Afonso, conde de Gijón e Noronha

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Brasão de Armas da família Noronha.
Castelo de Noreña no século XIX. Desenho da época.

Afonso, conde de Gijón e Noronha (D. Alfonso Enriquez), conde de Noronha, título com origem em Noreña (1350 ou 1355 - morreu exilado em Marans, França 27 de Agosto de 1395)

Em 1373 foi senhor de Gijón nas Astúrias. Foi Senhor de Atera e Ribera. Foi o mais poderoso senhor feudal das Astúrias, que intentou tornar independente do reino de seu irmão D. João I de Castela e depois de seu sobrinho D. Henrique III de Castela.

Deu-lhe seu pai o título de Conde de Gijon em 1373 e o de Noronha, que havia herdado, antes de ser rei, de Rodrigo Alvares de Astúrias, seu aio e Rico-Homem de Castela, como é referido na Crónica de El-Rei D. Afonso XI de Castela, ao capítulo 140. Adoptou-o por filho no ano de 1334.

O seu casamento com D. Isabel de Portugal fez parte da aliança estabelecida num dos artigos da paz que celebraram os Reis D. Henrique II de Castela e D. Fernando I de Portugal, na cidade de Santarém, a 19 de Março de 1373.

O Conde D. Afonso não concordou de boa vontade com o casamento, nem quando foi tratado, nem mais tarde quando se cuidou de o efectuar, porque a Condessa D. Isabel tinha somente oito anos de idade à data em que este casamento se tratou, e ele tinha dezoito.

Fugiu para o Reino de França para melhor se furtar ao casamento que lhe queriam impor e só de lá voltou forçado pelas ameaças do pai. Assim, depois da sua chegada o casamento realizou-se em Novembro de 1378, mas o Conde D. Afonso não consumou o matrimónio, conseguindo iludir seu pai e a Corte a esse respeito, durante os dois meses que estiveram em Burgos e Palência.

Morto El-Rei, obteve a anulação do matrimónio, por sentença de D. Guterre, Bispo de Oviedo, Chanceler-Mór da Rainha D. Joana, em Medina del Campo, em 12 de Dezembro de 1379, em que foram testemunhas D. Pedro, Arcebispo de Toledo, D. Afonso, Bispo da Guarda, Gil Doçem, natural de Portugal e Rodrigo Arias Maldonado. Este divórcio não surtiu efeito no entanto, dado que veio a consumar o matrimónio.

Gozou de muitos senhorios e vassalos, mas todos perdeu assim como o Condado de Gijon, pelas desobediências feitas ao rei D. João I de Castela, seu meio-irmão e, mais tarde, ao rei D. Henrique III de Castela, seu sobrinho, no ano de 1395.

Esteve preso, assim como a condessa sua esposa, por ordem do rei D. João I de Castela, dado que eram possíveis pretendentes ao Trono de Portugal por morte do rei D. Fernando, visto que D. Isabel era filha bastarda deste rei e D. João I de Castela recear que os direitos de seu meio-irmão e cunhado lhe diminuíssem os seus, de pretendente ao Trono de Portugal, por ser casado com D. Beatriz, filha legítima de El-Rei D. Fernando I.

D. João I de Castela deu a terra de Noreña à igreja de Oviedo e confiscou todas as mais terras e bens que D. Afonso tinha nas Astúrias. O Conde de Gijon veio a morrer, andando com a Condessa D. Isabel, a peregrinar em França.

Por sua morte esta princesa voltou a Portugal, a procurar a protecção de seu tio, o rei D. João I “o de boa Memória”, o qual lhe fez novas mercês de bens.

Relações familiares [editar]

Era filho natural do rei D. Henrique II de Castela, havido antes do seu casamento com D. Elvira Iñiguez de la Vega, de quem era parente próximo por serem ambos 3ºs netos do rei D. Dinis de Portugal e da rainha Santa Isabel e claro de D. Sancho IV de Castela. Foi filha de Suer Fernandes de Veiga e de D. Elvira Salzêdo.

Casou em Burgos em 1373 com D. Isabel de Portugal (1364 - 1435, em Marans, França), senhora de Viseu, filha natural do rei D. Fernando I de Portugal, havida antes do seu casamento, e foram o tronco da família portuguesa Noronha, de quem teve:

  1. D. Pedro de Noronha (Castelo de Gijon 1379 - 20 de Agosto de 1452), arcebispo de Lisboa,
  2. D. Fernando de Noronha 2º conde de Vila Real (1380 -?), 2.º conde de Vila Real, casado com D. Brites de Menezes, 2ª condessa de Vila Real (1400 -?),
  3. D. Constança de Noronha (1390 -?), que foi a 2.ª mulher de D. Afonso, 1º duque de Bragança, casado com Mécia de Sousa, 4ª senhora de Mortágua (1400 -?)
  4. D. Diogo Henriques de Noronha,
  5. D. Sancho de Noronha, 1º conde de Odemira (c. 1390 -?) casou com Mécia de Sousa, 4ª senhora de Mortágua (depois de falecido o anterior marido).
  6. D. Henrique de Noronha (c. 1390 -?).
  7. D. João de Noronha, foi feito Cavaleiro pelo Infante D. Duarte, em Ceuta, em cujo cerco tomou parte junto com o rei e onde foi ferido. Veio a morrer em Almodôvar, Portugal, de doença proveniente deste ferimento.

Fora o casamento teve:

  1. D. Beatriz de Noronha (1395 -?) (ou Brites de Noronha) casou com D. Rui Vaz Pereira, “o Velho”, que nasceu entre Dezembro de 1428 e Junho de 1431, filho de D. Gonçalo Pereira, Senhor de Cabeceiras de Basto.
  2. D. João Henriques de Noronha (1390 -?) casou com Beatriz, señora de Mirabel

Referências [editar]

  • Genealogias da ilha Terceira de António Ornelas Mendes e Jorge Forjaz. Vol. VI Pag. 467 Dislivro Histórica, 2007.
  • Brasões da Sala de Sintra-3 vols., Anselmo Braamcamp Freire, Imprensa Nacional-Casa de Moeda, 2ª Edição, Lisboa, 1973. vol. I-pg. 45.
  • História Genealógica da Casa Real Portuguesa, D. António Caetano de Sousa, Atlântida-Livraria Editora, Lda, 2ª Edição, Coimbra, 1946. Tomo I-pg. 181.
  • Sangue Real, Manuel Abranches de Soveral, Masmedia, 1ª Edição, Porto, 1998. pg. 16.
  • Cronica de D. João I, de Fernão Lopes. Cap. L III, pág. 155, edição Melo Azevedo, 1897.
  • História de Portugal de Damião Peres, II Vol. pág. 333.
  • Grandes de Portugal e de Sonsa, 55, História de Portugal, de Enes, II, 248.
  • Crónica de El-Rei D. Fernando, de Fernão Lopes, Cap. LXXXII, LXXXIV e História das Gente de Sonsa, I, p. 427.
  • Crónica da Tomada de Ceuta, de Zurara, cap. LRVI e História da Cidade de Ceuta., de Mascarenhas, 95.

Ligações externas [editar]