Octave Mirbeau

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Octave Mirbeau
Octave Mirbeau

Octave Mirbeau (1848-1917), jornalista, anarquista, crítico de arte, romancista e autor dramático, é uma das figuras mais originais da literatura francesa da “Belle Époque”.

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[editar] Biografia

[editar] Juventude

Octave Mirbeau nasceu em um vilarejo do Calvados, de uma família burguesa (o seu pai era doutor). Passou a infância em Rémalard, no Perche, e estudou no colegio dos jesuítas de Vannes. Depois da guerra de 1870 e um longo período de proletariado da pena, que lhe deixa um sentimento de culpabilidade (1872-1883), e depois uma ligação devastadora com uma mulher de pequena virtude (1880-1883), inicia-se dificilmente a sua redenção em 1884-1885 : doravante porá a sua pena ao serviço da justiça social e da promoção dos artistas de génio.

[editar] Maturidade

Sébastien Roch, ilustração de H.-G. Ibels, 1906
Sébastien Roch, ilustração de H.-G. Ibels, 1906

Ele publica três romances “autobiográficos” : Le Calvaire (O Calvario) (1886), L'Abbé Jules (O Padre Julio) (1888), donde, sob a influência de Fiódor Dostoiévski, ele recorre a uma psicologia das profundidades, e Sébastien Roch (1890), na qual novela ele conta “o assassinato de uma alma de criança” por um jésuita estuprador.

Paralelamente, houve-se combates artísticos – para Auguste Rodin, Claude Monet, Camille Pissarro, Vincent Van Gogh, Félix Vallotton, Camille Claudel e Aristide Maillol –, combates literários - para Maurice Maeterlinck, Georges Rodenbach, Marguerite Audoux e Léon Werth - , e combates políticos : anarquista, ele pourfend “os maus pastores” de qualquer obediência que se servem do sufrágio universal para planificar a derrota do povo e o embrutecimento dos indivíduos.

Depois uma longa crise existential, conjugal e leteraria, ele publica em séries Dans le ciel (No ceu) (1892-1893), começa uma colaboração de dez anos ao Journal, redige uma tragédia proletariana, Les Mauvais Bergers (Os maus pastores), criada por Sarah Bernhardt e Lucien Guitry ao fim de 1897. Em 1898-1899, dreyfusista, participa a cómicios, paga 7 525 francos (22 500 euro !) para o seu amigo Émile Zola, e publica en L'Aurore muitas crónicas para mobilizar a classe operária assim do que as profissões intelectuais.

Profundamente pessimista, ele publica Le Jardin des supplices (O Jardim dos suplicios) (1899), romance decadente e escandaloso constituído de um patchwork de textos anteriores muito diferentes, Le Journal d'une femme de chambre (Diário de uma criada de quarto) (1900), onde ele estigmatiza a escravidão dos tempos modernos, a domesticidade, e exibe os segredos repugnantes da burguesia, e Les 21 Jours d'un neurasthénique (1901), collagem de contos cruéis. Em 1903, ele triunfa, na Comédie-Française, com uma grande comédia de costumes e de carácteres, Les affaires sont les affaires (Negócios são negócios), onde ele denuncia o poder soberano do dinheiro através de Isidore Lechat, agente de negócios que tem-se tornado um tipo. Publica La 628-E8 (1907), narração de viagem como automobilista, cuja heroí é o próprio carro, e Dingo (1913), cuja heroí é o próprio cachorro. Faz representar á Comédie-Française, uma comédia, Le Foyer (O Hogar) (1908), que fez escândalo porque denuncia a exploração económica e sexual dos adolescentes ao nome da caridade.

[editar] Crepúsculo

A guerra de 1914 acaba de desesperar um pacifista impentente que denunciou incessantemente a aberração criminosa das guerras e preconizou a amizade franco-alemã. Ele morre no mesmo dia dos seus 69 anos, o 16 de Fevereiro 1917.

