Estádio da Luz (1954)

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O Estádio da Luz foi um estádio multi-usos situado em Lisboa, Portugal, utilizado pelo clube Sport Lisboa e Benfica entre 1954 e 2003. Foi inaugurado simbolicamente a 1 de dezembro de 1954 e tinha uma capacidade aproximada para 120 000 pessoas, sendo na altura o maior estádio da Europa e o terceiro maior do Mundo. A demolição do estádio inciou-se em 2002 para dar lugar ao novo Estádio da Luz, construído imediatamente a sudoeste do antigo.


Estádio da Luz
Estadiobenfica.jpg
Estádio da Luz
Nomes
Nome Estádio do Sport Lisboa e Benfica
Apelido Estádio da Luz, A Catedral
Antigos nomes Estádio de Carnide (durante as fases de projecto e construção)
Características
Local Lisboa, Portugal
Gramado Relva (natural) (105 x 68 m)
Capacidade 120 000 (78 000 após colocação de assentos individuais)
Construção
Data 1953–1959
Custo 12 milhões de escudos (valores de 1954)
Inauguração
Data 1 de dezembro de 1954
Partida inaugural Benfica 1 x 3 Porto (1 de dezembro de 1954)
Recordes
Público recorde 135.000
Data recorde 4 de janeiro de 1987
Partida com mais público Benfica 3 x 1 Porto
Outras informações
Remodelado 1960, 1985, 1991
Expandido 1960, 1985
Fechado 22 de Março 2003
Demolido 2003
Proprietário Sport Lisboa e Benfica
Arquiteto João Simões

Antes do Estádio[editar | editar código-fonte]

Desde a formação do clube, em 1904, o Benfica tinha jogado sempre em campos arrendados, tais como as Terras do Desembargador (1905–1906), Campo da Feiteira (1908–1911), Campo de Sete Rios (1913–1917), Campo de Benfica (1917–1922), e o Estádio do Campo Grande, construído em terrenos arrendados ao histórico rival Sporting (1941–1954). O Estádio das Amoreiras (1925–1940), um recinto com capacidade para 20 000 adeptos, pertencia ao clube, mas foi demolido para dar lugar à Avenida Duarte Pacheco.[1] [2]

Após um longo processo negocial com a Câmara Municipal de Lisboa, foi finalmente estabelecido, a 17 de Maio de 1946, que o clube iria abandonar o espaço arrendado no Campo Grande e regressar à freguesia de Benfica. O então Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, é citado como tendo dito: "O Benfica é de Benfica, e é para lá que deverá regressar"[3]

Os Anos da Construção[editar | editar código-fonte]

Foi identificado um terreno apropriado, com boas acessibilidades e espaço para futuras expansões, perto da Igreja e Largo da Luz, no extremo nordeste da freguesia de Benfica. "Luz" era a paróquia histórica da Igreja de Nossa Senhora da Luz. No entanto, estando situado no limite entre os bairros de Benfica e de Carnide, o novo estádio foi inicialmente designado de "Estádio de Carnide".

Tinha sido sempre objectivo do clube ser proprietário, não só do estádio, mas também dos terrenos onde este foi erigido, mas inicialmente os terrenos foram cedidos em direito de superfície pela câmara. A aquisição plena dos terrenos apenas se deu em 1969. Os projectos do estádio tinham sido elaborados a partir de finais dos anos 1940 por João Simões, antigo jogador do clube.

Motivados pelo presidente do clube, Joaquim Bogalho, os sócios suportaram uma quota suplementar destinada a custear a construção do novo estádio, para além de terem contribuído generosamente com doações ou mesmo através do trabalho no estaleiro durante fins-de-semana. Foi mesmo realizada uma "campanha do cimento", através da qual foram oferecidas ao clube grandes quantidades de sacos de cimento…

Os trabalho de construção iniciaram-se oficialmente a 14 de junho de 1953. Menos de dois anos mais tarde, e a um custo de 12.037.638 escudos, o estádio foi inaugurado finalmente no 1 de Dezembro de 1954 (feriado nacional e data simbólica por ser comemorativa da vencedora Restauração da Independência de Portugal), perante uma casa-cheia de 40 000 adeptos, num jogo inaugural efectuado perante os rivais F.C. Porto. A partida terminou com a vitoria do F. C. Porto, por 3-1.

Melhoramentos[editar | editar código-fonte]

O estádio foi inaugurado com uma capacidade para 40 000 adeptos, em dois anéis completos, mas o continuado êxito desportivo do Benfica durante os anos 1950 e, especialmente, 60 (os "anos de ouro"), a necessidade de aumentar a capacidade tornou-se evidente.

A primeira fase de construção do famoso "Terceiro Anel" foi concluída em 1960, e incrementou a capacidade para 70 000. A iluminação artificial havia sido introduzida dois anos antes.

O "fecho" do terceiro anel foi concluído em 1985, passando a capacidade oficial do estádio para 120 000. Dada a inexistência de lugares individuais até meados dos anos 1990, este número foi mesmo ultrapassado em algumas ocasiões. O "jogo do título", realizado frente ao F.C. Porto a 4 de janeiro de 1987, teve uma assistência estimada de 135 000 espectadores, a semi-final da então Taça dos Campeões Europeus contra o Marselha em 1990 teve cerca de 130 000 espectadores, e a final do Campeonato Mundial de Futebol Sub-20 de 1991 entre Portugal e Brasil, teve uma assistência oficial de 127 000 espectadores.

