Fulereno

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Representação tridimensional do fulereno
Estrutura cristalina formada pelo buckminsterfullereno

Os fulerenos são a terceira forma mais estável do carbono, após o diamante e o grafite. Foram descobertos recentemente (1985), tornando-se populares entre os químicos, tanto pela sua beleza estrutural quanto pela sua versatilidade para a síntese de novos compostos químicos. Foram chamados de "buckminsterfullerene" em homenagem ao arquiteto R. Buckminster Fuller que inventou a estrutura do domo geodésico, devido à semelhança, daí advindo a denominação antiga desta forma de carbono.

Fulerenos são uma vasta família de nanomoléculas superaromáticas, altamente simétricas, compostas de dezenas de átomos de carbono sp2-hibridizados. Sua estrutura é em geral esférica, formada por hexágonos interligados por pentágonos, sendo estes últimos responsáveis pela curvatura da molécula e, conseqüentemente, por sua forma tridimensional [Kroto et al. 1985[1]]. O representante mais conhecido da família dos fulerenos sendo o C60 (com 60 carbonos), um icosaedro truncado de simetria Ih, e um diâmetro de aproximadamente 1 nm.

Índice

[editar] Buckminsterfullereno

Representação de uma molécula do buckminsterfullereno

O buckminsterfullereno, ou simplesmente fulereno, é uma estrutura formada por átomos de carbono organizados nos vértices de um icosaedro truncado, que tem a forma de uma bola de futebol (com pentágonos e hexágonos). Por isso, tal estrutura também é conhecida como futeboleno.

Sua forma é a de em domo geodésico composto por 12 pentágonos e 20 hexágonos. Sua fórmula é C60. Os hexágonos mantém a planaridade (como no grafite que é plano por apresentar somente hexágonos) enquanto que cada pentágono inicia um ângulo de curvatura, sendo necessários 12 pentágonos para fechar a superfície sobre si mesma, formando uma bola. O fulereno C20 apresenta somente 12 pentágonos não possuindo hexágonos. O fulereno C70, que se parece a uma bola de rugby, tem mais hexágonos, porém com o mesmo número de pentágonos.

[editar] História

A descoberta dos fulerenos ocorreu em setembro de 1985 quando um grupo de cientistas, principalmente H. W. Kroto e R. E. Smalley, obtiveram uma série de estruturas químicas com 44 a 90 átomos de carbono, aparecendo em maior concentração aquelas com 60 átomos de carbono, a partir do lançamento de raios laser sobre o grafite a uma temperatura de 104 °C. A descoberta do novo alótropo do carbono rendeu a estes cientistas o Prêmio Nobel de química em 1996.

[editar] Aplicações

Devido à sua forma tridimensional, suas ligações insaturadas e sua estrutura eletrônica, os fulerenos apresentam propriedades físicas e químicas únicas que podem ser exploradas em várias áreas da bioquímica e da medicina.

Um de seus usos poderia ser o de transporte de medicamentos através do corpo humano, assim poderia-se evitar danos ao corpo através deste. Por exemplo em casos de câncer, em que um dos medicamentos destrói celulas, com uma leve preferência às cancerigenas. O problema é que por ser injetado e carregado pela corrente sangüínea, destrói células normais em seu caminho até as células-alvo, causando danos corporais. Poderia colocar-se o medicamento dentro de moléculas de fulereno e, quando ele chegasse ao local com células cancerígenas, abriria-se uma "porta" para que o medicamento fosse liberado apenas onde fosse necessário.

Dentre a vasta gama de aplicações biomédicas dos fulerenos (veja e.g. [da Ros and Prato1999][Bosi et al. 2003] e referências contidas), destacam-se em desenvolvimento[2]:

  • Atividade anti-viral, através da inibição do acesso de enzimas virais (e.g. proteases do vírus HIV) ao substrato pelo preenchimento da cavidade hidrofóbica dos sítios catalíticos, [Zhu et al. 2003];
  • Atividade anti-oxidante e de armadilhas de radicais livres [Lai et al. 1997][Chiang et al. 1995][Chueu et al. 1997][Tsai et al. 1997];
  • Terapia fotodinâmica através da produção de oxigênio singleto e outros radicais livres [Kamat et al. 1998][Kamat et al. 2000][Vileno et al. 2004];
  • Foto-clivagem do DNA [Tokuyama et al. 1993][Higashi et al. 1997];
  • Atividade anti-microbiana (versus Candida albicans, Bacillus subtilis, Escherichia coli, Mycobacterium avium, Staphylococcus spp., Streptococus spp., Klebsiella pneumoniae, Salmonella typhy) por intercalação e desestruturação de membranas celulares [da Ros et al. 1996][Mashino et al. 1999];
  • Transporte de drogas de efeito radioterápico e contrastes para diagnóstico por imagem (Magnetic Resonance Imaging - MRI e tomografia por raios-X) [Bolskar et al. 2003][Cagle et al. 1999][Cagle et al. 1996][Braun and Rausch 2000][Thrash et al. 1999][Sueki et al. 2003].

Avanços recentes na química orgânica (veja e.g. [Hirsh 1994]) permitiram funcionalizar e adaptar estas moléculas para aplicações médicas, vencendo sua maior desvantagem: seu caráter apolar e sua repulsão natural por água. A hidrossolubilidade dos fulerenos foi um marco para a pesquisa e o desenvolvimento de aplicações biomédicas destas moléculas. Neste projeto nos concentraremos na investigação das propriedades anti-oxidantes e fotodinâmicas dos fulerenos e seus derivados hidrossolúveis, os fulerols.

[editar] Referências

  1. H. W. Kroto, J. R. Heath, S. C. O'Brien, R. F. Curl and R. E. Smalley (1985). "C60: Buckminsterfullerene". Nature 318: 162–163. doi:10.1038/318162a0
  2. Antonio Gomes Souza Filho Nosso futuro em nanopartículas - funcapciencia.funcap.ce.gov.br

[editar] Ligações externas

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