Literatura em esperanto

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Literatura em esperanto é a literatura escrita em esperanto e que inspira a tradição mundial da literatura de muitas línguas. É a principal prova da vivacidade e natureza evolutiva da língua esperanto. Somente nessa língua planejada foi criada por completa a literatura importante representada por, entre outros, Kalman Kalocsay, Julio Baghy e William Auld. É também a mais rica tradição da língua planejada desde as traduções. A literatura do esperanto também é o recurso importante da ciência e comunicação (também na literatura de belas artes).

Devido à diversidade da origem dos esperantistas, os autores abaixo não estão classificados por nacionalidade, como na literatura de outros idiomas.

Traduções[editar | editar código-fonte]

As primeiras tentativas de se traduzir material literário para o esperanto pareciam muito frequentemente com exercícios de aprendizagem; os escritores enviavam seus manuscritos a Zamenhof (então redator-chefe de "La E-isto"), que antes de os fazer aparecer na revista, corrigia os erros de estilo e gramática. Muitos dos contribuintes da revista durante esse período (1889-95) se tornaram conhecidos em geral por seu trabalho na tradução; entre eles, encontravam-se Grabowski, de Wahl, Devjatnin, Kofman e L. E. Meier.

Até 1904 apareceram em forma de livro apenas umas poucas traduções, pois era muito pequeno o público que conhecia o esperanto. As obras mais interessantes que até então foram: "La gefratoj" (Goethe) e "La Neĝa Blovado" (Puŝkin) traduzidos por Antoni Grabowski; "Hamleto" (Shakespeare) traduzido por Zamenhof, "Demono" (Lermontov) e "Boris Godunov" (Puŝkin) por Devjatnin; "Iliado" (Homero) e "Kain" (Byron) por Kofman; "Princino Mary" (Lermontov) por Edgar von Wahl. Naquele tempo muito se traduzia do russo, polaco e alemão: com isso faz sentido que essas sejam as línguas pátrias da maioria dos esperantistas.

Com o aumento do movimento esperantista, e a maior frequência em seguida de encontros internacionais, aumentou e ficou mais frequente também a tradução de literaturas nacionais. Acima da página de título apareciam novos nomes - Pujulà i Vallès, Inglada, Bicknell, Kotzin, Cederblad, Lengyel, Hodler, Meyer, Noel, Motteau, Roksano, Vallienne. Multiplicavam-se obras clássicas da literatura da europa ocidental; Shakespeare se fez representar por La Ventego (A Tempestade) - tradução de Motteau, Julio Cezaro (Júlio César)- por Lambert, Makbeto (Macbeth) - por Lambert; Macaulay com Horacio - por Bicknell; Tennyson com Gvinevero (Guenevere) - por Bicknell; Molière - L' Avarulo (O Avarento) - por Meyer, Edziĝo Kontraŭvola (O Casamento Forçado) - por Dufeutrel, Don Juan - por Boirac, Georgo Dandin - por Zamenhof; Conscience Blinda Rozo - por van Metekebeke e van Hove, Rike-Tikke-Tak - por Maria Elworthy-Posenaer, Kion patrino povas suferi - por Frans Schoofs); Racine com Athalie kaj Esther - por Noei, Prévost com Manon Lescaut - por Vallienne; Goethe com Ifigenio en Taŭrido - por Zamenhoff; Schiller com La Rabistoj - por Zamenhof, Wilhelm Tell - por L. E. Meier; Grimm com Elektitaj Fabeloj - por Kabe. Além disso, apareceram diversas obras (pequenas) de Musset, Maupassant, Balzac, Vigny e de outros escritores conhecidos assim.

O fluxo desse lado de forma alguma fez cessar a ação do leste europeu; ali eram ativos: o próprio Zamenhof (La Revizoro de Gogol, Marta de Orzeszko), Grabowski (obras de Slowacki e Sienkiewicz), Kabe (Pola Antologio e obras de Sierozewski, Orzeszko, Prus, Reymont e Turgenev), e Devjatnin (obras de Puŝkin, Gogol, Krilov). Até então eram pouco freqüentes as obras das literaturas espanhola, húngara, italiana, sueca, dinamarquesa e japonesa; por outro lado, não faltavam traduções das línguas clássicas - latim, grego, hebraico. Dessa última, Zamenhoff traduziu antes da guerra mundial a maior parte do Antigo Testamento.

