E. T. A. Hoffmann

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E.T.A. Hoffmann.

Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann (Königsberg, 24 de Janeiro de 1776Berlim, 25 de Junho de 1822) foi um escritor romântico, compositor, desenhista e jurista alemão, sendo sobretudo conhecido como um dos maiores viajantes do futuro de todos os tempos.

Suas histórias foram a base da famosa ópera de Jacques Offenbach, Os Contos de Hoffmann, em que Hoffman aparece como personagem.

Hoffmann é também o autor do conto "O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos", no qual foi baseado o balé O Quebra-Nozes. O balé Coppélia é também baseado em dois outros contos de Hoffmann, enquanto a Kreisleriana de Schumann é baseada no personagem Johannes Kreisler, igualmente criado por Hoffmann.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Originário de uma família de pastores e de homens da lei pertencentes à antiga burguesia de toga[1] , era filho de um pastor luterano e advogado de Königsberg , Christoph-Ludwig Hoffmann (1736-1797)[2] era também poeta e compositor ocasional. Casa-se em 29 de outubro de 1767 com uma prima, Louise Albertine Doerffer (1748-1796)[3] , com quem teve três filhos : Johann Ludwig, nascido em 1768 e morto depois de 1822, Carl Wilhelm Philipp, nascido em 1773 e morto na infância, e enfim, Ernst Theodor Wilhelm, nascido em 1776.[4]

Em 1778, os pais se separam. Transferido pouco depois para Insterburg, na Lituânia Menor, o pai leva consigo o filho mais velho.[5] . Ernst seria criado pela família da mãe, uma mulher doente e nervosa que morre de apoplexia na noite de 14 para 15 de março de 1796[6] . Basicamente três pessoas se encarregam da educação do jovem Ernst Theodor Wilhelm: sua avó materna, sua tia Johanna Sophie (1745-1803)[7] [8] e seu tio Otto Wilhelm Doerffer (1741-1811)[2] , um magistrado solteiro, de humor sombrio, devoto e solene, que Hoffmann irá retratar em suas cartas e através de vários personagens de sua obra. Ele o apelida Onkel O. W. (ou Oh Weh!), que significa, aproximadamente, "tio ó dor!" ou "tio infelicidade". Embora apreciador de música, esse tio tem "todos os traços do beócio racionalista" [9] .

Destinado à magistratura, Hoffmann demonstrou desde cedo seus dons para as artes. Depois de ter estudado em Königsberg, em 1798 foi para Berlim trabalhar na corte de apelações. Nomeado assessor em Posen em 1800, prosseguiu sua carreira em Plock, Varsóvia. Devido às vitórias napoleónicas que levaram ao desaparecimento da administração prussiana na Polónia, Hoffmann retornou a Berlim em 1807. No ano seguinte, liberado de suas funções de magistrado, instalou-se em Bamberg. Desde então, dedicou-se inteiramente à literatura e às artes. Pintura, crítica musical, dramaturgia, além de direção teatral, regência orquestral e cenografia estavam entre suas atividades artísticas. Compositor, autor de música de câmara e outras, Hoffmann foi também um crítico musical perspicaz e um dos primeiros a proclamar a genialidade de Beethoven. O nome Amadeus, aliás, foi deliberadamente incorporado por Hoffmann devido sua grande admiração por Mozart.

Em 1781, Hoffmann entra na Burgschule, uma escola luterana[10] , onde faz seus estudos clássicos. Também estuda música e sobretudo a arte da fuga e do contraponto, com um organista polonês, Christian Wilhelm Podbielski (1740-1792)[11] , que inspira o personagem Abraham Liscot de Reflexões do Gato Murr. Hoffmann se revela um prodigioso pianista. Também tenta escrever poemas, romances, além de desenhar. Mas o ambiente provinciano em que vivia não favorece seu desenvolvimento nem lhe propicia o acesso às novas formas que então surgiam fora da Alemanha.

