Método socrático

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O método socrático consiste em uma técnica de investigação filosófica feita em diálogo que consiste em o professor conduzir o aluno a um processo de reflexão e descoberta dos próprios valores. Para isso ele faz uso de perguntas simples e quase ingênuas que têm por objetivo, em primeiro lugar, revelar as contradições presentes na atual forma de pensar do aluno, normalmente baseadas em valores e preconceitos da sociedade, e auxiliá-lo assim a redefinir tais valores, aprendendo a pensar por si mesmo[1] .

Tal técnica deve seu nome "socrático" a Sócrates, o filósofo grego do século V a.C., que teria sido o primeiro a utilizá-la. O filósofo não deixou nenhuma obra escrita, mas seus diálogos nos foram transmitidos por seu discípulo Platão. Nesses textos Sócrates, utilizando um discurso caracterizado pela maiêutica (levar ou induzir uma pessoa, por ela própria, ou seja, por seu próprio raciocínio, ao conhecimento ou à solução de sua dúvida) e pela ironia, levava o seu interlocutor a entrar em contradição, tentando depois levá-lo a chegar à conclusão de que o seu conhecimento é limitado. No entanto, Aspasia é referida por Sócrates como uma das mais importantes personalidades a orientá-lo em seu desenvolvimento intelectual e filosófico, sobretudo na arte da retórica [2] . Alguns acadêmicos acreditam que teria sido Aspasia quem inventou o método socrático [3] [4] .

Desde seu princípio na antiguidade o método socrático foi utilizado e desenvolvido por diversos filósofos até a atualidade. Leonard Nelson e Gustav Heckmann são dois importantes nomes ligados ao uso atual do método em filosofia. Além disso, sobretudo com o desenvolvimento da terapia cognitiva nos anos 60 do séc. XX, o método socrático passou a ser utilizado como método de entrevista em diversos contextos de psicoterapia e aconselhamento[1] .

Nietzsche viu em Sócrates a mudança da filosofia, a que denomina funesta, intuitiva, para uma filosofia da "racionalidade" desagregadora da vida, referindo-se a Teoria dos Dois Mundos surgida pelo seus ensinos no discípulo Platão. Já Kierkegaar [5] salienta no método socrático o destaque à ironia. Apreço à ironia é a opinião com que concorda Schuster, e define nele o pouco apreço à própria ciência no saliente ditado: "só sei que nada sei"; e a elevação da ética e da arte de viver, visto que no seu ensino a felicidade seria o fim a ser alcançado na vida. [6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Stavemann, H. (2007). Sokratische Gesprächsführung in Therapie und Beratung.Weinheim: Beltz.
  2. Plato, Menexenus, 236a
  3. C. Glenn, Remapping Rhetorical Territory, 180–199
  4. Jarratt-Onq, Aspasia: Rhetoric, Gender, and Colonial Ideology, 9–24
  5. Nota: Søren Aabye Kierkegaard foi um filósofo e teólogo dinamarquês que iniciou seus trabalhos fazendo uso do método dos diálogos socráticos.
  6. Johannes Schuster e outros, Dicionário de Filosofia, Editora Helder, SP, 1969, pag. 389