Efeito ideomotor

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William Carpenter, o primeiro a nomear o efeito ideomotor

Efeito ideomotor é o nome dado à influência da sugestão sobre movimentos corporais involuntários e inconscientes. O fenômeno foi originalmente descrito pelo naturalista britânico William Benjamin Carpenter em 1852, em um artigo sobre radiestesia.[1] Porém, o químico francês Michel Chevreul havia se deparado com a mesma idéia já em 1808.[2]

Experimentos envolvendo o efeito ideomotor[editar | editar código-fonte]

O experimento de Michel Chevreul[editar | editar código-fonte]

Em 1808, um químico chamado Gerboin de Estrasburgo escreveu um livro sobre a utilização de pêndulos para realizar análises químicas. O método consistia em manter um pequeno anel de metal, seguro por um cordão delgado sobre uma placa inscrita com as letras do alfabeto. O anel supostamente se moveria em direção às letras da substância a ser examinada, da mesma forma em que hoje o tabuleiro Ouija responde as perguntas de participantes das sessões.

Michel se espantou com os resultados dos testes com o novo método, a princípio surpreendentes, mas manteve-se cético. Inicialmente, ele utilizou o pêndulo sobre uma placa de mercúrio e observou que o pêndulo continuava funcionando. Em uma segunda etapa, percebeu que quando o mercúrio era coberto por uma placa de vidro, o anel de metal diminuia seu movimento até parar. Finalmente, repetiu a primeira experiência com os olhos vendados, pedindo a um assistente para colocar e retirar a placa de vidro sem que ele soubesse. O resultado foi que o anel não se movia, não importando se havia ou não a placa de vidro.

Como conclusão para o experimento, Michel escreveu: "Enquanto eu acreditava que o movimento era possível, ele aconteceu; mas depois de descobrir suas causas eu não conseguia mais reproduzí-lo". De acordo com ele, seus experimentos mostram como é fácil "ver ilusões como verdades, sempre que somos confrontados com fenômenos em que os sentidos humanos estão envolvidos em situações mal analisadas"[2] .

O experimento de Michael Faraday[editar | editar código-fonte]

Michael Faraday (Arthur Shuster & Arthur E. Shipley: Britain's Heritage of Science, 1917)

O físico inglês Michael Faraday envolveu-se em um amplamente divulgado experimento envolvendo as mesas girantes em 1853. Neste fenômeno, pessoas se sentavam em torno de uma mesa redonda com as mãos sobre ela, e, depois de algum tempo, a mesa inclinava-se sobre uma de suas pernas, chegando a mover-se pela sala. Segundo os espíritas, os movimentos são causados por espíritos desencarnados.[3] [4]

Faraday convidou algumas pessoas que considerava sérias e que haviam participado com sucesso de sessões com a mesa girante. Ele preparou a mesa cobrindo-a com uma pilha de folhas, presas por um elástico. As folhas se moviam facilmente, de forma que ficava possível identificar a origem dos movimentos. Assim, Faraday queria isolar a origem do movimento: a mesa ou as mãos dos participantes.

Segundo Faraday, se a mesa fosse a origem dos movimentos e se movesse da direita para a esquerda, as folhas formariam uma escada subindo da esquerda para a direita, já que a folha em contato com a mesa seria a primeira a se mover. As outras folhas, devido ao atrito com as inferiores, também se moveriam, mas seriam retardadas pelo atrito com as mãos dos participantes do experimento.

Como o físico esperava, o que aconteceu foi o contrário: se a mesa se movia para a esquerda, as folhas formavam uma escada para a esquerda e vice-versa, supostamente denunciando que o movimento partia das mãos dos participantes[2] .[5]

O experimento de Ray Hyman[editar | editar código-fonte]

O professor de psicologia Ray Hyman, da Universidade do Oregon, realizou em 1992 um experimento com a finalidade de demonstrar como funciona o efeito ideomotor. Primeiramente, explicou a um grupo de alunos o funcionamento das varinhas de radiestesia em L. Então, andou pela sala, fazendo com que as varinhas se encontrassem em um lugar arbitrário. Depois, pediu para os alunos repetirem a experiência, dizendo que naquele local provavelmente se encontrava uma tubulação de água: quase todos sentiram uma força incomum que fazia com que as varinhas se cruzassem naquele mesmo local. Então, repetiu exatamente a mesma experiência para outro grupo, mas fazendo as varinhas se cruzarem em outro ponto arbitrário. O resultado foi que as varinhas dos alunos se cruzaram também no ponto em que eles acreditavam que elas se cruzariam[2] [5] .

Consequências[editar | editar código-fonte]

Céticos e cientistas utilizam as demonstrações do efeito ideomotor para explicar fenômenos como os Tabuleiros Ouija, as mesas girantes e vários fenômenos relacionados a radiestesia. O famoso debunker americano James Randi oferece um prêmio de um milhão de dólares a quem provar habilidades paranormais; no rol dos participantes, a grande maioria é de radiestesistas; os experimentos para provar as habilidades dos candidatos são baseados nas ideias dos cientistas que estudaram o efeito ideomotor[5] [6] .

Porém, o efeito ideomotor se manifesta em ocasiões de rotina, como quando, durante uma partida de futebol, "chutamos a poltrona quando o atacante hesita diante do gol" ou quando "procuramos o pedal do freio a cada manobra arriscada do amigo que está no volante"[5] .

Críticas[editar | editar código-fonte]

Mesas girantes na Inglaterra vitoriana

Espiritualistas e até mesmo alguns cientistas não consideram o efeito ideomotor suficiente para explicar muitos fenômenos parapsicológicos. A associação de radiestesia do Canadá afirma que o efeito radiestésico é provocado pela intuição de quem segura as varinhas, que funcionariam como antenas, aumentando a percepção humana.[7] Outras explicações envolvem anomalias magnéticas ou elétricas, em que a condutividade da pele é um fator predominante.[8]

Alfred Russel Wallace, co-fundador da Teoria da Evolução com Charles Darwin, acreditava que os experimentos de Faraday com as mesas girantes não eram suficientes para explicar o fenômeno. Ele participou de várias sessões das mesas girantes e observou que "há um poder obscuro revelado pelos corpos das pessoas, quando se coloca as mãos sobre uma mesa e nos conectamos através dela".[9] Wallace também disse ter presenciado situações em que as mesas levitaram durante algumas sessões.

George P. Hansen, em um artigo acadêmico para o Journal of the Society for Psychical Research, fez uma compilação de vários experimentos envolvendo a radiestesia. O resultado a que chegou foi inconclusivo, devido a muitas fraudes e experimentos mal conduzidos e mal documentados.[10]

Referências