Fédon

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Fédon (ou Fedão; em grego: Φαίδων, transl. Phaídon) é um dos grandes diálogos de Platão de seu período médio, juntamente com a A República e O Banquete[1] . Fédon, que retrata a morte de Sócrates, também é o quarto e último diálogo de Platão a detalhar os últimos dias do filósofo depois das obras Eutífron, Apologia de Sócrates e Críton. O tema da obra Fédon é considerado ser a imortalidade da alma.[2]

O Fédon foi traduzido pela primeira vez do grego para latim por Henry Aristippus em 1155.[3]

Sumário[editar | editar código-fonte]

A morte de Sócrates, de Jacques-Louis David, Museu Metropolitano de Arte, Nova Iorque.

Equécrates pede notícias a Fédon sobre os últimos dias de Sócrates. Fédon explica que um atraso ocorreu entre o julgamento e a morte, e descreve a cena em uma prisão em Atenas no final do dia, nomeando os presentes. Ele conta como vistou a Sócrates no início da manhã com os outros. A esposa de Sócrates Xantipe estava lá, mas estava muito angustiada e Sócrates pediu que ela se recolhesse. Sócrates relata que por causa de um sonho recorrente ele fora ordenado a "fazer e cultivar a música", então escreveu um hino e, em seguida, começa a escrever poesias com base em fábulas de Esopo.[4]

Neste diálogo, Sócrates discute a natureza da vida após a morte em seu último dia antes de ser executado bebendo cicuta. Sócrates foi preso e condenado à morte por um júri ateniense por não acreditar nos deuses do Estado e de supostamente corromper a juventude da cidade. O diálogo é contado a partir da perspectiva de um dos alunos de Sócrates, Fédon de Elis. Tendo estado presente no leito de morte de Sócrates, Fédon relata o diálogo desde aquele dia para Equécrates, um filósofo de Pitágoras. Ao envolver-se na dialética com um grupo de amigos de Sócrates, incluindo os tebanos Cebes e Símias, Sócrates explora vários argumentos a favor da imortalidade da alma, a fim de mostrar que existe vida após a morte e que a alma vai existir depois dela. Fédon conta que, após a discussão, ele e os outros ficaram lá para testemunhar a morte de Sócrates.

Na ocasião de sua morte, segundo Fédon, estavam Apolodoro, Critobulo e seu pai, Hermógenes, Epígenes, Ésquines, Antístenes, Ctesipo de Peânia, Menexeno, Símias o Tebano, Cebes, Fedondes, Euclides e Terpsião, além de outros. Segundo Fédon, Platão se encontrava doente.[5]

O mais importante a se lembrar, antes de iniciar a leitura do diálogo, é que este é um diálogo que não pertence à "fase socrática" de Platão, (divisão utilizada por alguns Filósofos). Sendo assim, ele estaria apenas usando a imagem do mestre para "divulgar" seu próprio projeto filosófico.Isto pode ser confirmado em determinadas passagens, como por exemplo, naquela onde Cebes comenta: "(…) Como o que costumas dizer amiúde : aprender nada mais é que recordar." Este trecho mostra claramente a ideia de Platão acerca do mundo das ideias, sua máxima teoria.

Platão recebeu uma influência muito forte da religião Órfica, que cria na alma e reencarnação. O diálogo Fédon é uma máxima desta influência, onde Platão faz o primeiro postulado acerca da alma.[2] O diálogo "Fédon", já da maturidade de Platão, ocorre na época posterior ao julgamento de Sócrates, e anterior à sua execução com a cicuta. Seus discípulos o cercam nesses últimos instantes de vida, sofrendo muito, parecendo por todo o tempo não entender a mensagem principal de Sócrates: que a morte é uma escolha, já em vida, de quem é filósofo: "o exercício próprio dos filósofos não é precisamente libertar a alma e afastá-la do corpo?". Para Platão, o corpo, ao mesmo tempo em que pode atrapalhar o pensamento filosófico, como distração dos sentidos, também está ligado a esse pensar. Há uma interdependência e uma diferença entre os planos da perceção e da inteligibilidade.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Existe um acordo general entre os especialistas em colocar este diálogo entre as obras mais tardias de Platão. Por volta dos seus quarenta anos, após regressar a Atenas da sua viagem à Sicília (Carta VII, 324a), funda a Academia e escreve o Fédon, o Banquete, A República e o Fedro, aproximadamente por esta ordem. Isto acontece por volta do ano 387 a.C., quando Platão chega nestas obras não somente a elaborar e expressar de maneira cabal as suas próprias ideias filosóficas, mas também chega ao auge do seu estilo e capacidade compositiva. [6] [7] [8]

Situação dramática[editar | editar código-fonte]

Fédon de Élis, discípulo de Sócrates, encontra-se com o pitagórico Equécrates, provavelmente na pátria de este último. Ali, Fédon narra o sucedido nas últimas horas de vida de Sócrates e do que se falou nessa ocasião. Isto permite a Platão dispor de um narrador que possa apresentar ao leitor não só o diálogo em si, mas também toda a cena e ações dos protagonistas.

O diálogo narrado por Fedón é situado na prisão onde Sócrates estava detido esperando o momento da sua execução, em Atenas, no ano 399 a.C.. Ainda que na cena estejam presentes a sua esposa Xântipe e quatorze de seus amigos, entre os quais se encontravam Antístenes, Euclides e Críton (59b), os interlocutores principais de Sócrates são Símias e Cebes, antigos discípulos do pitagórico Filolau.[9] [10] [11]

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

Prólogo (57a - 60b)[editar | editar código-fonte]

Equécrates pergunta a Fedón acerca das circunstâncias da morte de Sócrates. Fédon começa, explicando a razão de ter Sócrates morrido tanto tempo depois da sua condenação: a cidade estava a festejar uma cerimónia religiosa durante a qual se deviam suspender as execuções. Equécrates volta a perguntar acerca de quem esteve e o que se disse e fez na ocasião. Fedón menciona os presentes e refere os seus próprios sentimentos contraditórios: tanto o prazer da conversação, como a dor ante a morte iminente do seu amigo. É narrada uma cena onde Xântipe teve que se retirada por Críton, a pedido de Sócrates, visto que ela se tinha posto a gritar e a dar pancadas no peito, emocionada pela chegada dos amigos de Sócrates.

Referências

  1. Diálogos de Platão: -Fédon & O Banquete
  2. a b Bento Silva Santos. A imortalidade de alma no Fédon de Platão: coerência e legitimidade do argumento final (102a-107b). EDIPUCRS; 1999. ISBN 978-85-7430-040-5. p. 45.
  3. "Mênon e Fédon foram traduzidos por Henry Aristippus no sul da Itália por volta de 1155", Hubert Houben. Roger II of Sicily: A Ruler Between East and West. Cambridge University Press; ISBN 978-0-521-65573-6. p. 99.
  4. Platão, Fédon, 57a-61c
  5. Platão, Fédon
  6. Guthrie, Historia de la Filosofía Griega, IV, p. 315.
  7. Eggers Lan, Fedón, pp. 20-25.
  8. García Gual, Diálogos III, Fedón, Banquete, Fedro, p. 9.
  9. Guthrie, Historia de la Filosofía Griega, IV, p. 316.
  10. Eggers Lan, Fedón, p. 11.
  11. García Gual, Diálogos III, Fedón, Banquete, Fedro, p. 16-17.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Fédon
Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Platão
Wikisource
O Wikisource contém fontes primárias relacionadas com Fédon