Hurry Sundown

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Hurry Sundown
O incerto amanhã (BR)
 Estados Unidos
1967 • cor • 146 min 
Direção Otto Preminger
Roteiro Horton Foote
Thomas C. Ryan
K.B. Gilden (livro)
Elenco Michael Caine
Jane Fonda
Faye Dunaway
Género Drama
Idioma Inglês
Página no IMDb (em inglês)

Hurry Sundown (br.: O incerto amanhã) é um filme estadunidense de 1967 do gênero drama, produzido e dirigido por Otto Preminger. O roteiro é de Horton Foote e Thomas C. Ryan e foi baseado no livro homônimo de 1965 de autoria de K.B. Gilden, pseudônimo do casal Katya e Bert Gilden.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Em 1946, o corrupto e oportunista Henry Warren é casado com Julie Ann, herdeira de uma vasta área rural em Riverdale na Geórgia. Ele convence a esposa a vender as terras da família para um grande empreendedor do norte. Mas são cobiçadas também partes remanescentes das terras: a primeira é do primo de Henry, o ex-soldado recém-chegado da Guerra, casado e pai de quatro filhos, Rad McDowell; e a outra é do sitiante negro Reeve Scott, cuja mãe Rose fora ama-de-leite de Julie Ann. Nenhum deles quer vender as propriedades e fazem uma aliança contra as pretenções de Henry. Então ele pede à esposa Julie Ann que interceda e convença Rose a vender. A mulher está muito doente mas diz ao filho Reeve que não quer a venda. Henry insiste e busca o apoio do racista juiz Purcell que fará de tudo para tirar a propriedade de Reeve.

Produção[editar | editar código-fonte]

Otto Preminger recebeu o texto de 1.064 páginas de Gilden de seu irmão Ingo e, acreditando que seria um outro Gone with the Wind, comprou os direitos para cinema por cem mil dólares, oito meses antes da publicação. Ele pensou num filme épico de quatro horas e meia que custaria um dos mais altos orçamentos do cinema americano. Mas quando o livro vendeu pouco mais de 300.000 exemplares, Preminger decidiu por um projeto com menos grandiosidade.[1]

Pela sua admiração do roteiro do livro To Kill a Mockingbird de Harper Lee, Preminger contratou Horton Foote para fazer o mesmo com o livro de Gilden mas o roteirista não ficou entusiasmado e pensou em não aceitar o convite. Foote completou seu trabalho em três meses trabalhando em Londres onde o diretor estava mas Preminger não gostou, achando que faltara o melodrama e teatralidade que a história precisava. Ele pagou Foote e o demitiu, mesmo que mais tarde insistiria em dar-lhe os créditos do roteiro, o que o autor acabou aceitando. (Anos depois admitiu que nunca assistiu o filme e nunca o incluiu em seu curriculo). Preminger substituiu Foote por Thomas C. Ryan, funcionário familiarizado com o gosto do diretor.[2]

Preminger queria que as filmagens fossem todas na Geórgia e em novembro e dezembro de 1965 visitou o estado para buscar locações mas uma disputa sindical mudou seus planos. Dada as filmagens estarem previstas para os escaldantes e úmidos meses de junho a agosto, ele planejara a maior parte do trabalho para a noite. O sindicato de Nova Iorque, que tinha jurisdição na Geórgia, queria pagamento de salários dobrados para filmagens depois das 4 horas da tarde e isso representava um gasto adicional proibitivo para Preminger. O produtor Gene Callahan sugeriu mudar para seu lar ancestral, a Louisiana, mesmo porque ali os sindicatos eram administrados por liberais de Chicago. Baton Rouge e cercanias foram selecionadas e a equipe de Callahan iniciou a plantação de milharais, ergueu barracões e construiu uma represa e um reservatório de 17,5 millões de galões de água.[3]

Desde o começo, Preminger e os atores encontraram forte resistência dos locais, que não viam com bons olhos um filme que mostrava uma amizade interracial em seu meio. Pneus foram danificados, alguns atores receberam ameaças de morte pelo telefone e cruzes queimadas apareceram no set de filmagens. O gerente do hotel não queria "banhos mistos" nas piscinas mas concordou quando o diretor ameaçou abandonar o lugar e não pagar a conta. A polícia estadual foi chamada para realizar a guarda do hotel, fazendo parecer o lugar como uma prisão. Problemas ocorreram até em Nova Orleans, onde houve recusa para a entrada em restaurante. Um franco atirador deu tiros no comboio de carros e caminhões que retornava ao hotel por um caminho arborizado. Robert Hooks mais tarde diria que "Todos nós ficamos convencidos de estarmos cercados por algumas das pessoas mais burras e ameaçadoras da face da Terra, para não dizer as mais covardes."[4]

Ao meio das filmagens, Preminger substituiu o fotógrafo Loyal Griggs por Milton R. Krasner quando Griggs machucou fortemente as costas. Mais tarde baniu o roteirista Ryan do set por conversar com Rex Reed para um artigo publicado no New York Times. Reed chamou o diretor de autocrático, citou Michael Caine como o único feliz enquanto todos a volta se sentiam miseráveis e declarou que Griggs tinha sido despedido por Preminger "num momento de fúria incontrolável". Griggs exigiu e recebeu uma retratação do Times.[5] [6]

Faye Dunaway disse que sentia que Preminger não sabia nada sobre atuação. Ela se ressentia de gritos em público e comentou "Uma vez que cruzam o meu limite, não sou muito de conciliação". Após terminar suas cenas ela quis que Preminger a liberasse de seu contrato que previa cinco filmes com ele. Um acordo foi feito em março de 1968. Dunaway mais tarde admitiu que o negócio lhe custara muito dinheiro e se arrependera mas realmente achava o diretor "horrível".[7] [8]

Premiação[editar | editar código-fonte]

Faye Dunaway venceu o BAFTA de atriz mais promissora por sua atuação aqui e em Bonnie and Clyde.[9] Ela foi indicada ao Golden Globe Award como atriz do ano mas perdeu para Katharine Ross por The Graduate.

Referências

  1. Hirsch, pp. 410-411
  2. Hirsch, pp. 411-412
  3. Hirsch, p. 414
  4. Hirsch, pp. 414-417
  5. Hirsch, pp. 423-424
  6. Preminger, Otto, Preminger: An Autobiography. New York: Doubleday 1977. ISBN 0-385-03480-6, p. 174
  7. Dunaway, Faye, and Sharkey, Betsey, Looking for Gatsby. New York: Simon & Schuster 1998. ISBN 0-671-67526-5, pp. 113-114
  8. Hirsch, pp. 420-422
  9. BAFTA archives

Ligações externas[editar | editar código-fonte]