Apesar do aumento do número de esperantistas, ainda persistia em todos os círculos o geralmente reprovável costume de traduzir de línguas estranhas ao tradutor. Nos primeiros dias, esse costume era pelo menos tolerável, pois era condicionada a circunstâncias externas, mas pode-se lamentar que também após a transformação das circunstâncias, algumas pessoas não limitassem seu trabalho a sua área, em que eles sem dúvida seriam mais seguros. Dentre os poucos que reagiram com sucesso a esse princípio, Grabowski se distingue por seu conjunto de poemas El Parnaso de l' Popoloj, que possui, além de poemas originais, também traduções de trinta outras línguas.

Antes da explosão da I Guerra Mundial apareceram as seguintes obras por vários motivos interessantes:

  • Fabiola (Wiseman - Ramo)
  • La Venecia Komercisto (Shakespeare - Alfred Edward Wackrill)
  • Bulgaraj Rakontoj (Ivan Vazov - Atanas D. Atanasov)
  • Eŭgenino Grandet (Honoré de Balzac - Emile Gasse)
  • Elektitaj Poemoj (Heine - Pillath)
  • Hispanaj Dramoj kaj Angora Katino (Benavente - Inglada)
  • Japanaj Rakontoj (Chif Toshio)
  • Hebreaj Rakontoj (Ŝalom-Aleĥem kaj Perec-Muĉnik)
  • Kroataj Poeziaĵoj (M. Spicer)
  • Fantomoj (Turgenev - Fiŝer)
  • Novaj Versaĵoj (Lermontov - Bela Manto)
  • três traduções de Ŝidlovskaja: Princo Serebrjanij (A. Tolstoj), Stranga Historio (Turgenev) e Arbaro Bruas (Korolenko).

Durante o período de guerra, o movimento no campo da literatura quase cessou completamente, mas após 1918 ele retomou as forças lentamente. Alguns dos pioneiros recomeçaram a trabalhar, mas na maior parte, novos elementos se tornaram conhecidos dos leitores esperantistas. Entre os tradutores de antes da guerra, o mais importante foi Grabowski; por causa de sua tradução magistral da famosa epopeia polonesa Sinjoro Tadeo de Mickiewicz; já há anos Grabowski sonhava traduzir essa obra ao povo polonês, mas o tamanho da tarefa o deixou de fora desse trabalho por muito tempo. Por fim, efetivando seu antigo sonho, ele teve que experimentar a língua; quase sem perceber, ele foi por um caminho que após sua morte, o poeta húngaro Kalocsay seguiu bem atentamente. Outras figuras já conhecidas, que reapareceram, foram L. E. Meier (Fabloj de Lessing), Ŝidlovskaja (Senlingvulo e La sonĝo de Makaro de Korolenko; La kapitanfilino de Puŝkin), e Fiŝer (Tri noveloj de Puŝkin).

Logo se tornou evidente que os novos eram totalmente competentes em retomar as canetas daqueles que não trabalhavam mais na tradução. Na primeira classe estã ode pé: Hilda Dresen - da Estônia; Bulthuis - holandês; Morariu - romeno; Kalocsay e Bodó - húngaros. Hilda Dresen revelou aos leitores internacionais os poemas de Marie Under (Elektitaj Versaĵoj) e os de Barbarus (Horizontoj), e foi co-redatora do primeiro volume de Estona Antologio (Antologia Estoniana). Ao escrever sobre a literatura estoniana em esperanto, não se deve esquecer o livro de romances Kvin Noveloj de Tuglas, muito bem traduzidas por Seppik. Ainda é pequena a contribuição romena à literatura em esperanto; mas o que já se tem nas traduções de Morariu (Niĉjo Mensogulo de Brătescu-Voineşti kaj Nobela Peko de Sadoveanu) podem nos fazer suspirar pelo aumento dessa seção. Ainda que Bulthius, já antes da guerra, tenha feito tradções (Salome de Oscar Wilde, e várias obras francesas em colaboração com Toucheboeuf), ele no entanto teve mais participação justamente no período pós-guerra. Sobre sua capacidade de tradução, atestam, principalmente: a obra La malgranda Johano, história alegórica de van Eeden, considerada uma das obras mais populares na literatura holandesa, La Leono de Flandrujo, traduzida do flamengo, de Hendrik Conscience, Imperiestro kaj galileano, do norueguês, de Ibsen e Taglibro de vilaĝpedelo, do dinamarquês, de Blicher.

