Geminiano Saback

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Geminiano Saback
11º Prefeito de Jequié Jequié
Período de governo 1928 até 1930
Antecessor(a) João Carlos Borges
Sucessor(a) Gustavo dos Santos
Vida
Nascimento segunda metade do século XIX
interior da Bahia
Morte final dos anos 30
Jequié (Bahia)
Nacionalidade judeu Israel e brasileiro Brasil
Dados pessoais
Profissão comerciante e político

Geminiano Saback (interior da Bahia, segunda metade do século XIXJequié, Bahia, fins da década de 1930) foi um político brasileiro da República Velha.

Origens[editar | editar código-fonte]

Seu pai, David Saback ou Sabac, foi um imigrante judeu radicado na Bahia em meados do século XIX. Especula-se que era oriundo do Leste Europeu. Porém, há pesquisadores que já afirmam serem os Saback judeus de origem sefardita oriental, e vieram da própria Jerusalém, quando esta se encontrava sob domínio otomano. Ao chegar ao Brasil, a família Saback se estabeleceu primeiro na cidade de Feira de Santana, antes de migrar para outras localidades.

Com a família, Geminiano fixou residência em Jequié ainda jovem, onde se tornou comerciante e depois seguiu a carreira política. Casou nos anos 1900 com a maracaense Anésia Macedo, com quem teve oito filhos. Depois de casado, continuou a residir em Jequié, em casarão situado na esquina da Praça Luís Viana com a Rua da Itália. Nessa época, a descida da Rua da Itália era um beco, somente alargado nos anos 50.

Política[editar | editar código-fonte]

Saback foi eleito intendente (prefeito) para o período 1928-1932. Mas, passados dois anos após a sua posse, foi deposto pelo novo regime, instaurado com a Revolução de 1930. A cidade de Jequié tinha aproximadamente 40.000 habitantes, e uma economia alicerçada no comércio e no cultivo do cacau. Em seu breve governo, é notável a realização de importantes obras:

A balaustrada de Geminiano nos anos 60. Acima dela, o espaço que seria destinado para a prefeitura.

A inauguração desta última, prevista para 1932, não chegou a se concretizar devido a ascensão, no poder, dos revolucionários de 30. O prédio iria exibir uma fachada eclética com leve influência art déco. O objetivo era mostrar uma arquitetura inovadora e moderna para a época, que seria o "espelho" do governo Saback. Apenas uma longa balaustrada, hoje demolida, teve a construção finalizada. A balaustrada formava uma lua crescente (ou a letra C) e era dotada de escadaria central. Não tardou para ser "batizada" pelos inimigos políticos de Colarinho de Saback. Com o tempo, o apelido dado a construção se tornou popular e passou a ser usado inocentemente pelos transeuntes, sem intenção alguma de difamar a imagem de Geminiano.

Na década de 1970, durante a gestão do prefeito Waldomiro Borges, foi inaugurado um belvedere no lugar da antiga balaustrada, recebendo o nome de Belvedere Geminiano Saback.

Características pessoais[editar | editar código-fonte]

Saback ficou conhecido, fisicamente, por ser calvo e possuir olhos azuis acinzentados. Tratando-se de temperamento, era um homem extremamente corajoso e também um tanto colérico. Foi o primeiro prefeito jequieense a promover uma ação de desarmamento no município, contrariando assim, os coronéis que garatiam a posse de terras, ilegalmente, com "exércitos" de jagunços. Também enfrentou e perseguiu os grupos saqueadores, que constantemente perturbavam a paz da cidade. Quando o movimento de 30 se encontrava praticamente vencedor, Geminiano ainda teve a audácia de impedir que o trem, levando tropas revolucionárias, chegasse em Jequié. O maquinista então, se viu obrigado a voltar para Jaguaquara em marcha à ré. Na época, a fama desse episópio correu por toda a Bahia. Assim como os políticos baianos de seu tempo, que eram "governo", Geminiano Saback fez dura oposição a Getúlio Vargas, e por isso foi destituído do cargo de prefeito.

Referências[editar | editar código-fonte]

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]