Incidente da "Mão da Gália"

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França x Irlanda
Evento Eliminatórias da Copa de 2010
(Repescagem europeia)
Primeira partida
Data 14 de novembro de 2009
Local Croke Park, Dublin
Árbitro Alemanha Felix Brych
Público 74.103
Segunda partida
Data 18 de novembro de 2009
Local Stade de France, Saint-Denis
Árbitro Suécia Martin Hansson
Público 79.145

O "Incidente da Mão da Gália" (também conhecido por "Mão de Henry" ou "Mão dos Frog") foi um incidente futebolístico ocorrido no dia 18 de novembro de 2009 no Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris, capital francesa. No jogo envolvendo as seleções da França e da Irlanda, o atacante francês Thierry Henry foi o pivô do "escândalo" ao tocar a bola deliberadamente com a mão para dar a assistência para o gol do zagueiro William Gallas.

Como tudo aconteceu[editar | editar código-fonte]

O primeiro jogo[editar | editar código-fonte]

Irlandeses e franceses se perfilam para ouvir os respectivos hinos nacionais no Croke Park.

Anteriormente, no dia 14 de novembro, irlandeses e franceses se encontraram no Croke Park, em Dublin. O jogo terminou em 1 a 0 para os Bleus (gol marcado por Nicolas Anelka). Um empate bastaria a classificação francesa para a Copa de 2010.

O segundo jogo[editar | editar código-fonte]

A 18 de novembro, a França jogaria a segunda partida contra a Irlanda necessitando apenas do empate. O jogo começou com os irlandeses atadcando enquanto os gauleses tentavam os contra-ataques. O domínio irlandês se confirmou com o gol de Robbie Keane, aos 32 minutos. A partir daí, os verdes se seguravam na defesa, enquanto a França bombardeava o gol de Shay Given.

A "mão de Henry"[editar | editar código-fonte]

Se a Irlanda marcasse mais um gol, se classificaria à Copa de 2010, mas a França impediu os planos dos verdes graças a um lance extremamente polêmico. Após bate-rebate na área após cruzamento feito por Florent Malouda dado no círculo central, Thierry Henry resolve dar uma ajuda colocando deliberadamente sua mão esquerda na bola, e cruzando para o zagueiro Gallas marcar de cabeça, sob os protestos enlouquecidos dos irlandeses, que cercaram o árbitro sueco Martin Hansson, mas ele não voltou atrás e validou o gol, achando que o toque de mão fora "involuntário".

Consequências[editar | editar código-fonte]

O incidente levou a Associação de Futebol da Irlanda (FAI) e do Governo daquele país para a FIFA solicitando que o resultado fosse anulado e que o jogo seja repetido, mas tais apelos foram rejeitados, dois dias depois. A FAI, em resposta, pediu para que a Seleção fosse autorizada a entrar na Copa do Mundo, abrindo uma trigésima-terceira vaga. Henry, visto por muitos no esporte como um jogador extremamente leal, passaria a ser tratado por grande parte dos torcedores (inclusive alguns torcedores da própria França) como "vilão das Eliminatórias" e comparou o lance com a "Mão de Deus", referindo-se ao gol que Maradona fez com a mão na Copa de 1986, e a revista Time colocou o incidente envolvendo "Titi" como uma lista das dez maiores fraudes do esporte.

Henry considerou se aposentar do futebol internacional devido às reações ao jogo, enquanto o árbitro sueco Martin Hansson pensou em nunca mais trabalhar como árbitro.

O resultado acendeu o debate sobre a questão do "fair-play" no futebol, ativamente apoiada pela FIFA com o prêmio Fair Play e o Troféu Fair Play. O jogo também teve uma continuação do debate sobre a introdução do vídeo auxiliando a arbitragem no futebol, mas que encontra forte oposição da FIFA, e colocar mais ênfase na proposta de introdução de árbitros assistentes adicionais (RAA), em julgamento na Liga Europa. Em uma reunião de emergência do Comitê Executivo da FIFA, a entidade anunciou que um inquérito sobre as opções de tecnologia de funcionários extra no futebol seria aberto, mas descartou quaisquer alterações a serem introduzidas durante a Copa de 2010. O caso de Henry foi repassado para o Comité Disciplinar da FIFA para investigação, que decidiu que não poderia sancionar o francês, segundo o texto do Código Disciplinar.

Opinião dos envolvidos[editar | editar código-fonte]

Sobre o incidente da "mão da Gália", Henry declarou:

"Sim, houve mão, mas eu não sou o árbitro." 'Toto' (o zagueiro Sébastien Squillaci) estava indo para a frente, eu estava atrás de dois irlandeses, a bola ricocheteou e atingiu minha mão. Claro, eu continuei a jogar... O árbitro não apitou 'mão', mas não posso dizer que não foi de mão."

.

Henry depois se defendeu contra as críticas:

"Obviamente, eu teria preferido que as coisas viessem de forma diferente, mas eu não sou o árbitro. Eu não acho que nós temos roubado a qualificação".

