Datura stramonium

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa


Como ler uma caixa taxonómicaDatura stramonium
Datura stramonium

Datura stramonium
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Solanales
Família: Solanaceae
Género: Datura
Espécie: D. stramonium
Nome binomial
Datura stramonium
L.

Datura stramonium, vulgarmente designada como trombeta, trombeteira, estramónio/estramônio, figueira-do-demo, figueira-do-diabo, figueira-do-inferno,[1] figueira brava e zabumba,[2] é uma erva ereta anual, em média com 30 a 150 cm de altura.

As folhas são grandes, 7 a 20 cm e tem dentes irregulares semelhante às folhas de carvalho. Suas flores apresentam uma das características mais distintivas da Datura stramonium: elas possuem formas de trombetas, cores que vão de branco para púrpura, com tamanho de de 5 a 17,5 cm, sendo, entretanto, constantemente confundidas com lírios.

As flores, com a mesma fragrância da planta Mirabilis jalapa, elas abrem e fecham irregularmente durante a noite, ganhando o apelido de Planta-da-Lua.

A fruta tem forma oval e é coberta de espinhos; é dividida em quatro câmaras, cada uma delas com dúzias de sementes de cor negra e pequenas. Toda parte da planta emite um odor fétido quando esmagada ou apertada.

Uso tradicional[editar | editar código-fonte]

Essa planta e outras variedades das Datura fazem parte das farmacopéias tradicionais de diversos povos euro-asiáticos e ameríndios.[3] Seus ingredientes psicoativos são os alcalóides tropânicos atropina, hiosciamina e escopolamina, que são classificados como anticolinérgicos induzindo em maior dose delírios e perda da consciência e amnésia por ação no sistema nervoso central.[4] Devido ao elevado risco de overdose em usuários desinformados, muitas internações e algumas mortes, são relatados com seu uso recreativo.[5]

Recentemente pesquisas na Colômbia com a administração da escopolamina, extraídos de plantas pertencentes ao gêneros Datura e Brugmansia, tem fornecido um importante modelo toxicológico fenômeno neurológico da memória. Extratos da planta popularmente conhecida como "Burundanga" capazes de causar uma intoxicação por escopolamina (alpha-(hydroxymethyl) benzeneacetic acid 9-methyl-3-oxa-9-aza-tricyclo[3.3.1.02,4] non-7-yl ester [6] ) são descritos como causadores de uma amnésia anterógrada transitória e comportamento submisso, apático.[7]

Don Juan, no livro "A Erva do Diabo" de Carlos Castañeda (1931-1998) [8] refere-se nestes termos a esta espécie de Datura:

"A erva-do-diabo tem quatro cabeças; a raiz, a haste e as folhas, as flores e as sementes. Cada qual é diferente, e quem a tornar sua aliada tem de aprender a respeito delas nessa ordem. A cabeça mais importante está nas raízes. O poder da erva-do-diabo é conquistado por meio de suas raízes. A haste e as folhas são a cabeça que cura as moléstias; usada direito, essa cabeça é uma dádiva para a humanidade. A terceira cabeça fica nas flores, e é usada para tornar as pessoas malucas ou para fazê-las obedientes, ou para matá-las. O homem que tem a erva por aliada nunca absorve as flores, nem mesmo a haste e as folhas, a não ser no caso de ele mesmo estar doente; mas as raízes e as sementes são sempre absorvidas; especialmente as sementes, que são a quarta cabeça da erva-do-diabo e a mais poderosa das quatro".

Observe-se que entendimento de concepções não ocidentais do efeito dessa planta, no caso as crenças de descendentes do toltecas/ astecas nas quais o referido livro acima citado afirma que se baseou, requer a análise do contexto de seu uso e dos conceitos empregados. O principal conceito nesse caso é que que essa planta corresponde a um "aliado" descrito também como um veículo, uma qualidade e algo que pode ser domesticado. Em relação à outros aliados (associados à substancias psicoativas também empregadas por esse povo) a datura é um aliado imprevisível, feminino, possessivo e violento, capaz de matar quem a procura, e de muito difícil domesticação, Castañeda, (o.c.) É possível que essa "domesticação" seja uma possibilidade de manter a consciência e/ou a memória (do acontecido) sob seu efeito, contudo é essa capacidade de perda de consciência o que pode despertar interesse médico, numa perspectiva ocidental, como auxiliar do controle da dor, por exemplo ou do desenvolvimento de aspectos específicos de personalidade ou emoção na perspectiva etnomédica.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Estrutura química do tropano

Referências

  1. Houaiss, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (em Português). Lisboa: Temas & Debates, 2005. vol. IX.
  2. FERREIRA. Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (Edição eletrônica). SP, Editora Positivo Informática LTDA, 2004
  3. Pascual, Marcos S.; Lorenzo, M Teresa, C. Notas históricas y estudio de algunas plantas mesoamericanas en Canarias: piteras, tuneras y estramonios Vegueta: Anuário, (255-263) , Universidad de Las Palmas Grand Canaria, 2003 PDF Maio 2011
  4. Bustamante SE, Morales MA, Farmacología de los antagonistas muscarínicos. Apuntes Docentes Enfermería 2002; 1-9 PDF Maio 2011
  5. AJ Giannini,Drugs of Abuse--Second Edition. Los Angeles, Practice Management Information Corporation, pp.48-51.
  6. Scopolamine Erowid vault Maio 2011
  7. Ardila A., Moreno C. Scopolamine intoxication as a model of transient global amnesia. Brain and Cognition, 15 (2), pp. 236-245. USA, 1991
  8. Castaneda, Carlos. A erva do diabo, os ensinamentos de dom Juan. RJ, Nova Era, 2009

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Datura stramonium
Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Datura stramonium