Cerco de Sagunto

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Após o acordo de Aníbal com Asdrúbal sobre a definição de esferas de influência, os romanos iniciaram relacionamento diplomático com Sagunto, baseadondo-se na aliança com Massala e seguindo o mesmo padrão de interferência anterior na Sicília, que havia precipitado a Primeira Guerra Púnica. Essa "interferência benevolente" era uma técnica romana frequentemente empregada, que resultou numa intervenção em que aliados de Roma tomaram o poder em Sagunto.

Aníbal e seus homens cruzando os Alpes.

Após dispersar suas tropas no final do ano 220 a.C, Aníbal passara o inverno em Nova Cartago, em companhia de Asdrúbal, e provavelmente, seu irmão mais novo, Magão, onde expõe seus planos de invasão da Itália, através da até então nunca utilizada rota sobre os Alpes.

Aníbal possuía informantes na Gália e na Gália Cisalpina. Desse modo, enquanto Massala e Sagunto informavam Roma das atividades cartaginesas na Hispânia, Aníbal recebia informações sobre as Gálias. Ele tinha evidências da capacidade de luta dos gauleses, mas também precisava saber quão profunda era a sua inimizade ou ressentimento para com Roma. As tribos que estavam na península Itálica temiam as armas romanas, mas odiavam-os por causa de seus recentes atos. Do lado ocidental dos Alpes enquanto alguns dos chefes tribais vislumbravam a ameaça romana, outros não tinham a mesma suspeita, ou não compreendiam a ameaça. Os gauleses que viviam na região do vale do Ródano estavam cientes de que estavam distantes, mas o permanecia ao alcance da mão. Aníbal precisava saber que pagamento ou que ideia de saque poderia induzi-los a se unirem a ele, e sobre o quanto de suprimentos e de homens seria possível encontrar nas regiões através das quais ele iria passar.

Algumas das tribos do lado ocidental dos Alpes tinham se unido aos boios e ínsubres na Itália, em revoltas anteriores e conseguindo chegar até a Etrúria antes da derrota para exército romano. O fato de membros de tribos selvagens terem conseguido tanto foi um estímulo a mais. Além disso, Aníbal estava bem-informado, pois o trânsito regular dos gauleses entre Itália e Gália continuava a mante-lo atualizado.

Em 219, foi dado o primeiro passo para a guerra com o ataque à Sagunto, cidade-forte cercada por muralhas ciclópicas. Antecipando-se à Aníbal, cujos preparativos não passaram despercebidos, dois enviados romanos dirigiram-se a ele com a mensagem de que a cidade estava sob proteção romana. Embora ciente, Aníbal alegou que o fato não tinha sido mencionado no tratado com Asdrúbal, e que os romanos se envolveram em assuntos pertinentes à região ao sul do Ebro. Os enviados, dispensados, seguiram para Cartago, onde esperavam convencê-los que o acordo havia sido quebrado e que o Senado Romano ameaçava declarar guerra.

Sagunto resistiu ao cerco por oito meses, mas caiu afinal, em meio aos massacres e saques. Uma grande porção da pilhagem foi enviada a Cartago como uma prenda de mais uma conquista. As notícias chegaram a Roma quase ao mesmo tempo em que seus enviados retornavam de Cartago, trazendo a mensagem de que os cartagineses não respeitariam qualquer tratado entre Roma e Sagunto. Seguiu-se, então, um debate em Roma, com alguns dos nobres pedindo a guerra imediata e outros favoráveis a negociações, enquanto as assembléias populares votavam pela paz. Um consenso foi alcançado e uma delegação enviada à África do Norte para descobrir se Aníbal tinha agido por sua própria iniciativa, ou se seguia ordens dos cartagineses, que, se desaprovassem a atitude de Aníbal, deveriam entregá-lo às autoridades romanas.

Os cartagineses negaram haver ofensa contra Roma, a existência de tratado com Sagunto, assim como esta seria sua área de influência. Recusaram a entregar Aníbal, perguntando então aos enviados romanos qual seria sua intenção. Fábio, o líder da delegação, pediu que escolhessem: "Paz ou guerra?". Após consultar o Senado, o mais velho dos dois sufetas disseram aos romanos que eles próprios tomassem a decisão. Quando Fábio disse "Guerra", os cartagineses responderam "Aceitamos!". Sendo assim declarada a Segunda Guerra Púnica, ou a guerra anibálica.

A notícia da guerra chegaram a Aníbal quando este voltava a Nova Cartago, que acabando de sair de uma campanha vitoriosa. Com a confirmação do apoio de Cartago as tropas foram entusiasmadas, pois a notícia de que os romanos haviam exigido a rendição de seu general eram suficientes para enfurecê-los. A promessa de novos saques e as vitórias de Amílcar e Asdrúbal tornaram o recrutamento ainda mais fácil. A ideia de uma campanha iniciando-se em 218 a.C. era atrativa, pois além da incapacidade de salvar Sagunto, uma missão romana enviada ao norte da Hispânia foi repelida de volta à Gália onde encontraram pouca amistosidade, pois os gauleses, no caso de conflito, estavam determinados a permanecer neutros, mas, devido ao tratamento recebido por seus aliados na Itália, estariam inclinados a apoiar os cartagineses.

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