Mamelucos

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Um mameluco otomano, de 1810.

Os mamelucos (da palavra árabe مملوك, plural: مماليك ) eram escravos que geralmente serviam a seus amos como pajens ou criados domésticos, e eventualmente eram usados como soldados pelos califas muçulmanos e pelo Império Otomano para os seus exércitos e que em algumas situações também no Egito detiveram o poder.

Índice

Os primeiros mamelucos serviram os califas abássidas em Bagdá no século IX. Os Abássidas recrutaram-nos das famílias não muçulmanas capturadas em áreas que incluem a atual Turquia, Europa de Leste e o Cáucaso.

O uso de não muçulmanos justifica-se inclusive porque os governantes islâmicos, muitas vezes lidando com conflitos tribais e debatendo-se com as intrigas de que Ibn Khaldun nos relata para manter o poder, muitas vezes desejavam depender de tropas sem ligação com as estruturas (familiares e culturais) de poder estabelecidas. Também se pode justificar esta escolha em parte pelo argumento de que o Islão proibia que muçulmanos combatessem entre si (o que naturalmente era um argumento retórico, dado que na verdade eles combateram-se). Além do quê, era uma estratégia vantajosa para os muçulmanos retirar os homens jovens e sadios às suas famílias e terras cristãs, adiando ou mesmo evitando levantes que ameaçassem a integridade territorial dos impérios islâmicos, conforme se viu no recrutamento compulsório de jovens cristãos para o treinamento de janízaros otomanos.

Como se disse, o principal motivo desta opção era político. Os guerreiros locais eram frequentemente mais fiéis aos sheiks tribais, às suas famílias ou nobres, do que ao sultão ou califa.

Se algum comandante militar local conspirasse contra o governante era frequentemente impossível lidar com ele sem causar intranquilidade entre a nobreza (ligada a esse comandante por laços familiares ou culturais).

As vantagens das tropas-escravas é que eles eram estrangeiros, possuíam o estatuto mais baixo possível na sociedade, não podiam conspirar contra o governante sem correrem o risco de ser punidos.

Após serem convertidos ao Islão, eles eram treinados como soldados de cavalaria. Apesar de não serem mais escravos de um ponto de vista técnico, após esse treino eles eram obrigados a servir o sultão. Eram mantidos pelo Sultão como uma força autónoma sob o seu comando directo, para usar no caso de atritos entre tribos locais. Muitos mamelucos ascenderam a posições de influência no império. Esse estatuto permaneceu não-hereditário no início e as suas crianças eram impedidas de seguir os seus pais.

Com o tempo, tornaram-se uma casta militar poderosa, e mais de uma ocasião tomaram o poder para si mesmos como por exemplo no Egito de 1250 a 1517.

