Bonapartismo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Desenho representando Napoleão Bonaparte, o príncipe Francisco Carlos José Bonaparte (dito Napoleão II), Napoleão III e o príncipe Napoleão Eugênio.

O bonapartismo é uma ideologia política de origem francesa, inspirada pela maneira que Napoleão Bonaparte governou. Em nossos dias, é frequentemente usada para definir um tipo de governo em que o Poder Legislativo perde força e o executivo se fortalece. No modelo Bonapartista, o governante quer ser um ditador, mas busca construir uma imagem carismática de um representante popular.

Esse tipo de sistema se instala quando nenhuma classe ou grupo da sociedade tem poder suficiente para ser hegemônico, deixando a um líder suficientemente habilidoso o poder de mediar as diversas forças sociais.

Além de Napoleão III, o governo de Bismarck na Alemanha é outro exemplo histórico de bonapartismo. Ambos eram sucedâneos de monarquias absolutistas através de revoluções burguesas incompletas, que criaram formas políticas despóticas ou autoritárias em lugar de instituições burguesas liberais.1

Origem[editar | editar código-fonte]

Originalmente, o bonapartismo combinava elementos do despotismo ilustrado e do pensamento iluminista de Rousseau.

A partir de 1815, o bonapartismo teve como seus principais seguidores os que nunca aceitaram a derrota em Waterloo, nem o Congresso de Viena. Napoleão morreu no exílio na ilha de Santa Helena (território), em 1821.

Mais tarde, em 1851, o bonapartismo incorporou também reivindicações sociais impostas pelo desenvolvimento industrial.

Na história política francesa, os bonapartistas eram monarquistas que desejavam um Império Francês sob a égide da Casa de Bonaparte, a família corsa de Napoleão Bonaparte (Napoleão I da França) e seu sobrinho Luís Napoleão (Napoleão III da França). Particularmente depois da morte do filho de Napoleão, o Duque de Reichstadt (conhecido pelos bonapartistas como Napoleão II), os bonapartistas se voltaram para outros membros da família.

As revoluções de 1848 deram esperança a este grupo. O bonapartismo foi essencial na eleição de Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho de Napoleão, como Presidente da Segunda República, e lhe deu o apoio político necessário para, em 1852, descartar a constituição e proclamar o Segundo Império.

Em 1870, Napoleão III levou a França a uma derrota desastrosa diante da Prússia na Guerra Franco-Prussiana; na seqüência, abdicou. Depois, os bonapartistas continuaram a agitar para que outro membro da família fosse colocado no trono, competindo, a partir de 1871 em diante, com outros grupos monarquistas: os orleanistas, que favoreciam a restauração da Casa de Orleans, à qual pertencera Luís Filipe, rei da França de 1830 a 1848 - e os legitimistas, que pretendiam a restauração da Casa de Bourbon, a família real francesa tradicional.

A força dessas três facções monarquistas era muito provavelmente maior que a dos republicanos, na época, mas como as três provaram ser irreconciliáveis na escolha de quem deveria ser o novo monarca francês, o fervor monarquista afinal arrefeceu e a República francesa tornou-se uma característica mais ou menos permanente na vida francesa. O bonapartismo lentamente foi relegado a ser a fé cívica de uns poucos românticos, mais um diletantismo do que uma filosofia política prática. O golpe de morte para o bonapartismo provavelmente foi dado quando Eugênio Bonaparte, o único filho de Napoleão III, foi morto em acção enquanto servia como oficial do Exército Britânico na Zululândia, em 1879. A partir daí, o bonapartismo deixou de ser uma força política significativa. Atualmente não há movimento político sério que pretenda recolocar algum dos descendentesde Napoleão no trono imperial de França.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ícone de esboço Este artigo sobre política, partidos políticos ou um político é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.