Boleadeira

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Indígenas do Río da Prata. Diário de viagem de Hendrick Ottsen, 1603. Note-se que um deles tem boleadeiras

Boleadeira é uma espécie de funda, uma arma muito utilizada pelo gaúcho criada em 18 de fevereiro de 1603 para caçar nas grandes pradarias do pampa riograndense, uruguaio e argentino. Era lançada nos pés do animal enquanto ele corria, causando-lhe assim a queda e possibilitando ao caçador ir ao local dessa queda e matar o animal.

A boleadeira é composta de bolas metálicas ou pedras arredondadas (bolas ou boleadoras em castelhano) amarradas entre si por cordas tendo em cada uma das extremidades uma das bolas, em comparação com o lariat ou riata do cowboy.

Lançadas girando sobre si, elas vão ao encontro do alvo, geralmente as pernas de um animal quadrúpede, que leva um tombo na hora, ficando imobilizado. Usada normalmente na captura do gado na campanha, as boleadeiras também foram mais tarde utilizadas na guerra.

A boleadeira é a herança que as tribos autóctones da região do Plata deixaram aos gaúchos. Entre todos os utensílios de caça e/ou armas utilizados pelos gaúchos, nenhum é mais característico e mais peculiar que a boleadeira.

Não há dúvidas de que os espanhóis, e os europeus em geral, desconheciam totalmente o uso da boleadeira ao iniciar a conquista do continente americano.

Boleadeiras

Ainda que as investigações arqueológicas permitam afirmar que o uso foi conhecido na Europa, Ásia e África, é evidente que isto aconteceu na pré-história, posteriormente sendo esquecido.

Na América do Norte e outras regiões da América correu algo parecido; deste modo, com exceção da área compreendida pelo antigo império Inca e suas zonas de influência (Equador, Peru e Bolívia), todos os atuais territórios argentino e uruguaio e a região sul do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, apenas os nativos da Groenlândia as conheciam, em uma versão mais leve, utilizando-as para a caça de aves em voo.

No Chile, foram descobertas bolas de pedra em áreas arqueológicas e mesmo que seja conhecido seu uso como arma na região, é evidente que não estavam mais em uso na época da conquista espanhola.

Na Bolívia, o uso das boleadeiras foi abandonado pouco depois do início da colonização, apenas algumas tribos - aymarás e urus - continuaram usando uma arma, do mesmo tipo que os groenlandeses, para caça de aves.

Há portanto, uma área fundamental, historicamente, dentro da região onde a boleadeira foi utilizada, constituída pela região uruguaio-riograndense. Ali a boleadeira, convertida em primeira arma de guerra pelos grupos indígenas que passaram a utilizar cavalos como montaria: charruas, minuanos, guaranis etc., foi muito bem recebida como herança cultural.

Os índios usavam dois tipos bem diferentes de boleadeiras, de uma e duas bolas.

A chamada "bola perdida", com apenas uma bola, do tamanho aproximado de um punho fechado, era usada como arma sendo lançada para atingir a cabeça do inimigo.

A boleadeira de duas bolas , ou nhanduzeira (avestruzeira) é utilizada para caça, especialmente do nhandu ou ema enredando-se nas patas do animal quando lançada. Também foi usada pelos índios nas guerras, para enredar as patas dos cavalos montados pelos conquistadores, causando a queda dos dois e possibilitando o ataque e morte do cavaleiro.

Ao que tudo indica, a boleadeira de três bolas - também chamada de Três Marias - foi criada, com base na boleadeira de duas bolas dos índios, pelos homens do pampa. Ela também tem seu uso principal na caça, sendo utilizada eventualmente na guerra, da mesma forma que a de duas bolas. Era um utensílio muito utilizado para capturar os animais de pequeno e médio porte.

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