Decadentismo

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Decadentismo é uma corrente artística, filosófica e, principalmente, literária que teve sua origem na França nas duas últimas décadas do século XIX e se desenvolveu por quase toda Europa e alguns países da América. A denominação de decadentismo surgiu como um termo depreciativo e irônico empregado pela crítica acadêmica, mas terminou sendo adotada pelos próprios participantes do movimento.

Visão geral[editar | editar código-fonte]

Uma das melhores expressões do movimento decadentista é refletida pelo verso de Verlaine: "Eu sou o império ao fim da decadência". Precisamente Verlaine esteve durante algum tempo à frente do movimento, especialmente depois da publicação de Os poetas malditos (1884).

O decadentismo foi a antítese do parnasianismo e de sua doutrina (inspirada no ideal clássico da "arte pela arte"), apesar de que Verlaine, um dos expoentes máximos do decadentismo, havia sido em suas origens parnasiano. A fórmula pictórica e escultórica dos parnasianos (ut pictura poesis, segundo a lição de Horácio), é substituída no decadentismo pelo ideal de uma poesia que "tende à forma de música".

O decadentismo arremete contra a moral e os costumes burgueses, evoca a evasão à realidade cotidiana, exalta o heroísmo individual e infeliz, e explora as regiões mais extremas da sensibilidade e do inconsciente.

Seu esteticismo foi acompanhado, em geral, de um exotismo e interesse por países distantes, especialmente os orientais, que exerceram grande fascinação em autores como o francés Pierre Louÿs, em sua novela "Afrodita" (1896) e em seus poemas "As canções de Bilitis" (1894). Assim como no também francês Pierre Loti ou no inglês Richard Francis Burton, explorador e tradutor de una polêmica versão de "As mil e uma noites".

Mas a máxima expressão do decadentismo é constituída pela novela "A rebours" ("Contra a corrente"), escrita em 1884 pelo francês Joris-Karl Huysmans, que é considerado um dos escritores mais rebeldes e significativos do fim de século. A novela narra o estilo de vida esquisito do duque Jean Floressas des Esseintes, que se tranca em uma casa de campo para satisfazer o propósito de "substituir a realidade pelo sonho da realidade". Este personagem se converteu em um modelo exemplar dos decadentes, de tal maneira que se consideram descendentes diretos de Des Esseintes, entre outros, personagenes como Dorian Gray, de Oscar Wilde, de Andrea Sperelli, de Gabriele D'Annunzio. "A rebours" foi definida pelo poeta inglês Arthur Symons como "o breviário do decadentismo".

Também são considerados decadentes os pós-simbolistas franceses Jean Lorrain, Madame Rachilde, Octave Mirbeau e, de certa maneira, também Auguste Villiers de L'Isle-Adam, Stéphane Mallarmé e Tristan Corbière.

A revista "Le Décadent", fundada en 1886 por Anatole Baju, serviu como veículo de expressão deste movimento.

O decadentismo na Europa[editar | editar código-fonte]

Na Inglaterra, aparecem como representantes do decadentismo as figuras de Oscar Wilde, especialmente em sua novela O retrato de Dorian Gray (1891), e seu mestre Walter Pater, que publicou uma novela considerada seminal para a sua geração, "Marius the Epicurean" (1885), além de nomes como Arthur Symons, Ernest Dowson e Lionel Johnson.

O italiano Gabriele d'Annunzio cultivou o elemento aristocrático típico do decadentismo, em sua obra "Il piacere", com seus poemas cheios de sentimento e com uma escrita rica e sugestiva.

O decadentismo na Espanha e na América Latina[editar | editar código-fonte]

Espanha e América Latina também se deixaram influenciar por esta atitude estético-literária, e toda a poesia do fim de século responde aos ideais artísticos da "arte pela arte". Assim pode ser considerado o modernismo do nicaraguense Rubén Darío e do mexicano José Juan Tablada. O decadentismo artístico foi muito mais persistente na América: Amado Nervo, Leopoldo Lugones, Mariano Azuela, César Vallejo, Horacio Quiroga e outros llenaron muchos años de la vida literaria suramericana y en ellos la nota francesa nunca estuvo ausente.

Esta renovação estética adquiriu na Espanha matizes peculiares, e assim aparece nas obras decadentistas de Manuel Machado e da primeira fase de Juan Ramón Jiménez (en algunas obras como "Ninfeas", 1900), Francisco Villaespesa e Valle-Inclán, em especial em suas primeira obras, como seu livro de versos "Aromas de leyenda" (1907). São decadentistas ainda mal estudados os poetas Emilio Carrere e Alejandro Sawa, os novelistas Álvaro Retana, Antonio de Hoyos y Vinent e Joaquín Belda, assim como o contista peruano Clemente Palma.

Fim do decadentismo e influência posterior[editar | editar código-fonte]

Em 1890, a revista Mercure de France publicou um manifesto em defesa do simbolismo. A partir de então, a trajetória do decadentismo, entendido como movimento, pode-se considerar terminada. Anteriormente, em setembro de 1866, um artigo publicado por Jean Moréas em Le Figaro, mencionou pela primeira vez o simbolismo, referindo-se ao "bosque dos símbolos".

As teorias do simbolismo apareceram publicadas na revista Le symboliste, enquanto que os decadentes continuaram usando Le décadent como veículo para difundir suas teses. Formou-se assim a divergência entre os decadentes, complacentes experimentadores no campo dos sentidos e da linguagem, e os simbolistas, que buscam os valores absolutos da palavra e aspiram a expressar uma harmonia universal.

O decadentismo como ponto de encontro[editar | editar código-fonte]

Mais tarde, alguns críticos ampliaram o significado do termo decadente como oposto aos convencionalismos. Desta maneira, o decadentismo seria, em suas origens, antiacadêmico em pintura, antipositivista em filosofia, antinaturalista em literatura. Assim, várias tendências, escolas e orientações, diversas e distantes, acabaram por confluir e encontrar-se compreendidas sob a mesma etiqueta.

Genericamente se definem como decadentes aquelas formas de arte que superam ou alteram a realidade na evocação, na analogia, na evasão, no símbolo. A lista de nomes pode incluir a Rainer Maria Rilke, Konstantínos Kaváfis, Paul Valéry, Marcel Proust, Franz Kafka, James Joyce,Oscar Wilde, Thomas Stearns Eliot, ou mesmo movimentos de vanguarda como o surrealismo, o imagismo russo, o cubismo, ou o realismo crítico de Thomas Mann.