Do húngaro, Kalocsay traduziu o drama La Tragedio de l' Homo de Madách, o conto popular Johano la Brava de Petöfi e Morgaŭ Matene de Karinthy; Karlo Bodó atingiu um nível igualmente alto com suas traduções do conjunto novelístico Norda vento de Karinthy e o romance La Cikoni-Kalifo de Babits. Se alguém já leu as obras citadas, e ainda não se convenceu da alta classe da literatura húngara, podem atestar em complemento através da coleção de poema e prosa Hungara Antologio, compilada por Kalocsay em colaboração com Bodó, Szilágyi, Totsche, Halka e Baghy.

Mais acima nós já chamamos a atenção quanto à similaridade entre os trabalhos de Grabowski e Kalocsay na esfera de experiências linguísticas; similaridades adicionais podem ser encontradas no fato de que Kalocsay também publicou uma coleção de traduções de poemas de várias línguas: a obra Eterna Bukedo contém obras poéticas principais de vinte línguas, apresentadas daquela maneira brilhante que se espera do poeta esperantista mais bem sucedido em vida. E sua tradução do Inferno de Dante é a mais nova e o maior triunfo da linguagem poética esperantista.

Somente após a morte de Zamenhof foi publicada uma tradução dele das Fábulas de Andersen, em três volumes (1923, 1926, 1931). R.U.R. de Karel Čapek e Tridek jarojn en la Ora Nordo (Trinta Anos no Norte Dourado, de Jan Welzl), obras modernas em tcheco, apareceram em esperanto graças aos tradutores esperantistas pioneiros na Morávia. Do Búlgaro vieram as interessantes coleções de contos: Nuntempaj Rakontoj de Stamatov-Krestanoff e Novaj Bulgaraj Rakontoj de Vazov-Atanasov; Krestanoff preparou também a Bulgara Antologio, publicada em 1925. A literatura da Catalunha divulgou amplamente a Kataluna Antologio na redação de Jaume Grau Casas, a literatura belga a Belga antologio (Flandra kaj Franca Partoj), e a lituana, a Litova Almanako.

Deixando um pouco o campo europeu, vamos explorar o trabalho em outros continentes. No oriente longínquo, chegamos a várias peças de teatro da idade média e romances policiais modernos da língua japonesa; em nível mais alto encontram-se as obras autobiográficas de Ariŝima: Deklaracio e Senbedaŭre Amo Rabasen, traduzidas por T. Tooguu. Até então os chineses quase nada contribuíram à literatura em esperanto; uma exceção é o drama moderno Ribelemaj Virinoj de M. C. Kuo, traduzido por S. M. Chun.

Após uma viagem mental através do Oceano Pacífico e América, chegamos ao local de trabalho do estadunidense Edward S. Payson, que, durante os últimos anos de sua vida, traduziu fervorosamente do inglês: La Rozujo Ĉiumiljara e Palaco de danĝero de Wagnalls, Mimi de Giesy, Luno de Izrael de Haggard (e colaboração com Montagu C. Butler) e muitos outras obras.

Uma última olhadela no campo de trabalho europeu possibilita ver uma penca de traduções de onze línguas; do inglês vem La Dormanto Vekiĝas (H. G. Wells - Millward), Jane Eyre (Charlotte Bronte - Bulthuis); do flamenco - Pallieter (Felix Timmermans - Jan van Schoor), Servokapabla - Marcus Tybout (Georges Eekhoud - Léon Bergiers); do francês - Kandid (Voltaire - Lanti), La Mizantropo (Molière - Boucon), Bareluloj kaj Fadenuloj (Maurois - Berna Fabo); do alemão - En Okcidento Nenio Nova (Remarque - Kvar), La Vojo Returne (Remarque - Berger), La Hirundlibro (Ernst Toller - H. Wolff), La Okuloj de la Eterna Frato (Stefan Zweigt - I. Wolff), Romaj Elegioj e La Taglibro (Goethe - Kalocsay); do holandês - Akbar (Limburg-Brouger - Isbrücker kaj Ziermans), Gysbreght van Aemstel (van den Vondel - Isbrücker); do italiano - Historio de Kristo (Papini Anonima), Infero (Dante - Kalocsay), Pinokjo (Collodi - Marchesi); do croata - La Morto de Smail-Aga Cengijiĉ (Mazuraniĉ - M. Spicer); do judaico - La Sorĉistino el Kastilio (Ŝalom-Asch - Lejzerowicz); do hebraico - Merkado la Azenpelisto (Naum Jeruŝalmi - Leono Vienano); Ruĝa Stelo (Bogdanov) e Per Voĉo Plena (Majakovskij), poemas traduzidos de Rublov, Hohlov, Nekrasov, e outros, Eŭgeno Onegin (Puŝkin - Nekrasov); do sueco - Per Balono al la Poluso (Andree, Strindberg, Fraenkel - Engholm), Tra Sovaĝa Kamĉatko (Bergman - Gerdman), La mono de sinjoro Arne (Selma Lagerlöf - Engholm.)

