Cromeleque dos Almendres

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Cromeleque dos Almendres
Tipo Monumento megalítico
Início da construção Fim do VI milénio a .C.
Fim da construção Início do III milénio a.C.
Dimensões
Outras dimensões 95 monólitos
Património Nacional
Classificação  Imóvel de Interesse Público
Data 1974
DGPC 69690
SIPA 3946
Geografia
País Portugal
Cidade Évora
Localidade Nossa Senhora de Guadalupe
Coordenadas 38° 33' 28" N 8° 3' 41" O

O Cromeleque dos Almendres localiza-se na freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, no concelho de Évora, Distrito de Évora, em Portugal.

Constitui-se num círculo de pedras pré-histórico (cromeleque) com 95 monólitos de pedra. É o monumento megalítico do seu tipo mais importante da península Ibérica, e um dos mais importantes da Europa, não apenas pelas suas dimensões, como também pelo seu estado de conservação.[1] Junto com o menir dos Almendres, localizado nas proximidades, o conjunto é classificado pelo IGESPAR como Imóvel de Interesse Público desde 1974, mas há uma proposta para elevá-lo a Monumento Nacional. [2]

Localização e descobrimento[editar | editar código-fonte]

O cromeleque localiza-se próximo ao topo de uma encosta suave, voltada a leste, num monte de 413 metros de altura, a cerca de 12 km a oeste da moderna cidade de Évora.[3] O conjunto foi descoberto em 1964 pelo investigador Henrique Leonor Pina, durante os trabalhos de mapeamento para a Carta Geológica de Portugal.[3] [2] Naquela altura foi realizada a limpeza da vegetação que ocupava o sítio e foram descobertos algumas peças de cerâmica e um machado de pedra polida.[3]

Nas últimas décadas foram realizadas várias campanhas arqueológicas no local, organizadas por Mário Varela Gomes. Grande parte dos monólitos, que se encontravam caídos, foram recolocados em suas posições originais durante os trabalhos.[3] [2]

O cromeleque se encontra numa propriedade privada, mas a zona do monumento foi cedida à Câmara Municipal de Évora para uso público.[3]

História e contexto[editar | editar código-fonte]

A região de Évora é densamente coberta por sítios arqueológicos que vão desde o início do Neolítico (7000 a 8000 anos atrás) até a Idade do Ferro, abrangendo menires, antas, necrópoles e povoações pré-históricas.[1] [4] O cromeleque dos Almendres pertence, assim, ao universo megalítico eborense e está relacionado com outros círculos de pedras das proximidades, como o Cromeleque da Portela de Mogos, em Montemor-o-Novo.[2] [5]

Fases da evolução do Cromeleque dos Almendres ao longo do Neolítico.[3]

Segundo os trabalhos arqueológicos realizados no local, acredita-se que o conjunto foi formado em três etapas:[3]

  • No final do Neolítico Antigo (fim do sexto milénio a.C.) foi erigido um conjunto de monólitos de pequeno tamanho, agrupados em três círculos concêntricos. O maior destes círculos media 18,80 m e o menor, 11,40 m. Actualmente há vinte e dois menires de pé neste recinto, dois tombados e restos de estruturas de sustentação de cinco outros;[3]
  • No Neolítico Médio (quinto milénio a.C.) foi erigido a oeste dos círculos anteriores um novo recinto com a forma de duas elipses concêntricas, irregulares, adossadas ao recinto mais antigo. A elipse mais externa mede 43,60 m em seu eixo maior e 36 m no eixo menor. Durante os trabalhos arqueológicos foram encontrados ali vinte e nove menires em pé e dezassete tombados, além de estruturas de sustentação de onze menires já desaparecidos;[3]
  • No Neolítico Final (terceiro milénio a.C.) os dois recintos foram modificados, especialmente o menor, que foi transformado numa espécie de átrio do recinto maior. Com a remodelação, o recinto menor possivelmente passou a orientar a entrada no recinto elíptico, com uma função nas solenidades sócio-religiosas que se realizavam ali. Além disso, é possível que nesse período tenham sido acrescentados aos dois recintos alguns monólitos com gravuras e que alguns menires tenham sido parcialmente aplainados, transformando-os em estelas.[3]