[editar] Protótipo do escritor comprometido

Protótipo do escritor comprometido, libertário e individualista, Octave Mirbeau é o grande demistificador das instituições que alienam, oprimen e matam. Ele usou uma estética da revelação, para obrigar os cegos voluntários a fazer frente à realidade. Combateu a sociedade burghêsa e a economia capitalista, e também as formas literárias e esteticas tradicionais, que contribuem a anestesiar as consciências. Rejeitando o naturalismo, o academismo e o simbolismo, ele traçou a sua via entre o impressionismo e expressionismo.

[editar] Obras

  • Le Calvaire (O Calvario), romance (1886).
  • L'Abbé Jules (O Padre Julio), romance (1888).
  • La Grève des électeurs (A Greve dos Eleitores) (1888).
  • Sébastien Roch, romance (1890).
  • Dans le ciel (No ceu), novela (1892-1893).
  • Les Mauvais bergers, tragédia proletariana (1897).
  • Le Jardin des supplices (O Jardim dos suplicios), romance (1899).
  • Le Journal d'une femme de chambre (Diário de uma criada de quarto), romance (1900).
  • Les 21 jours d'un neurasthénique (Os 21 dias dum neurasténico), romance (1901).
  • Les affaires sont les affaires (Negócios são negócios), comédia (1903).
  • Farces et moralités (Farsas e moralidades), comédias (1904).
  • La 628-E8, romance (1907).
  • Le Foyer (O Hogar), comédia (1908).
  • Dingo, romance (1913).
  • Contes cruels, contos (1990).
  • L'Affaire Dreyfus, artigos politicos (1991).
  • Lettres de l'Inde, reportagem (1991).
  • L'Amour de la femme vénale, ensaio (1994).
  • Combats esthétiques, crítica de arte (1993).
  • Correspondance générale (Correspondência geral), 2 vol., (2003-2005).
  • Combats littéraires, crítica literária (2006).
  • Mémoire pour un avocat, novela (2007).

[editar] Estudios

  • Reginald Carr, Anarchism in France - The Case Octave Mirbeau, Manchester, 1977.
  • Pierre Michel e Jean-François Nivet, Octave Mirbeau, l'imprécateur au cœur fidèle, Librairie Séguier, Paris, 1990.
  • Pierre Michel (ed.) : Octave Mirbeau, Presses Universitaires d'Angers, 1992.
  • Pierre Michel, Les Combats d'Octave Mirbeau, Annales littéraires de l'Universté de Besançon, 1995.
  • Christopher Lloyd, Mirbeau's fictions, Durham University Press, 1996.
  • Samuel Lair, Mirbeau et le mythe de la nature, Presses Universitaires de Rennes, 2004..
  • Pierre Michel (ed.) : Un moderne : Octave Mirbeau, Eurédit, Cazaubon, 2004.
  • Cahiers Octave Mirbeau, 1994-2007, 14 n°, 5000 p.

[editar] Citações

  • "Os cordeiros våo ao matadouro. Nada dizem, nada esperam. Mas ellos ao menos nåo votam no açougueiro que os matará, e no burguês que os comerá. Mais besta que as bestas, mais ovino que os ovinos, o eleitor nomeia seu açougueiro e escolhe seu burguês. Fez revoluções para conquistar esse direito." (A Greve dos Eleitores).
  • "A podridão é a eterna ressurreição da vida." (O Jardim dos suplicios)
  • "Vejo o universo como um imenso, inexorável jardim de torturas - paixões, ganância, ódio e mentiras. As leis, as instituições sociais, a justiça, o amor, a glória, o heroísmo e a religião - estes são seus monstruosos ornamentos e os terríveis instrumentos do eterno sofrimento humano." (O Jardim dos suplicios)
  • "A natureza está constantemente gritando com todas as suas formas e aromas: ame! ame! Faça como as flores. Só existe o amor." (O Jardim dos suplicios)
  • "Quando se lhe arrancam os véus e a exibem nua, a alma do homem emite o doloroso aroma da decadência." (Diário de uma criada de quarto)
  • "O ridículo não existe ; os que ousaram desafiá-lo de frente conquistaram o mundo."
  • "O maior perigo das bombas é a explosão de estupidez que elas provocam."
  • "Vamos apenas falar sobre o tratamento das flores, visto que a arte e a literatura são bastante maçantes. Apenas a terra tem importância e amo-a como se ama uma mulher."

[editar] Ligações externas

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