Obras originais[editar | editar código-fonte]

É realmente compreensível que durante os primeiros anos os escritores não atuassem tanto no campo de literatura original quanto na traduzida; para traduções desse tipo, que saiam naquela época, nem sempre se consideravam necessários talentos de escritos: era necessário apenas um certo grau de conhecimento da língua e um tanto de tempo livre.

Os primeiros testes de escrita original em esperanto foram os do próprio Zamenhoff, que, em seu próprio livro Unua Libro (1887) publicou seus poemas Mia penso e Ho, mia kor'!, dos quais o primeiro é uma jóia da poesia esperantista. Nos primeiros números de La E-isto, foram impressos obras originais de Ludwig Emil Meier, Nikolaj Afrikanoviĉ Borovko, Grohn, Fez (Feliks Zamenhof), e Martin Goldberg. Em 1896 apareceu o primeiro poema impresso separadamente: Nevola Mortiginto de Vasilij Devjatnin. Na série Biblioteko de la LI seguiram as obras em prosa Kraljeviĉ Marko (M. Abesgus), El la Vivo de la E-istoj (V. Stankeviĉ), En la Brikejo (Józef Waśniewski), e Du Mirrakontoj (Otto W. Zeidlitz). A La Fundamenta Krestomatio primeiramente editada em 1903, possuía poemas originais de Zamenhoff, e também obras de outros esperantistas; em grande parte, o material aparecia aqui e ali nos cadernos da La E-isto e por vezes na Lingvo Internacia.

O primeiro Congresso Universal de esperanto, em Bolonha (1905) precedeu um grande progresso na literatura original; apareceram Du Rakontoj (Rothau), Urso - En Montoj (Henri Sentis); Sep Rakontoj (Ivan Malfeliĉulo), e os conjuntos de poemas Versaĵareto (A.Dombrowski), Verdaj Fajreroj (Roman Frenkel). Ao médico francês dr. Henri Vallienne devemos o primeiro romance originalmente em esperanto, Kastelo de Prelongo (1907); o enredo fala sobre as relações entre membros de uma família nobre francesa e seus empregados. No ano seguinte, Vallienne, que devia deixar sua carreira profissional devido ao seu mau estado de saúde, publicou um segundo romance, Ĉu li?, em que trata de crises de identidade e adulterações de contraste. Ambos os romances são importantíssimos para o caráter da literatura do esperanto. A imperfeição linguística de Vallienne não deve ser levada muito em conta, pois é memorável que ele foi o escritor pioneiro no período, quando o nível geral da língua ainda era baixa.

Edmondo Privat

Para o crescimento da poesia do pré-guerra, contribuíram principalmente os poloneses Wiktor Elski e Eska (Unuaj Agordoj - 1910), o tcheco Stanislav Schulhof (Per Espero al Despero, Kion la Vivo Alportis - 1911; Aŭtunaj Floroj - 1912), o suíço Edmond Privat (Tra l' Silento - 1912), o polonês Juljusz Kriss (Melodioj de l' Nokto - 1914) e Charles Bicknell, um inglês que há muito tempo morava na Itália, e que contribuía com poemas em várias revistas. Esses poetas freqüentemente se mostravam altamente inspirados, mas as falhas técnicas de suas obras às vezes tiravam um pouco de seu efeito poético.

