Linguagem corporal

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A linguagem corporal é uma forma de comunicação não - verbal. Abrange principalmente gestos, postura, expressões faciais, movimento dos olhos e proximidade entre locutor e interlocutor (Proxêmica), Contribuem para o estudo da Linguagem Corporal a Cinesiologia, ciência que analisa o movimento do corpo humano, a Paralinguagem, a PNL – Programação Neuro - Linguística, a Neurociência, a Psicologia, a Proxêmica e a Oratória.

Os primeiros estudos científicos sobre linguagem corporal foram feitos por Charles Darwin e publicadas no livro “A expressão das emoções em homens e animais”. Darwin defendia que os mamíferos demonstravam suas emoções através de expressões faciais. A linguagem corporal foi uma das primeiras formas de comunicação humana e continua sendo uma das mais fortes e expressivas. A Linguagem corporal vem sendo utilizada há milhões de anos e está relacionada principalmente ao sistema límbico (mesencéfalo), a segunda estrutura mais primitiva do nosso cérebro.

O surgimento da linguagem verbal há mais de 40.000 anos e da escrita, há 4.000 anos só foram possíveis com o desenvolvimento de uma complexa estrutura cerebral denominada de neocórtex. Como seres humanos, podemos escolher palavras, criar imagens, fazer abstrações e mentir utilizando sobretudo o neocórtex, porém o sistema límbico, responsável pelos sentimentos, envia impulsos elétricos ao corpo, gerando expressões e movimentos, muitas vezes sem nos darmos conta deles. A linguagem corporal pode se manifestar estimulada também pela parte mais antiga e primitiva do cérebro, o sistema reptiliano. Essa estrutura, localizada no talo cerebral, controla as funções corporais e regula nossas necessidades de sobrevivência: batimento cardíacos, respiração, digestão e reprodução.


A importância da linguagem corporal[editar | editar código-fonte]

Os gestos e as expressões faciais falam muito mais do que as palavras. Albert Mehrabian, pioneiro em pesquisas sobre linguagem corporal, em estudos de 1950 apurou que a mensagem na comunicação interpessoal é transferida na seguinte proporção: 7% - Verbal (somente palavras) 38% - Vocal (incluindo tom de voz, velocidade, ritmo, volume e entonação) 55% - Não - verbal (incluindo gestos, expressões faciais, postura e demais informações expressas sem palavras).

O antropólogo, Ray Birdwhistel outro pioneiro no estudo da comunicação não - verbal descobriu que as palavras correspondem por menos de 35% das mensagens transmitidas numa conversa frente a frente. O restante em torno de 65% da comunicação é feito de maneira não - verbal. Todos nascemos sabendo identificar algumas expressões faciais, gestos e posturas e também ao longo da vida aprendemos várias outras. Porém devido à linguagem corporal não fazer parte do sistema educacional tradicional e ainda hoje ser pouco estudada e difundida, uma grande variedade de gestos passam despercebidos.

Um dos especialistas do Brasil em Linguagem Corporal, Bruno Santos da Silva, fala também que a comunicação é o primórdio de nossa evolução, estando presente em cada momento de nossa vida, sendo altamente poderosa na comunicação não verbal, sendo ela que revela as primeiras intenções e as mentiras que são aparentes nas incongruências cognitivas. "Apenas 7% de nossa comunicação é verbal, ou seja por palavras. Os 93% é não verbal ou seja por gestos. 93%... Pensem nisso! Tem que vir com tom de voz, postura, micro expressões faciais e vários gestos que podemos usar. Damos muita importância aos 7% de palavras. Não deveríamos fazer isso."

Utilização da linguagem corporal[editar | editar código-fonte]

Código[editar | editar código-fonte]

A linguagem corporal pode ser utilizada como código por determinados grupos. Militares e policiais por exemplo, possuem códigos de gestos para transmitirem informações como acelerar, agrupar, parar ou bater em retirada.

Gestos culturais[editar | editar código-fonte]

Culturalmente um povo pode adotar gestos característicos que os identifiquem, assim como ocorre de existirem significados diferentes para um mesmo gesto em diferentes culturas. O punho fechado com o polegar levantado na maioria dos países é interpretado como sinal de “positivo”. Na Itália é interpretado como um gesto obsceno, segundo Paulo Sérgio de Camargo, autor de Linguagem Corporal – Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. O sinal de “Ok” americano, realizado com a união de polegar e indicador, no Brasil quando feito abaixo do cotovelo também adquire significado vulgar.

Gestos de suporte ou complemento[editar | editar código-fonte]

Utilizada de maneira adequada, a linguagem corporal pode reforçar e enfatizar a mensagem oral, pode complementar ou concluir raciocínios. Há muitos cursos de oratória que ensinam gestos e expressões capazes de dar suporte aos discursos e melhorar a comunicação.

Leitura das reais intenções e sentimentos do orador[editar | editar código-fonte]

Muitos especialistas se debruçam nesta área, pois podem perceber através dos gestos e expressões faciais se o que uma pessoa está dizendo condiz exatamente com seus sentimentos e reais intenções. Giovanni Mileo, especialista brasileiro em linguagem corporal alerta que é preciso muita cautela na leitura de gestos e expressões corporais. Muitos deles, chamados de micro - expressões, são realizados em frações de segundo. Sergio Sena, psicólogo que se dedica ao estudo do assunto reforça que as expressões de ansiedade e medo, assemelham-se aos sinais da mentira, o que incorre em muitos erros de interpretação.


