Línguas fino-bálticas

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Línguas fino-bálticas, também conhecidas por línguas fínicas, são um subgrupo das línguas fino-úgricas, e são faladas nas regiões próximas ao mar Báltico por cerca de sete milhões de pessoas.

Note que, apesar do nome, as línguas fino-bálticas não estão geneticamente relacionadas às línguas bálticas, mesmo sendo os dois grupos de línguas faladas por povos localizados geograficamente próximos ao mar Báltico.

O finlandês e o estoniano são as línguas oficiais de seus respectivos países. As outras línguas fínicas são: ingriano, careliano, lúdico, vepes, vótico, estoniano meridional (incluindo o võro) e livoniano.

O meänkieli (no norte da Suécia) e o kveno (no norte da Noruega) são dialetos finlandeses que os países escandinavos da Suécia e Noruega tem dado um tratamento legal de línguas independentes. Elas são mutuamente inteligíveis com o finlandês.

Algumas línguas regionais ou de minorias fínicas, tais como a estoniana meridional, estão ainda sem um reconhecimento nacional, mas contam com importantes movimentos de revitalização e instituições estatais (no caso do estoniano meridional, o Instituto Võro). Por outro lado, várias outras línguas fínicas estão próximas da extinção, especialmente a vótica e a livoniana.

As línguas fínicas são relativamente muito próximas, e sua origem comum é óbvia até mesmo para aqueles que não são lingüistas, devido serem muito semelhantes. Porém, apesar dessas semelhanças há pouca ou quase nenhuma inteligibilidade mútua entre as línguas.

As línguas sami não pertencem ao grupo fino-báltico; elas formam um ramo próprio da fino-úgrica e estão remotamente relacionadas às fino-bálticas. Há um pensamento tradicional de que um grupo de língua separada "fino-lápica", isto é, "fino-saâmica" existe dentro das línguas urálicas, mas a evidência não é convincente. Também, tradicionalmente, a protolíngua está dividida em duas fases: Anterior Proto-Fínico (em finlandês: varhaiskantasuomi), precursora da fino-saâmica, e a Posterior Proto-Fínico, precursora da fino-báltica. Porém, houve um constante contato entre as línguas sami e fino-báltica, de modo que há, por exemplo, muitas palavras finlandesas emprestadas do sami e vice-versa.

O grupo fino-úgrico faz parte do grupo de línguas urálicas. Sendo assim, as línguas fino-bálticas, diferentemente da maioria das línguas faladas na Europa, não fazem parte da família de línguas indo-européias. As principais línguas na parte da Europa em torno das áreas das línguas fino-bálticas são as dos subgrupos da família indo-européias (báltica, eslava ou germânica) e muito importantes em termos de lingüística histórica, as línguas sami.

As línguas fino-bálticas são mais próximas das línguas sami, e muito distantes do restante das línguas fino-úgricas, mas formam juntas um grupo bem unido. A suposta protolíngua com a sami é datada de 1500-1000 a.C.. A fino-báltica desenvolveu-se a partir de três dialetos do Posterior Proto-Fínico, a saber: Oeste (finlandês ocidental), Sul (estoniano) e Leste (finlandês oriental, careliano). A separação estoniano-finlandês ocorreu aproximadamente há 2000 anos por volta do primeiro milênio.

As línguas fino-bálticas compartilham algumas características obviamente notáveis. Os tipos de consoantes são bastante simples, caracterizando nenhum contraste vocálico, e quase todas são consoantes alveolares. Porém, existem duas unidades de duração ou quantidade que adquire valor fonológico (cronemas), que são fonêmicos: consoantes curtas, geminadas meio longas e geminadas ultra longas de significados distintos e por isso são diferentes fonemas. O mesmo ocorre com as vogais; vogais curtas, meio longas e ultra longas de significados distintos. O efeito significado-distinção é mais forte no estoniano, onde todos os três comprimentos são totalmente fonêmicos; outras línguas distinguem apenas dois comprimentos, onde meio longo é uma alofonia de curto. Há um grande número de fonemas vocálicos com forte contraste entre eles e complexos sistemas de ditongos. Por exemplo, o estoniano tem nove monotongos [aeiouyæøɤ] em três diferentes comprimentos, e 26 ditongos, cada um fonema distinto. Os atuais ditongos fino-bálticos são exclusivamente uma inovação fino-báltica.

A morfofonologia (como a função gramatical de um morfema afeta sua produção) é complexa. Um importante processo morfofonológico é a harmonia vocálica, uma outra gradação consonantal. Este é um processo de lenição, onde um termo final oclusivo é mudado para uma forma "mais fraca" com alguns (mas não todos) casos oblíquos. Para geminados, o processo é simples de descrever: geminados tornam-se oclusões simples, por exemplo kuppiakupin. Para consoantes simples, o processo é imensamente complicado, já que a oclusão tornar-se-ía articulações fricativas, mas não há nenhum tal fricativa, e alguma outra consoante é selecionada ao invés, de acordo com o ambiente fonético. Por exemplo, haka → haan, kyky → kyvyn, järki → järjen (finlandês). Outro processo importante, mais forte no livoniano, võro e estoniano, é a "erosão" do som do termo final.

Na gramática, as línguas fino-bálticas seguem o padrão das línguas urálicas. Há um grande número de casos gramaticais, que são denotados em geral pela adição de um sufixo. Em algumas línguas e contextos, o sufixo pode ser retirado, mas deixa a sua marca na palavra de origem. Por exemplo, em estoniano, o caso genitivo pode ser distinto do nominativo apenas pela prevenção da elisão da vogal da palavra final, como em linn ← *linna "cidade", vs. linna ← *linnan "da cidade". O número dual é perdido, emcontraste com o sami. Uma inovação fino-báltica na gramática é a concordância entre o substantivo principal e seus atributos, por exemplo, suure•ssa talo•ssa "em uma grande casa" tem o sufixo-ssa "em" nos dois atributos suuri e no substantivo principal talo.

As línguas fino-bálticas dividem com as línguas sami a gradação consonantal e os três tipos de contraste de extensão consonantal. Relativo ao proto-úralico, as duas desenvolveram vogais labiais noniniciais e perderam o deslizamento labial que precede as vogais labiais iniciais. Essas características podem ser causadas por um ancestral comum, influência regional, ou coincidência.

A palatalização foi perdida na proto-fínica, mas dialetos o readquiriram, provavelmente do eslavo. Porém, não o finlandês padrão ou ocidental. Contudo, ela é encontrada no finlandês oriental e no estoniano, e seus descendentes, mas não nos dialetos originariamente do finlandês ocidental. Para mais características, veja línguas fino-úgricas.

O Urheimat dos povos de língua fino-bálticas acredita-se ser na região onde está localizada atualmente a Estônia, e conseqüentemente, os empréstimos mais centrais, integrados e mais antigos são das línguas bálticas, (proto-)lituana e (proto-)letã. O alemão e o russo são também origem de alguns empréstimos, somados com outros empréstimos germânicos, tais como o gótico ou mais tarde o sueco. Há pouca evidência de influência russa na maioria das línguas, exceto em línguas menores, tais como no careliano,que esteve sob a influência da União Soviética e violenta, até mesmo genocida russificação. Na realidade, a cultura da Carélia era conhecida como a "mais pura fonte do finlandês", e foi a fonte para o épico nacional finlandês Kalevala durante o período do surgimento do nacionalismo na Finlândia, devido as remotas partes da Carélia não terem sido influenciadas pelas culturas suecas e russas.

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