Fibrilação auricular

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Fibrilação auricular
Classificação e recursos externos
CID-10 I48.i
CID-9 427.31
DiseasesDB 1065
MedlinePlus 000184
MeSH D001281
Star of life caution.svg Aviso médico

Fibrilação auricular ou fibrilação atrial, é uma arritmia cardíaca em que o estímulo elétrico que inicia o ciclo cardíaco não se origina no nódulo sinusal mas sim no miocárdio auricular.

Etiologia[editar | editar código-fonte]

A fibrilação auricular é característica em pessoas idosas, sendo bastante frequente e bem tolerada. Surge devido a envelhecimento do nódulo sinusal, que nas fases intermediárias se denomina "doença do nódulo sinusal" e posteriormente dá origem à fibrilação auricular permanente. Pode ser causada por patologias que provocam uma importante dilatação com sobrecarga das aurículas, nomeadamente a estenose mitral e a regurgitação mitral).

Fisiopatologia[editar | editar código-fonte]

Trata-se uma actividade elétrica caótica, irregular e muito rápida de cerca de 350 a 600/min. Felizmente muitos destes estímulos não conseguem ser transmitidos aos ventrículos pois ao chegarem ao nódulo aurículo-ventricular encontram-no em período refratário e são bloqueados a este nível. Havendo uma anarquia eléctrica, não existe uma contração em massa do miocárdio auricular, há um enchimento ventricular deficiente e perde-se cerca de 20% do débito cardíaco.[1]

Condução
Ritmo sinusal
Heart conduct sinus.gif
Fibrilação auricular
Heart conduct atrialfib.gif

Em muitos casos (sobretudo no idoso) um episódio é desencadeado por uma extrassístole supraventricular principalmente se ela tiver origem na desembocadura das veias pulmonares.[2]

A fibrilação auricular pode ser

  • paroxística - episódios de arritmia que se resolvem espontaneamente -
  • persistente - que tem duração prolongada, mas também se resolve espontaneamente -
  • permanente, quando não há retorno ao ritmo normal.


Sintomas[editar | editar código-fonte]

Quando surge subitamente um episódio de fibrilação auricular paroxística, o paciente sente dispneia e cansaço, podendo, dependente da patologia cardíaca associada, desencadear um pré-edema pulmonar. Isto deve-se à perda súbita de cerca de 20% do débito cardíaco. Pode haver uma diminuição da pressão arterial, mas não muito significativa, pois a diminuição do débito cardíaco leva de imediato a uma vasoconstrição periférica de modo a manter um equilíbrio entre o volume vascular (continente) e o seu enchimento (conteúdo). O paciente pode sentir palpitações ou um tremor sobre a região précordial. Muitas vezes é assintomático. Quando já existem sintomas por doença cardíaca pré-existente, o aparecimento da fibrilação auricular vai agravar esses sintomas. A fibrilação auricular é frequente no pós operatório de algumas cirurgias cardíacas. É extremamente raro que a fibrilação auricular leve a um estado de choque cardiogénico.[3]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é suspeito quando em presença de um paciente com cardiopatia de agravamento recente, ou num idoso que tem surtos de grande cansaço e dispneia, pelo exame do pulso carotídeo, já que o pulso radial é irregular, difícil de sentir (pulso filiforme, devido ao baixo débito) e muito bradicárdico (pulso deficitário, pois nem todas as sístoles cardíacas originam débito suficiente para chegar à distalidade dos membros). O diagnóstico deve ser sempre feito pelo Electrocardiograma ECG.

Complicações[editar | editar código-fonte]

O maior risco da FA são os quadros de embolia periférica, mais frequentemente cerebral. Ocorrem pela formação de trombos dentro das aurículas, mas sobretudo dentro dos apêndices auriculares ou aurículos. A agregação plaquetária é grande dentro dessas cavidades onde o sangue estagna devido à falta de contração das aurículas. Este risco existe sobretudo nos casos de fibrilação paroxítica e é quando o nódulo sinusal retoma o comando que os coágulos são ejectados para a aorta e desta seguem pelas carótidas em direção ao cérebro. É a uma das causas mais importantes de acidente vascular cerebral da pessoa idosa. Na meia idade, os pacientes de maior risco são os portadores de doenças da válvula mitral.[4]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento depende da patologia co-existente e da idade do paciente.

  • o uso permanente de anticoagulantes nos pacientes com patologia da válvula mitral.
  • Administração de bloqueadores dos canais de cálcio do grupo das Fenilalquilaminas, "Verapamilo" (bloqueiam os focos ectópicos auriculares) na prevenção do aparecimento das extrassístoles que desencadeiam os episódios.
  • Os digitálicos ajudam a manter uma resposta ventricular menos irregular
  • Os antiagregantes plaquetares nas pessoas idosas com fibrilação auricular permanente
  • Em pacientes jovens, pode tentar-se a ablação, que consistem na aplicação, com o uso de cateteres, de ondas de rádio de alta freqüência nas áreas próximas à junção da veia pulmonar com o átrio, bloqueando o focos que originam as extrassístoles que desencadeam a fibrilação.
  • Dado o risco de embolia, a desfibrilação só deve ser feita se a resposta for muito rápida e difícil de reverter, com edema pulmonar grave, o que não é muito frequente, e sempre após anticoagulação intra-venosa (heparina). Está reservada aos casos de colapso hemodinâmico (instabilidade tensional, choque). Cargas iniciais de 200 Joules geralmente revertem o ritmo desordenado ao normal. Após o episódio inicial, o risco de recorrências é alto, como ou sem controlo dos fatores que podem perpetuar a fibrilação como o hipertiroidismo ou a cafeína que aumentam as possibilidades de aparecimento das extrassístoles supraventriculares.


Referências

  1. H. Harold Friedman, Diagnostic Electrocardiography and Vectorcardiography, Mcgraw-Hill, 3rd edition (January 1985) ISBN 978-0070224278
  2. Shih-Ann Chen, http://circ.ahajournals.org/content/100/18/1879.full, acesso 04-Novembro-2012
  3. Braunwald, Tratado de Cardiologia 8e. edição espanhola, Elsevier, 2009 ISBN-13: 978-8480863766
  4. Braunwald, Tratado de Cardiologia 8e. edição espanhola, Elsevier, 2009 ISBN-13: 978-8480863766