Marie Hankel e Roksano (Jane Flourens), duas das poucas escritoras esperantistas, publicaram respectivamente Sableroj (1911) e La Senlaca Sinofero (1912); contudo, estas obras têm interesses somente históricos. Após os romances de Vallienne, seguiram duas obras de Heinrich August Luyken: Paŭlo Debenham e Mirinda Amo; elas atestam um escritor competente, mas muito inclinado a fazer forte propagandas de suas idéias, em suas criações literárias - idéias que desagradam a leitores não-cristãos. Um humor totalmente diferente dá à luz ao conto espirituoso de John Merchant - Tri Angloj Alilande - que, sem pretensão de qualquer tipo de valor literário, apresentou convenientemente ao mundo o cerne do humor inglês. Um terceiro inglês, Richard Sharpe, publicou em 1913 a obra autobiográfica Travivaĵo de Ro Ŝo.

Durante a I Guerra Mundial, o trabalho de escrita em esperanto quase cessou; as únicas obras dignas de atenção desse período foram o livro de poemas La Dorna Karesilo de Bela Manto (Boris MIRSKI) e, mais importante, o romance filosófico Nova Sento de Tagulo (H. HYAMS). Nessa última obra utópica, o autor expõe sua filosofia de vida, consistindo de idéias socialistas, teosóficas e vegetarianas.

Logo após o fim da guerra, os escritores originais novamente trabalharam; e à sua turma aderiram ainda novas figuras. Em Moscou começou a escrever poesias o russo Eŭgeno Miĥalski sob a bandeira das guerras de classes esperantistas em La Nova Epoko e continuou na obra Prologo. Em Budapeste, dois húngaros, Kalman Kalocsay e Julio Baghy, começaram a trilhar pelo caminho que conduziu à estimável valorização da poesia esperantista.

Kolomano Kalocsay

Em 1921 apareceu o primeiro livro de poemas de Kalocsay: Mondo kaj Koro; já nessa pequena obra era evidente que o poeta, mais que outros anteriores, se preocuparia com a técnica da poesia; contudo, às vezes sente-se o desejo de que ele não estivesse polindo e repolindo duas ou três vezes as jóias dessa sua primeira coleção para deixá-las na forma das suas últimas teorias. Durante dez anos foram aparecendo em vários jornais muitos poemas de Kalocsay; em 1931 publicou-se a coleção completa Streĉita Kordo. Seja lá o que for que que virá futuramente para enriquecer mais nosso tesouro poético, não é previsível que Streĉita Kordo perderá por isso seu lugar de direito na cabeça. Nela se encontram poemas cantados do esperantismo, desilusões da maturidade, o amor, a natureza, a infelicidade; é realmente notável o alto nível de uma obra tão ampla.

Preter la Vivo (1923) e Pilgrimo (1926) tornaram conhecidas as obras esperantistas de Julio Baghy, o vagabundo amado, o poeta do povo esperantista, o "cavaleiro da paz mundial". Deve-se confessar, que nem sempre ele atingiu um alto grau igualmente; e encontra-se em seus poemas mais expressões românticas da emoção do que nas obras de outros da mesma cidade. Suas obras distinguem sua profunda compaixão e simpatia por todas as vítimas da vida que levam. Seu profundo destemor, sua melancolia, seu romantismo, tudo isso se pode atribuir à sua herança e ao ambiente em que vivia; principalmente sua profissão - ator dramático - e sua vida militar deixaram fatalmente impressões marcantes em seus poemas e obras em prosa. Seu primeiro romance Viktimoj (Vítimas) é baseada em suas próprias experiências na Sibéria durante a guerra mundial; essa obra se tornou extraordinariamente popular entre os esperantistas, para os quais ela ocupa um papel similar à das obras de Charles Dickens no povo inglês. Em alguns contos de Baghy se mostra sarcástico, o que de algum modo compensa a sentimentalidade exagerada de outras obras. Esse lado malicioso de sua personalidade fez nascer também o grande romance Hura! (1931), que o próprio autor chamou de careta; e no mesmo anos aparece Printempo en la Aŭtuno, obra apresentando em alto gradu o seu romantismo.

Outros poetas debutantes dos anos pós-guerra foram: Julio Mangada Rosenörn (Versaĵaro - 1922), Jaume Grau Casas (Amaj Poemoj - 1924; Novaj Amaj Poemoj - 1927), Olŝvanger (Eterna Sopiro- 1925), Teodor Jung (La Alta Kanto de la Amo - 1927), Jan van Schoor (Amo kaj Poezio - 1928), Nikolao Hohlov (La Tajdo - 1928). De todas essas obras, distingue-se a de Hohlov, que posteriormente abandonou o lirismo original para ajudar no progresso da literatura revolucionária; La Tajdo tem o direito ao lugar na mesma prateleira que Streĉita Kordo kaj Preter la Vivo. Pode-se, com precisão, chamar a poesia de Hohlov de maravilhosa; sente-se que o poeta administra igualmente a matéria e técnicas de expressão.