Expressões inatas[editar | editar código-fonte]

Outra grande contribuição ao desenvolvimento dos estudos sobre linguagem corporal foi dada pelo psicólogo Paul Ekman. Partindo do pressuposto que Charles Darwin havia se enganado ao afirmar que os mamíferos já nascem sabendo interpretar e demonstrar um grupo de expressões faciais, Ekman dedicou mais de 50 anos da sua vida ao estudo das emoções humanas.

Por fim, acabou comprovando o pressuposto de Darwin e identificou 7 expressões inatas: raiva, alegria, tristeza, surpresa, medo, aversão e desprezo (considerada por alguns autores apenas como uma variação da expressão de aversão).

Estas expressões estão presentes em todas as culturas e em todas as épocas da história, registradas em estátuas e pinturas. Seja no Japão, no oriente médio, no Brasil ou nos EUA, as 7 expressões inatas possuem o mesmo significado. São percebidas inclusive em crianças que nasceram cegas e nunca a observaram em outra pessoa.

Ekman também catalogou todas as combinações dos movimentos musculares da face humana, chegando a mais de 10.000 expressões faciais. São os estudos de Paul Ekman que servem de fundamentação teórica para o seriado Lie to Me, onde um investigador desvenda casos através da leitura das expressões faciais das pessoas.

Movimento dos olhos[editar | editar código-fonte]

A neurociência descobriu que estamos sempre movimentando os olhos para compor em nosso cérebro a imagens que vemos. Além disso segundo o especialista Giovanni Mileo, diversos estudos neurolinguísticos comprovam que ao movimentar os olhos, ativamos regiões cerebrais específicas[1] .


Principais movimentos oculares[editar | editar código-fonte]

Para cima à direita – Toda vez que uma pessoa olha nessa direção está ativando o cérebro a criar imagens.

Para cima à esquerda – Esse movimento dos olhos faz o cérebro resgatar arquivos visuais na memória.

Ao fazer uma abstração o ser humano, invariavelmente, olha para cima. Experimente fazer uma conta matemática mentalmente e perceba como seus olhos movimentam-se para cima.

Para o lado esquerdo – Este movimento, como se olhássemos na direção do ouvido, ativa os arquivos de memória ligados à audição. Utilizamos este movimento dos olhos para lembrar de músicas ou sons que ouvimos no passado.

Para o lado direito – Olhando nessa direção, estimulamos nosso cérebro a criar novos sons. Os músicos utilizam com frequência este movimento ao comporem novas músicas e ao prepararem novos arranjos musicais.

Para baixo à direta – Com este movimento estimulamos uma conversa mental com nós mesmos.

Para baixo à esquerda – Ao olhar nessa direção remoemos sentimentos. Lembramos de coisas que nos fazem sofrer e enquanto continuamos olhando nesta direção estamos alimentando a melancolia. Mudando o movimento dos olhos para cima, interrompemos este processo.

Para baixo – O movimento dos olhos como se olhássemos para a ponta do nariz ativa os nossos sentidos olfativos. Por isso enólogos ao degustarem vinhos olham para a ponta do nariz.

Os autores Allan e Bárbara Pease fazem uma observação sobre os canhotos. 10% das crianças que nascem em todo o mundo são canhotas. Destas, 60% desenvolvem movimentos ambidestros, ou seja, utilizam as duas mãos com a mesma habilidade. Os outros 40% restantes mantêm-se totalmente canhotos e neles o movimento dos olhos funciona de maneira invertida.

Linguagem corporal na sedução[editar | editar código-fonte]

A maior parte da nossa comunicação é feita por meio da linguagem corporal, tom de voz, movimentos e gestos. Todas essas coisas juntas, tais como expressões faciais, entonação de voz, velocidade da fala, como você anda, o jeito que você se posiciona no mundo, como mantém contato olhos nos olhos, o quão rápido você se move e até mesmo a nossa respiração, dizem sobre quem é você. Seu poder de sedução resultará de como se sente feliz e do modo como mantém o controle sobre sua vida[2] .

A linguagem corporal é um item crucial no processo da sedução. Mulheres, por exemplo, são atraídas por homens mais confiantes, dominantes, desinibidos e sorridentes. Isso tudo, obviamente, pode ser demonstrado pela linguagem corporal. No momento da sedução a linguagem corporal é muito importante, pois nos primeiros momentos de interação com uma mulher, por exemplo, elas sentirão firmeza ou não nas coisas que os homens dizem por meio da análise da coerência entre o que dizem e suas linguagem corporais. Na sedução, você deve falar mais alto do que o normal, usar de uma vibe contagiante e um sorriso no rosto - tudo isso ao mesmo tempo. A junção dessas formas de comunicação irá gerar atração nas pessoas[2] .


Referências

  1. REIMAN, Tonya. Trad. Mirian Ibanez. A arte da persuasão. São Paulo: Lua de papel, 2010
  2. a b LOUGAN, John. O jogo da sedução. Joinville, SC: Clube de Autores, 2013. 508 p.