Após a negativa da FIFA em realizar uma nova partida proposta pela FAI, Henry emitiu mais um comunicado:

"A solução mais justa seria repetir o jogo, mas ele não está no meu controle (...) Naturalmente, eu me sinto envergonhado com a maneira que nós vencemos e estou muito triste com os irlandeses, que definitivamente mereciam estar na África do Sul (...) tenho dito no momento e vou dizer de novo que "sim" eu controlei a bola. Eu não sou um trapaceiro e nunca serei. Foi uma reação instintiva a uma bola que vinha muito rápido em uma área de grande penalidade (...) Como um jogador de futebol, você não tem o luxo da televisão para retardar o ritmo da bola até 100 vezes para poder fazer uma decisão consciente (...) As pessoas estão a ver uma versão lenta do que aconteceu e não o que eu ou qualquer outro jogador enfrenta no jogo. Se as pessoas olharem para ela em velocidade total, você vai ver que era uma reação instintiva ".

O próprio Henry disse que tinha considerado o seu adeus ao futebol internacional após as reações ao incidente, mas foi persuadido a não deixar de atuar pela França por amigos e familiares. Ele criticou a FFF pela falta de apoio, na sequência da controvérsia. Lamentou também a celebração imediata do gol, e refletiu que não informar o árbitro de que tinha cometido um erro.

Henry foi chamado mais tarde pelo presidente da FIFA, Joseph Blatter, para depor sobre o lance irregular. Blatter declarou que a família do alteta tinha sido ameaçada por torcedores (opinião do atacante).

Opinião de Martin Hansson[editar | editar código-fonte]

Martin Hansson, o árbitro da partida, disse, em entrevista à rádio Blekinge:

"Eu não posso comentar sobre o jogo em si, mas a vida deve continuar".

Opinião dos treinadores[editar | editar código-fonte]

Giovanni Trapattoni[editar | editar código-fonte]

Sobre o lance, o treinador da Irlanda, o italiano Giovanni Trapattoni, afirmou que ele não colocaria a culpa da eliminação irlandesa em Henry, nem ele esperava que uma repetição da partida iria ocorrer, mas acredita que o incidente poderia trazer ainda mais pressão sobre a FIFA para introduzir a tecnologia na linha do gol, afirmando que

"existe uma pausa de 30 segundos e nós resolvessem a situação ... Eu tenho certeza que no futuro terão que fazer algo sobre isso. (...)"

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Trapattoni também questionou a escolha do árbitro, afirmando que

"Para este jogo importante, precisava de um árbitro mais forte - um árbitro importante."

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Logo após a declaração, Trapattoni também passou a questionar também o formato dos jogos pré-eliminatórios.

Declarações de Raymond Domenech[editar | editar código-fonte]

Já o comandante da Seleção Francesa, Raymond Domenech, disse sobre o jogo:

""Eu não vejo o que poderíamos ter feito melhor (...) Precisamos nos classificar e fizemos isso, mesmo que tenha sido doloroso. Vitórias como esta, no final de um campanha difícil, dar a este lado do coração e alma".

Em seguida, Domenech criticou a condenação de Henry e da França, e questionou o direito de ex-jogadores, como Éric Cantona e Bixente Lizarazu, para criticar o seu recorde como treinador da equipe francesa.

Reação dos jogadores da Irlanda[editar | editar código-fonte]

Robbie Keane, que abriu o caminho da vitória irlandesa no tempo normal, criticou a FIFA e a UEFA, alegando que seria "mágico" que a França se classificou por causa de um gol ilegal.

O também atacante Damien Duff disse que ele teria feito o mesmo se tivesse administrado a vantagem da Irlanda:

""Se fosse para baixo do outro lado e ele estava saindo do jogo, eu teria por acaso o meu braço. Você não pode culpá-lo (Henry). Ele é um jogador inteligente - mas se você espera que o juiz pudesse vê-lo, era flagrante".

Vários jogadores, como o próprio Duff, apoiaram o uso de tecnologia no futebol. O zagueiro Seán St Ledger acreditaria que a França fosse colocada em um "Grupo da morte" na Copa, mas temia que os franceses conquistassem o título.

Richard Dunne falou de como ele estava ciente da extensão do envolvimento de Henry, quando o zagueiro sentou-se com o francês em campo no final da partida e o então jogador do Barcelona admitiu o toque de mão. Dunne realmente havia visto o incidente pela primeira vez em um computador no vestiário de sua equipe.

Given foi crítico ao afirmar que Joseph Blatter "esfregou sal na ferida" e seus comentários sobre Henry foram "além de uma piada". O goleiro prosseguiu:

"""Eu não estou dizendo que ele é uma fraude, mas o que ele fez é ilegal".

A vingança da Irlanda[editar | editar código-fonte]

No final de maio, ainda inconformados com a eliminação de sua seleção para a França, na repescagem europeia da Copa do Mundo, os donos da rede de pizzarias Pizza Hut no país prometeram pizzas grátis para seus clientes se a França sofresse gols na África do Sul.

Na estreia, os franceses ficaram no zero com o Uruguai e a expectativa em torno da promoção só fez aumentar.Na segunda partida, os gauleses sofreram 2 a 0 do México, em partida disputada em Polokwane. Felizes com a derrota francesa, os donos de pizzarias forneceram 350 unidades por gol, mas a quantidade foi limitada para evitar um grande prejuízo.

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