A introdução de assentos individuais, em meados dos anos 1990, reduziu a capacidade do estádio para cerca de 78 000.

Em 1992 foi criada a loja desportiva e um conjunto de restaurantes.

O Fim[editar | editar código-fonte]

Após o conturbado período experimentado pelo futebol do Benfica durante os anos 1990, tanto a nível de resultados desportivos como a nível financeiro, o clube teve de ponderar como enfrentar a candidatura ganha pela Federação Portuguesa de Futebol para a realização do Campeonato Europeu de Futebol de 2004.

De início, foi ponderada a realização de extensas obras de adaptação e modernização do velho estádio, incluindo a cobertura integral das bancadas. Dois projectos, ambos do Arquitecto Tomás Taveira, chegaram mesmo a ser apresentados aos sócios, mas acabaram por ser abandonados. Durante um breve período de tempo, foi mesmo considerada a retirada da candidatura do estádio do clube da lista de estádios anfitriões do campeonato.

Finalmente, a 28 de Setembro de 2001, a Assembleia Geral de Sócios do clube votou favoravelmente a construção do novo estádio. Não se tratou de uma decisão fácil, dado que a velha "Catedral" teria de ser demolida para dar lugar ao novo complexo. A solução foi, no entanto, considerada necessária para assegurar a sustentabilidade financeira do projecto e do clube. Na proposta aprovada podia ler-se: "A Direcção decidiu apresentar aos associados a construção de um novo estádio, tendo plena consciência de que esta se trata da solução que melhor serve os interesses e aspirações do clube, sendo económica e financeiramente sustentável, e permitirá aos associados muito melhores condições nas quais seguir os eventos desportivos do clube, em particular da equipa de futebol, e reavivar a sua base de suporte."

Foi num estádio parcialmente demolido (a bancada sul havia já sido retirada para permitir a construção do novo estádio) que a equipa jogou parte da sua última temporada. Foi perante um estádio cheio (com a capacidade reduzida para cerca de 50 000 adeptos) que o último jogo se efectuou, a 22 de Março de 2003. Tratou-se do jogo da 26ª ronda do Campeonato Nacional, onde o clube enfrentou o Santa Clara. O jogo foi vencido pelo Benfica, com um golo de penálti convertido por Simão Sabrosa.

Tendo terminado a época jogando os seus jogos caseiros no Estádio Nacional, o clube entrou numa nova fase da sua longa vida com a inauguração da "Nova Catedral", a 25 de Outubro de 2003. O novo estádio viria a albergar a final do Campeonato Europeu de Futebol de 2004 menos de um ano mais tarde.

Nomes[editar | editar código-fonte]

-Estádio do Sport Lisboa e Benfica: Tal como o novo estádio, o antigo tinha esta designação oficial.

-Estádio de Carnide: De início, dada a localização do estádio, este era conhecido como o "Estádio de Carnide", principalmente durante as fases de projecto e obra.

Todos os nomes que se seguem eram utilizados para designar o estádio antigo e são actualmente utilizados em relação ao novo:

-Estádio da Luz: Luz é o nome dado à área dos bairros de Benfica e Carnide situada imediatamente a norte do estádio.

-"A Catedral". Nas campanhas realizadas para a venda de lugares cativos e camarotes do novo estádio, este era designado de "A Nova Catedral". No entanto, os adeptos referem-se ao estádio simplesmente como "A Catedral", tal como o faziam relativamente ao antigo.

-"O Inferno da Luz": era a designação dada ao efeito intenso provocado pelo estádio cheio com 120 000 adeptos.

-"O Terceiro Anel": o novo estádio tem uma configuração de 3 anéis sobrepostos, semelhante à do anterior, juntamente com um anel intermédio composto exclusivamente por camarotes. O anel superior de bancadas mantém correntemente a designação de "Terceiro Anel", apesar de inicialmente ter sido promovido como o "quarto anel". A expressão "Terceiro Anel" é igualmente utilizada para designar o conjunto de adeptos ferrenhos que enchem o estádio. São conhecidos pelo seu apoio quase ferveroso à equipa (gerando o referido "Inferno da Luz"), mas também por, ocasionalmente, mostrarem o seu descontentamento com exibições menos conseguidas da equipa.

O antigo estádio é actualmente recordado como "O Velho Estádio" ou "A Velha Catedral".

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. A Luz não se apaga, Prefácio, Prime Books, 2003 (ISBN 972-8820-07-0)
  2. Sport Lisboa e Benfica 100 gloriosos anos - A História 1, Edição e Conteúdos, S.A., 2003 (ISBN 989-554-099-X)
  3. Sport Lisboa e Benfica 100 gloriosos anos - A História 1, pp.84, Edição e Conteúdos, S.A., 2003 (ISBN 989-554-099-X)

Ver também[editar | editar código-fonte]

38° 45′ N 9° 10′ W

Precedido por
Estádio De Kuip
Roterdão
Taça dos Clubes Vencedores de Taças
Final

1992
Sucedido por
Estádio de Wembley
Londres