Barreira hematoencefálica
Barreira hematoencefálica (BHE) é uma estrutura membrânica que atua principalmente para proteger o Sistema Nervoso Central (SNC) de substâncias químicas presentes no sangue, permitindo ao mesmo tempo a função metabólica normal do cérebro. É composto de células endoteliais, que são agrupadas muito unidas nos capilares cerebrais. Esta densidade aumentada restringe muito a passagem de substâncias a partir da corrente sanguínea, muito mais do que as células endoteliais presentes em qualquer lugar do corpo.
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História [editar]
Há mais de 100 anos, foi descoberto que se uma tinta azul fosse injetada na corrente sanguínea de um animal, todos os tecidos do corpo, exceto o SNC, se tornavam azuis. Para explicar este fenômeno, pesquisadores imaginaram que existia uma barreira que foi chamada de Hemato-Encefálica, que evita a entrada de algumas substâncias no cérebro. Recentemente cientistas descobriram muitas informações adicionais sobre a estrutura e função da BHE. A russa Lina Stern foi pioneira na pesquisas sobre a barreira hematoencefálica; e seus conhecimentos foram utilizados na Segunda Guerra Mundial, salvando milhares de vidas nas batalhas.
Informações [editar]
A BHE é semi-permeável, ou seja, ela permite que algumas substâncias atravessem e outras não. Os capilares (vasos sanguíneos muito finos), ficam alinhados às células endoteliais. O tecido endotelial tem pequenos espaços entre cada célula para que substâncias possam se mover de uma lado para o outro, entrando e saindo dos capilares. Porém, no cérebro, as células endoteliais são posicionadas de uma maneira que apenas as menores substâncias possam entrar no Sistema Nervoso Central. Moléculas maiores como a glicose só podem entrar através de mecanismos especiais, específicos para cada molécula.
Fisiologia [editar]
- Proteger o cérebro de "substâncias estranhas" que possam estar presente no sangue e danificar o cérebro.
- Proteger o cérebro contra hormônios e neurotransmissores que possam estar circulando pelo corpo.
- Mantém um ambiente químico protegido e constante para o bom funcionamento do cérebro.
Propriedades gerais [editar]
- Moléculas grandes não passam pela BHE facilmente.
- Moléculas que têm uma carga elétrica muito grande associada a elas têm a sua passagem dificultada.
Doenças relacionadas à barreira hematoencefálica [editar]
Meningite [editar]
Meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal (estas membranas são conhecidas como meninges). Meningite é causada principalmente por infecções com vários agentes patogênicos, como por exemplo a Streptococcus pneumoniae e a Haemophilus influenzae. Quando as meninges estão inflamadas, a barreira hematoencifálica pode ser rompida. Este rompimento pode aumentar a penetração de várias substâncias (incluindo toxinas e antibióticos) dentro do cérebro. Antibióticos usados para tratar meningite podem agravar a resposta inflamatória do sistema nervoso central liberando neurotoxinas das paredes celulares de bactérias - como lipopolissacarídeo (LPS).1
Esclerose múltipla [editar]
Esclerose múltipla (EM) é considerada uma doença auto-imune e neurodegenerativa na qual o sistema imunológico ataca a mielina que protege e isola eletricamente os neurônios do sistema nervoso central e periférico. Normalmente, o sistema nervoso de uma pessoa seria inacessível aos glóbulos brancos devido à barreira hematoencefálica. blood–brain barrier. No entanto, imagens de ressonância magnética mostraram que quando uma pessoa está passando por um "ataque" de esclerose múltipla, a barreira hematoencefálica é quebrada em uma seção do cérebro ou da medula espinhal, permitindo que os glóbulos brancos chamados linfócitos T atravessem e ataquem a mielina. É por vezes sugerido que, em vez de ser uma doença do sistema imunológico, a EM é uma doença da barreira hematoencefálica. 2 Um estudo recente sugere que o enfraquecimento da barreira hematoencefálica é o resultado de uma perturbação nas células endoteliais no interior do vaso sanguíneo, devido à falha na produção da proteína P-glicoproteína. Existem investigações ativas atualmente para tratamentos relacionados à barreira hematoencefálica. Acredita-se que o estresse oxidativo desempenha um papel importante na ruptura da barreira. Anti-oxidantes tais como o ácido lipóico podem ser capazem de estabilizar um enfraquecimento da barreira hematoencefálica. 3
Doença de Alzheimer [editar]
Algumas evidências indicam 4 que a ruptura da barreira hematoencefálica em pacientes com doença de Alzheimer permite que plasma sanguíneo contendo beta-amilóide (Aß) entre no cérebro, onde o Aß adere preferencialmente à superfície de astrócitos.
Outras doenças [editar]
- Hipertensão: Uma grande pressão arterial pode quebrar a BHE
- Desenvolvimento: a BHE não está totalmente formada em recém-nascidos
- Hiperosmolaridade: Se uma substância estiver presente em grandes concentrações no sangue, ela pode conseguir entrar "à força" pela BHE
- Microondas: Exposição à microondas pode quebrar a BHE
- Radiação: Exposição à radiação pode quebrar a BHE
- Infecção: Agentes infecciosos podem abrir a BHE
- Trauma, isquemia, inflamação e principalmente lesões cerebrais como as causadas pela esclerose múltipla.
Referências [editar]
- ↑ Beam, TR Jr.; Allen, JC. (December 1977). "Blood, Brain, and Cerebrospinal Fluid Concentrations of Several Antibiotics in Rabbits with Intact and Inflamed Meninges". Antimicrobial agents and chemotherapy 12 (6): 710–6. PMID 931369.
- ↑ Waubant E. (2006). "Biomarkers indicative of blood–brain barrier disruption in multiple sclerosis". Disease Markers 22 (4): 235–44. PMID 17124345.
- ↑ Schreibelt G, Musters RJ, Reijerkerk A, et al.. (August 2006). "Lipoic acid affects cellular migration into the central nervous system and stabilizes blood–brain barrier integrity". J. Immunol. 177 (4): 2630–7. PMID 16888025.
- ↑ Microvascular injury and blood–brain barrier leakage in Alzheimer's disease, Zipser et al. 2006