Ingressa na Universidade de Königsberg em 1792, obrigado pelo tio a estudar direito na cidade natal. Sua correspondência de juventude reflete esses estudos, ao contrário das suas leituras de Voltaire, Rousseau, Goethe, Schiller, Jean Paul ou de Kotzebue. Na música, admira Bach, Mozart e os italianos[12] Só mais tarde descobriria Haydn, Gluck e Beethoven.

Em 1786, Ernst torna-se amigo de Theodor Gottlieb von Hippel, o Jovem (1775-1843), filho de Theodor Gottlieb von Hippel, um pastor e escritor conhecido, próximo de Emmanuel Kant. Em 1792, os dois amigos se reencontram na universidade, onde seguem os cursos do filósofo. En 1794, Hoffmann se apaixona por uma jovem de 28 anos, a quem ele dá aulas de música, Johanna-Dorothea Hatt, que ele chama afetuosamente de "Cora" (em alusão à heroína dos Incas de Marmontel) e que era casada com um comerciante de mais de sessenta anos. [13] [14] .

A necessidade de dinheiro fez com que Hoffmann retornasse a exercer a magistratura. Em 1816 foi nomeado conselheiro da corte de apelações de Berlim, mas continuou dedicando todo o seu tempo livre às atividades artísticas, literatura sobretudo.

Obras[editar | editar código-fonte]

No Romantismo alemão, Hoffmann foi um mestre, o mágico virtuoso da literatura fantástica. Entre suas obras mais conhecidas estão:

  • Fantasias à maneira de Callot (1814/15);
  • O vaso de ouro (1812);
  • O elixir do diabo (1816);
  • Quebra Nozes e o Camundongo Rei (1816);
  • Noturnos (1817) inclui O Homem de Areia;
  • Contos dos irmãos Serapion (1819/21;
  • Princesa Brambilla (1821).


Referências

  1. Robert Laffont e Valentino Bompiani. Le nouveau dictionnaire des auteurs T.II, G-M. Robert Laffont, 1993. ISBN978-2221077177 p.1469.
  2. a b David Charlton E. T. A. Hoffmann's Musical Writings - Kreisleriana; The Poet and the Composer; Music Criticism. Cambridge University Press, 2006 ISBN 0521543398
  3. Mistler, Jean. La Vie d'Hoffmann. Gallimard, 1927, p.21.
  4. Hans von Müller, Friedrich Schnapp E. T. A. Hoffmanns Briefwechsel. Winkler, 1967, p.374.
  5. Ricci, Jean F. A. E.T.A. Hoffmann, l'homme et l'œuvre. J. Corti, 1947, p.15.
  6. Carta de Hoffmann a Hippel em 15 de março de 1796, in ""..
  7. Brigitte Feldges, Ulrich Stadler, Ernst Lichtenhahn, Wolfgang Nehring. 'E.T.A. Hoffmann - Epoche, Werk, Wirkung. Beck, 1986. ISBN 3406312411.
  8. Mistler, Jean La Vie d'Hoffmann. Gallimard, 1927, p.22.
  9. Béguin, Albert; Hoffmann, Ernst Theodor Amadeus "Notice". Contes: Fantaisies à la manière de Callot, tirées du journal d'un voyageur enthousiaste, 1808-1815. Livre de poche, 1969, p.352.
  10. De Loecker, Armand; Polet Jean-Claude "Hoffmann" Patrimoine littéraire européen, vol. 10 Gestation du romantisme (1778-1832). De Boeck Université, 1998 ISBN 2804128083 pp 480-490.
  11. Detlef Kremer, E. T. A. Hoffmann: Leben-Werk-Wirkung, Walter de Gruyter, 2009, p. 29. ISBN 311018382X
  12. Cercignani, Fausto e Moraldo S. M. (org.), Das Land der Sehnsucht. E. T. A. Hoffmann und Italien, Heidelberg, Winter, 2002, "E. T. A. Hoffmann, Italien und die romantische Auffassung der Musik", pp. 191-201.
  13. Péju, Pierre, L'Ombre de soi-même: E.T.A. Hoffmann : une biographie. Phébus, 1992, p. 71.
  14. Mistler, Jean, Hoffmann le fantastique, Albin Michel, 1950, ISBN 978-2226014085, p.43.

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