[editar] Governantes mamelucos

[editar] No Egito

  • 1250 Shajarat al-Durr (viúva de al-Salih Ayyub governante de facto do Egito)
  • 1250 Al-Mueez Izaddin Aybak
  • 1257 Al-Mansour Nuraddin Ali
  • 1259 Al-Muzaffar Sayd Addin Qutuz
  • 1260 Zahir Baybars Bunduqdari
  • 1277 As-Said Nasir Addin Baraka Khan
  • 1280 Al-Adel Badr Addin Salamish
  • 1280 Al-Mansour Sayf Addin Kalawun Al-Alfi
  • 1290 Al-Ashraf Salah Addin Khalil
  • 1294 Al-Nasir Muhammad
  • 1295 Al-Adel Zayn Addin Kitbougha
  • 1297 Al-Mansour Husam Addin Ladjin
  • 1299 Al-Nasir Muhammad (segunda vez)
  • 1309 Al-muzaffar Roukn Addin Baibars II
  • 1310 Al-Nasir Muhammad (terceira vez)
  • 1340 Al-Mansour Sayf Addin Abu Bakr
  • 1341 Al-Ashraf Ala Addin Qudjouk
  • 1342 An-Nasir Shihab Addin Ahmad
  • 1342 As-Salih Imad Addin Ismail
  • 1345 Al-Qamil Sayf Addin Shaban II
  • 1346 Al-Muzaffar Sayf Addin Hadji I
  • 1347 An-Nasir Nasir Addin Al-Hasan
  • 1351 As-Saleh Salah Addin Saleh
  • 1354 An-Nasir Nasir Addin Al-Hasan (segunda vez)
  • 1361 Al-Mansour Salah Addin Muhammad
  • 1363 Al-Ashraf Nasir Addin Shaban II
  • 1376 Al-Mansour Ala Addin Ali
  • 1382 As-Salih Salah Addin Hadji II
  • 1382 Az-Zahar Sayf Addin Berkuk
  • 1389 Hadji II (segunda vez com título honorário de Al-Muzaffar)
  • 1390 Az-Zahir Sayf Addin Berkuk (segunda vez)
  • 1399 An-Nasir Nasir Addin Faradj
  • 1405 Al-Mansour Azzaddin Abdal Aziz
  • 1405 An-Nasir Nasir Addin Faradj (segunda vez)
  • 1412 Al-Adel Al-Mustayn (Abbasi Khalef, proclamado como Sultão)
  • 1412 Al-Muayad Sayf Addin Shayh
  • 1421 Al-Muzaffar Ahmad
  • 1421 Az-Zahir Sayf Addin Tatar
  • 1421 As-Salih Nasir Addin Muhammad
  • 1422 Al-Ashraf Sayf Addin Barsbay
  • 1438 Al-Aziz Djamal Addin Yusuf
  • 1438 Az-Zahir Sayf Addin Djakhmak
  • 1453 Al-Mansour Fahr Addin Osman
  • 1453 Al-Ashraf Sayf Addin Enal
  • 1461 Al-Muayad Shihab Addin Ahmad
  • 1461 Az-Zahir Sayf Addin Khushkadam
  • 1467 Az-Zahir Sayf Addin Belbay
  • 1468 Az-Zahir Temurbougha
  • 1468 Al-Ashraf Sayf Addin Qaitbay
  • 1496 An-Nasir Muhammad
  • 1498 Az-Zahir Qanshaw
  • 1500 Al-Ashraf Djanbulat
  • 1501 Al-Adel Sayf Addin Tumanbay I
  • 1501 Al-Ashraf Qansuh al-Ghawri
  • 1517 Al-Ashraf Tumanbay II

[editar] Na Índia

[editar] Mameluco no sentido sul-americano

Na América do Sul, Mameluco (mais comumente conhecido como caboclo) é também o termo usado para identificar pessoas mestiças. Nos séculos 17 e 18, Mameluco referia-se a bandos organizados por colonizadores (mesclados ou não) caçadores de escravos. Mamelucos eram em sua maioria capitães do mato na América do Sul, que vagueavam pelo interior da América do Sul desde o Atlântico até às encostas dos Andes, e do Paraguai até ao Orinoco fazendo incursões entre áreas habitadas pelos Guaranis em busca de metais preciosos.

Contudo, no Brasil, o termo mameluco corresponde a pessoas de origem europeia com nativos americanos indígenas. A denominação foi dada pelos primeiros colonos lusitanos nas terras brasileiras para os mestiços. Os mamelucos que se destacaram na então colônia portuguesa foram os bandeirantes, que colaboraram para a expansão do território, até então limitado pelo Tratado de Tordesilhas.

A palavra vulgarizou-se em Portugal possivelmente na Idade Média, derivando do termo árabe denotativo da facção de escravos turcos que, engrossando as fileiras do exército muçulmano no Egito, acabaria por fundar uma dinastia afamada por sua tirania na região. Os mamelucos coloniais (para não falar nos mestiços reinóis) herdaram, pois, no próprio nome, a fama de violência dos guerreiros turco-egípcios.

[editar] Ver também

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