A Cigarra e a Formiga
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A cigarra e a formiga (ilustração de Gustave Doré)
A Cigarra e a Formiga é uma das fábulas atribuídas a Esopo e recontada por Jean de La Fontaine.
- Tendo a cigarra cantado durante o verão,
- Apavorou-se com o frio da próxima estação.
- Sem mosca ou verme para se alimentar,
- Com fome, foi ver a formiga, sua vizinha,
- pedindo-lhe alguns grãos para aguentar
- Até vir uma época mais quentinha!
- - "Eu lhe pagarei", disse ela,
- - "Antes do verão, palavra de animal,
- Os juros e também o capital."
- A formiga não gosta de emprestar,
- É esse um de seus defeitos.
- "O que você fazia no calor de outrora?"
- Perguntou-lhe ela com certa esperteza.
- - "Noite e dia, eu cantava no meu posto,
- Sem querer dar-lhe desgosto."
- - "Você cantava? Que beleza!
- Pois, então, dance agora!"
[editar] Tradução de Bocage
- Tendo a cigarra em cantigas
- Passado todo o verão
- Achou-se em penúria extrema
- Na tormentosa estação.
- Não lhe restando migalha
- Que trincasse, a tagarela
- Foi valer-se da formiga,
- Que morava perto dela.
- Rogou-lhe que lhe emprestasse,
- Pois tinha riqueza e brilho,
- Algum grão com que manter-se
- Até voltar o aceso estio.
- - "Amiga", diz a cigarra,
- - "Prometo, à fé d'animal,
- Pagar-vos antes d'agosto
- Os juros e o principal."
- A formiga nunca empresta,
- Nunca dá, por isso junta.
- - "No verão em que lidavas?"
- À pedinte ela pergunta.
- Responde a outra: - "Eu cantava
- Noite e dia, a toda a hora."
- - "Oh! bravo!", torna a formiga.
- - "Cantavas? Pois dança agora!"