Na época de reorientação pós-guerra, a literatura em prosa também obteve novos tesouros. Luyken, que já escrevia antes da guerra, agora trabalhava em nível mais alto, para produzir os romances Stranga Heredaĵo kaj Pro Iŝtar. Da pena do holandês incansável Hendrik Bulthuis fluíram as obras de espiritualidade tranquilas Idoj de Orfeo, Jozef kaj la edzino de Potifar, kaj La Vila Mano. Jean Forge, cineasta polonês, publicou Abismoj e Saltego trans jarmiloj enriquecendo dessa maneira a literatura recreativa, segundo o exemplo estabelecido em 1920 por Argus (F. Ellersiek) com o romance policial Pro Kio?. Após um período infrutífero de oito anos, Forge editou a terceira obra Mr. Tot aĉetas mil okulojn.

O conjunto de poemas Verdkata Testamento (1926) de Raymond Schwartz, pela primeira vez representou a contento, na literatura em esperanto, o humor tipicamente francês, que se baseia na filosofia epicurista e aceitação da paz de espírito das pessoas, tal qual estão. O fato de que as obras de Schwartz ofendem muitas pessoas, que não participam dessa filosofia não podem tirar nenhum valor da maestria do escritor nesse assunto que ele escolheu para si. Sua genialidade não se limita à escolha de temas e situações, mas encontra reflexos também na maneira brilhante com a qual Schwartz faz uso de ferramentas linguísticas totalmente não intencionadas para funcionar como canal de comunicação para conceitos e sentenças espirituosos, para jogos de palavras e paródias maliciosas. Ao atingir de maneira certeira a veia do sucesso, através de sua primeira obra, ele publicou em 1928 o livro de contos igualmente humorísticos Prozo Ridetanta e, em 1932, seu segundo livro de poemas La Stranga Butiko, "em honra à grande crise". Em todos os três livros, Schwartz dedicou um grande parte para zombar dos esperantistas e suas instituições; não se pode duvidar que isso seja uma coisa boa, para a saúde mental do povo, principalmente se alguém compartilha da opinião de Gilbert Keith Chesterton, que "algumas coisas na vida são tão importantes, que não se deve relacioná-las com seriedade às outras". Uma característica notável em Schwartz é sua capacidade de criar, com alguns poucos traços de caneta, uma imagem totalmente completa e concebível sobre um quadro a ele bem familiar; essa característica é visível em alto grau em seu romance Anni kaj Montmartre.

Em 1930 apareciam no horizonte duas figuras novas e dignas de atenção: Stellan Engholm e Kenelm Robinson. O primeiro, sueco, eternizou, nas páginas de seu romance Al Torento, o caso amoroso idílico de um jovem lenhador sueco com uma garota de uma vila vizinha. Ao lado do tema central do conto, habilidosa e convincentemente, Engholm toca naqueles casos importantes, que, de tempos em tempos, enfrentam os jovens em amadurecimento. Em Homoj sur la Tero, o mesmo escritor pinta uma imagem similar, em maior escala, mas não com mais sucesso.

Se Grenereto... de Kenelm Robinson, por alguns anos o pseudônimo do inglês, que tinha anteriormente publicado apenas algumas novelas em jornais, despertou interesse no mesmo ano em várias rodas literárias, pois trouxe algo de novo à cultura internacional construída pelos escritores esperantistas. Dedicada "ao mestre, André Gide", a obra contém dezenas de contos e ensaios com um conto maior La Fremda Knabo, em que o autor apresenta, com observação aguçada, a vida de um garoto numa república escolar inglesa. Robinson escreveu também o Vol. II., uma coleção bilíngue de contos e poemas, e o pequeno drama Homarisma Laboro, uma mordida na moral e da classe burguesa britânica. Existe uma grande discussão sobre seu valor em nossa literatura, pois suas obras despertaram forte indignação em várias pessoas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Escolas[editar | editar código-fonte]

Revistas e coleções[editar | editar código-fonte]

Organizações[editar | editar código-fonte]

Edições e séries de livros[editar | editar código-fonte]

Catálogos na rede e buscas[editar | editar código-fonte]

Prêmios literários[editar | editar código-fonte]

Literatura na rede[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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