danos leves e feriram ou mataram 21 tripulantes. Outros três cruzadores pesados e um cruzador rápido foram perdidos. A Força Central conseguiu afundar um porta-aviões de escolta, dois contratorpedeiros e um contratorpedeiro de escolta. Um outro port-aviões afundou devido a um ataque de kamikaze após o confronto de superfície.[25]

Os restos da força de Kurita voltaram para Brunei após os confrontos.[31] A 1ª Divisão de Couraçados foi desfeita em 15 de novembro de 1944 e o Yamato tornou-se a capitânia da Segunda Frota.[18] Enquanto passava em 21 de novembro pelo Mar da China Oriental indo para o Arsenal Naval de Kure,[32] o grupo de navios foi atacado pelo submarino USS Sealion. O couraçado Kongō e o contratorpedeiro Urakaze foram afundados.[33] Ao chegar o Yamato foi colocado em uma doca seca para reparos e melhorias nas suas armas antiaéreas, com vários de seus antigos canhões sendo substituídos. O capitão Kōsaku Aruga assumiu o comando da embarcação em 25 de novembro.[18]

Operação Ten-Go[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Operação Ten-Go
O Yamato sendo atacado perto de Kure, 19 de março de 1945.

O Yamato, Haruna e Nagato foram transferidos em 1 de janeiro de 1945 para a recém restabelecida 1ª Divisão de Couraçados. O Yamato deixou a doca seca dois dias depois e foi para o Mar Interior de Seto.[18] Essa redesignação foi breve e a divisão foi novamente desfeita em 10 de fevereiro, com o navio sendo enviado para a 1ª Divisão de Porta-Aviões.[34] Em 19 de março, os porta-aviões norte-americanos USS Enterprise, USS Yorktown e USS Intrepid atacaram Kure.[34] [35] Apesar de dezesseis navios de guerra terem sido atingidos, o Yamato sofreu apenas danos leves vindos de quase acertos e uma bomba que acertou sua ponte.[29] Um esquadrão de aeronaves Kawanishi N1K pilotados por instrutores veteranos interveio e impediu que o ataque causasse mais danos à base e as embarcações,[35] [nota 4] enquanto a habilidade do Yamato de manobrar no Canal de Nasami mostrou-se beneficial.[29]

Os oficiais do Yamato antes do começo da Operação Ten-Go, 5 de abril de 1945.

Os aliados invadiram Okinawa em 1 de abril como o último paço antes da planejada invasão do arquipélago japonês.[36] A resposta da Marinha Imperial Japonesa foi organizar uma missão chamada de Operação Ten-Go ("Operação Céu Um") que reuniria grande parte das forças de superfície ainda restantes. O Yamato e nove escoltas (o cruzador leve Yahagi e oito contratorpedeiros) partiriam para Okinawa e, junto com unidades baseadas na própria ilha e unidades kamikaze, atacariam as forças aliadas reunidas ali perto. O Yamato em seguida seria encalhado em uma praia a fim de atuar como uma plataforma de canhões inafundável e continuaria a lutar até ser destruído.[37] [38] O couraçado recebeu um estoque total de munição em 29 de março como preparação para a operação.[18] Os navios originalmente carregariam combustível suficiente apenas para a viagem de ida até Okinawa, porém os comandantes locais da base ordenaram suprimentos adicionais de até sessenta por cento das capacidades dos tanques. As embarcações foram chamadas de "Força de Ataque Especial de Superfície" e deixaram Tokuyama às 15h20min do dia 6 de abril.[37] [38]

Infelizmente para os japoneses, os aliados interceptaram e decodificaram suas transmissões de rádio, descobrindo detalhes sobre a Operação Ten-Go. Mais confirmações sobre as intenções do Japão vieram às 20h00min quando a Força de Ataque Especial de Superfície foi avistada pelos submarinos USS Threadfin e USS Hackleback enquanto passavam pelo Canal de Bungo. Ambos relataram a posição do Yamato para a principal força de porta-aviões dos Estados Unidos,[13] [38] porém nenhum dos dois conseguiu atacar devido a velocidade das embarcações japonesas e suas extremas manobras em zigue-zague.[38]

Notas

  1. Há discordâncias sobre os meses e não se sabe as específicas. Garzke e Dulin afirmam que foi durante o mês de outubro,[9] enquanto Whitley diz que ocorreram em novembro.[15]
  2. Whitley afirma que o Yamato partiu seis dias antes, em 11 de agosto.[15]
  3. Garzke e Dulin dizem que o Yamato entrou em Truk no dia 29 de agosto.[9]
  4. Esse esquadrão de caças foi comandado por Minoru Genda, um dos homens que planejou o ataque a Pearl Harbor. Os aviões tinham uma performance superior ou igual aos Grumman F6F Hellcat, surpreendendo os atacantes e conseguindo derrubar várias aeronaves norte-americanas.[35]

Referências

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  7. Garzke & Dulin 1985, p. 53
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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