Jean-Andoche Junot
| Jean Andoche Junot | |
|---|---|
| Nascimento | 24 de Setembro de 1771 Bussy-le-Grand, |
| Morte | 29 de Julho de 1813 (41 anos) Montbard, |
| País | França |
| Batalhas/Guerras | Campanha da Itália Campanha do Egito Batalha de Austerlitz Guerra Peninsular Campanha da Rússia |
Jean-Andoche Junot, duque de Abrantes (Bussy-le-Grand, França, 24 de Setembro de 1771 — Montbard, França, 29 de Julho de 1813), chamado de "a Tempestade", foi um militar francês, coronel-general dos Hussardos.1
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Biografia[editar]
Jean-Andoche Junot nasceu em Bussy-le-Grand, Côte-d'Or, filho de Michel Junot (1739–1814, filho de François Junot, m. 1759, e esposa Edmée Laurain, nascida em 1703 e falecida em 1784) e esposa Marie Antoinette Bienaymé (1735–1806, filha de Guy Bienaymé e esposa Ursule Rigoley).
Iniciou os seus estudos em Châtillon. Seguiu direito em Paris, quando, ao eclodir a Revolução Francesa, alistou-se no Exército (1791) no batalhão de voluntários da Côte-d'Or, onde foi ferido por duas vezes e conseguiu a patente de sargento. Durante o cerco de Toulon de 1793 foi escolhido como ajudante-de-ordens de Napoleão Bonaparte2 , com quem faria carreira na Itália, no Egito (1798-1801), na Áustria (1805), na Guerra Peninsular (1807-1808, 1810) e na Campanha da Rússia (1813).
Campanha da Itália[editar]
Tendo se distinguido na Campanha da Itália pela sua bravura, foi promovido a coronel. Recebeu um ferimento na cabeça em Lonato, que seus biógrafos acreditam tenham lhe causado permanentes transtornos de pensamento e de carácter, afetando-lhe a capacidade de julgamento e tornando-o impetuoso e temperamental. Mais tarde participou no golpe de 18 de brumário. Casa com Laure (Laurette) Martin de Permond em 1800.
Alcançou o posto de general de brigada durante a Campanha do Egito, mas, ferido em um duelo, foi capturado quando de seu retorno como inválido à França. Ao chegar, foi nomeado general de divisão e governador de Paris (1801). O próprio Napoleão o afastou do cargo, enviando-o para Arras como instrutor do novo Corpo de granadeiros.
O seu envolvimento com Portugal iniciou-se a partir de 1805, quando serviu um curto período como representante diplomático acreditado em Lisboa. De Portugal passou à Áustria, onde combateu na batalha de Austerlitz (2 de Dezembro de 1805). Nomeado governador-geral de Parma, no ano seguinte foi nomeado governador militar de Paris.
Guerra Peninsular[editar]
Portugal, então governado pela Casa de Bragança e sob a regência do príncipe D. João, recusava o pedido de Napoleão de participar no bloqueio comercial à Inglaterra. A 12 de Agosto Napoleão e o Carlos IV de Espanha pediram ao príncipe João que declarasse guerra à Inglaterra. Entretanto, os exércitos de Napoleão marchavam na fronteira com Espanha.3 E em 1807, no comando do Corpo de Observação da Gironda, Junot comandou a invasão de Portugal, saindo em novembro de Salamanca, entrando em Portugal a 17 de Novembro por Segura, na Beira Baixa4 , capturando Lisboa no dia 30 desse mês ou nos primórdios de dezembro.
Indicado como governador-geral de Portugal, foi feito duque de Abrantes em Março de 1808. Os ingleses desembarcaram em Portugal a Agosto de 1808 e, diante da ofensiva de Arthur Wellesley (depois duque de Wellington), que bateu as tropas francesas na batalha da Roliça (17 de Agosto) e na batalha do Vimeiro (21 de Agosto), Junot propôs aos ingleses um armistício que lhe permitiu a retirada: a Convenção de Sintra, assinada a 30 de Agosto. Na retirada, levou com ele todas as "armas e bagagens" que pôde, tornando famosa essa expressão em Portugal. Levado pela Royal Navy para a França5 , quase não escapava à corte marcial. Em 1810 voltou à península Ibérica com as tropas do general André Masséna, sendo gravemente ferido.
Anos seguintes[editar]
Durante a Campanha da Rússia (1812), Junot foi acusado de permitir a retirada do Exército russo após a batalha de Smolensk (17 de Agosto), embora tenha comandado competentemente o 8.º Corpo francês na batalha de Borodino (7 de Setembro).
Em 1813 foi feito governador da Ilíria, mas mostrando sinais de demência regressou à França, tentando cometer suicídio, atirando-se por uma janela. Fraturou a perna, e depois tentou amputar-se com uma faca de cozinha. Morre alguns dias mais tarde, a 29 de Julho de 1813, devido a complicações por infeção.
Citações[editar]
Lembro-me que Junot era duque de Abrantes, Georges Perec, Je me souviens, 20.
Filhos[editar]
Teve duas filhas e dois filhos:
- Joséphine Junot d'Abrantès (Paris, 2 de Janeiro de 1802 - Paris, 15 de Outubro de 1888), casou em Novembro de 1841 com Jacques-Louis Amet;
- Constance Junot d'Abrantès (Paris, 12 de Maio de 1803 - 1881), casou em 1829 com Louis Antoine Aubert (1799-1882);
- Louis Napoléon Andoche Junot, 2º Duque d'Abrantès (Paris, 25 de Setembro de 1807 - Neuilly, 20 de Fevereiro de 1851), faleceu sem casar e sem filhos;
- Andoche Alfred Michel Junot, 3º Duque d'Abrantes (Ciudad Rodrigo, 25 de Novembro de 1810 - morto em combate em Brescia, 19 de Julho de 1859).
Homenagem[editar]
- O nome de Junot consta da 33ª coluna (pilar Oeste) do Arco do Triunfo6 ;
- Uma estátua de Paul Eugène Breton honra a sua memória na façada Norte do Louvre, na rua de Rivoli.
Referências
- ↑ Jean Andoche Junot (em português). Porto Editora. Infopédia. Página visitada em 23 de outubro de 2012.
- ↑ « Durante a construção de uma das primeiras baterias que Napoleão, à sua chegada a Toulon, mandou contra os ingleses, ele pediu no terreno um sargento ou cabo que soubesse escrever. Alguém saiu das fileiras e escreveu sob seu ditado e no seu ombro. A carta terminada, um obus cobre-a de terra. "Bem! diz o escrivão, não irei precisar de sal para secar a tinta." Esta piada, a calma com a qual ela foi dita, chamou a atenção de Napoleão e fez a riqueza do sargento. Era Junot. » (Las Cases.)
- ↑ Rickard, J (21 de março de 2008), Junot’s invasion of Portugal, November 1807 , [1] (em inglês)
- ↑ O Portal da História: invasões francesas.
- ↑ Napoleonic Guide: Jean-Andoche Junot (em inglês)
- ↑ Nomes no Arco do Triunfo (em francês)