No Calcolítico o conjunto deixou de ser utilizado, provavelmente pela influência das sociedades de metalurgistas que substituíram a cultura megalítica atlântica.[3]

Características[editar | editar código-fonte]

Trata-se de um cromeleque erguido na encosta voltada a nascente de uma colina. Os monólitos são predominantemente de tamanho pequeno, de forma ovóide, sub-paralelepipédica e sub-cilíndrica, mas alguns chegam a ter 2,5 a 3 metros de altura e possuem forma fálica ou estelar.[2] [3] São compostos por diferentes tipos de quartzodioritos, o que revela uma origem variada para os monólitos. Dois afloramentos de quartzodioritos e granodioritos localizados a 250 m e 1 km do cromeleque podem ter sido usados para esculpi-los.[3]

Os menires de grande tamanho foram colocados sobre alvéolos (cavidades) previamente preparados que chegam até o substrato rochoso sob o solo. Uma coroa de pedras era colocada ao redor da base destes menires, depois coberta de terra e pedras menores, o que ajudava na sustentação. Os menires menores tinham alvéolos também menores, e os de menor dimensão eram sustentados apenas por uma coroa de pedras.[3] Actualmente existe uma planta da disposição cada um destes monólitos, todos numerados, possibilitando a identificação das características individuais de cada um.

Menires decorados[editar | editar código-fonte]

Dez dos monólitos do cromeleque apresentam decoração em forma de relevos ou gravuras, dos quais quatro possuem apenas "covinhas" (série de pequenos buracos escavados na pedra). Os outros são:[3]

Menir 64, com relevos de círculos e raquetas.
  • Menir 48: apresenta uma pequena figura antropomórfica associada a um báculo.
  • Menir 57: numa face propositalmente aplainada mostra uma série de treze relevos em forma de báculos. Essas figuras ocorrem também em outros menires e são, provavelmente, representações de objetos de prestígio social construídos em xisto e materiais perecíveis. De fato, báculos de xisto são encontrados em monumentos megalíticos alentejanos.
  • Menir 56: numa face aplainada apresenta uma representação estilizada de uma grande face humana, com nariz, olhos e boca. Pode ser considerado uma estátua-menir.
  • Menir 76: também possui uma figura antropomórfica, como o menir 56. A decoração de ambos se assemelha ao de menires do Cromeleque da Portela de Mogos.
  • Menir 64: localizado próximo ao centro do recinto maior, apresenta relevos em forma de raquetas e círculos.
  • Menir 58: possui três representações de discos solares, associados a linhas onduladas que representam raios.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Vista panorâmica
Cromeleque dos Almendres, Guadalupe, Évora, Portugal, 2014
Exemplo de gravura (circulos) 
Crescentes semi-circulares gravados noutra pedra 
Desenhos comuns de manipulo invertido de cajado de pastor 
Buracos arredondados no monolíto número 8 
Menir isolado com mais de 2 m de altura, a 3 Km do cromeleque Menir dos Almendres 

Referências

  1. a b Descobrir Évora - onde os rios se encontram. Itinerários Históricos de Évora
  2. a b c d e Cromeleque e menir, na Herdade dos Almendres no sítio do IGESPAR
  3. a b c d e f g h i j k l m n o Mário Varela Gomes. Cromeleque dos Almendres: Um dos Primeiros Grandes Monumentos Públicos da Humanidade. Biblioteca Digital do Alentejo.
  4. Introdução no sítio Évora Megalítica
  5. Cromeleque e Menir, na Herdade dos Almendres na base de dados SIPA do IHRU

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Cromeleque dos Almendres

Ligações externas[editar | editar código-fonte]