Leis (diálogo)

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Leis é um diálogo platônico que ocupa-se com uma vasta gama de assuntos. A discussão das Leis, a fim de compreender a conduta do cidadão e da promulgação de leis, perpassa por elementos da psicologia, gnosiologia, ética, política, ontologia e mesmo astronomia e matemática. É o último diálogo de Platão e também o mais extenso.

Questões relativas à Obra[editar | editar código-fonte]

As Leis é um diálogo inacabado e não conta com a presença de Sócrates como personagem. O contraste com o diálogo A República é destacado pelos comentadores. Enquanto em A República a base do Estado é a educação perfeita, sendo praticamente supérflua a legislação, nas Leis a legislação é a base[1] . Em A República o governante-filósofo, por suas próprias virtudes, infunde legitimidade à legislação, ao passo que nas Leis o legislador se coloca entre os deuses e os homens, necessitando do consentimento dos governados, da comunidade, do povo, para legitimar a legislação[2] . Na República ocupavam o lugar central a teoría das idéias e a idéia do bem, já nas Leis a idéia do bem somente é mencionada ao final, como conteúdo educacional para o governante[3] .

Nas Leis Platão destaca o papel do legislador, que deve ser "um verdadeiro educador dos cidadãos"[4] e sua missão principal não consiste em castigar transgressões cometidas, mas em prevenir que se cometam tais transgressões[5] . Platão reconhece, portanto, que tanto em Atenas, como na maioria das cidades-estado gregas, não havia uma regulação legislativa dos problemas da educação pública (Leis, 788c)[6] .

O personagem principal do diálogo não tem nome, chama-se "O Ateniense" e seus interlocutores são "Clínias de Creta" e "Megilo de Lacedemônia (Esparta)"[7] .

Citação[editar | editar código-fonte]

O diálogo se inicia com a seguinte pergunta de um dos personagens[8] .:

Cquote1.svg O ateniense: A quem atribuis, estrangeiro, a autoria de vossas disposições legais? A um deus ou a algum homem?

Clínias: A um deus, estrangeiro, com toda a certeza a um deus. Nós cretenses chamamos de Zeus o nosso legislador, enquanto na Lacedemônia (ou Esparta), onde nosso amigo aqui tem seu domicílio, afirmam - acredito - ser Apolo o deles. Não é assim, Megilo?

Megilo: Sim.

Cquote2.svg

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Platão. As Leis (Tradução de Edson Bini). São Paulo: Edipro, 1999.

Referências

  1. Dalmo de Abreu Dallari. "Platão inexplorado". In: PLATÂO. As Leis (Tradução de Edson Bini). São Paulo: Edipro, 1999, p. XXXI.
  2. Dalmo de Abreu Dallari. "Platão inexplorado". In: PLATÂO. As Leis (Tradução de Edson Bini). São Paulo: Edipro, 1999, p. XXXI.
  3. Werner Jaeger: Paideia: los ideales de la cultura griega. Cidade do México: Fondo de Cultura Economica, 2002, pp. 1016-1017.
  4. Werner Jaeger: Paideia: los ideales de la cultura griega. Cidade do México: Fondo de Cultura Economica, 2002, pp. 1018.
  5. Werner Jaeger: Paideia: los ideales de la cultura griega. Cidade do México: Fondo de Cultura Economica, 2002, pp. 1019.
  6. Werner Jaeger: Paideia: los ideales de la cultura griega. Cidade do México: Fondo de Cultura Economica, 2002, p. 1057.
  7. PLATÂO. As Leis (Tradução de Edson Bini). São Paulo: Edipro, 1999, p. XLVI.
  8. PLATÂO. As Leis (Tradução de Edson Bini). São Paulo: Edipro, 1999, p. 67.
  • ¤ Não é da autoria de Platão segundo a maioria dos estudiosos
  • † Não é geralmente aceito pelos estudiosos
  • ‡ Somente trechos têm a autoria comprovada.
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