Oskar Lange

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Oskar Ryszard Lange
Nascimento 27 de julho de 1904
Tomaszów Mazowiecki, Polônia
Morte 2 de outubro de 1965 (61 anos)
Londres, Inglaterra
Ocupação economista
Influências
Escola/tradição Escola Marxista
Principais interesses Economia, Política econômica, Econometria
Ideias notáveis problema do cálculo econômico

Oskar Ryszard Lange (Tomaszów Mazowiecki, 27 de julho de 1904Londres, 2 de outubro de 1965) foi um economista e diplomata polonês.

Quando tinha trinta anos, acusado de defender o comunismo, foi expulso do Partido Socialista Polonês. Resolveu, então, deixar a Polônia e radicar-se nos Estados Unidos, onde chegou a se naturalizar americano em 1945. Neste mesmo ano, porém, retomou sua nacionalidade, ocasião em que foi nomeado embaixador da Polônia em Washington. No ano seguinte representou seu país no Conselho de Segurança da ONU e, de 1957 até pouco antes de sua morte, seria presidente do Conselho de Ministros, tendo também ocupado o cargo de presidente da Associação Central de Cooperativas. Suas idéias, opostas às de Ludwig von Mises, fizeram com que Lange analisasse os preceitos econômicos de von Mises e da Escola Austríaca de Economia

Dedicou-se profundamente aos estudos econômicos, deixando cinco importantes obras:

  • (1959) Introdução à economia política;
  • (1960) Ensaios sobre planificação econômica;
  • (1962) Totalidade e desenvolvimento à luz da cibernética;
  • (1964) Problemas da economia socialista e da planificação.

Seu trabalho em prol da economia polonesa, para a qual propôs reformas capazes de reconciliar a planificação central com a relativa liberdade de mercado, acabou por influenciar a política econômica de outros países da Europa Oriental.

Monumento a Oskar Lange

O debate com a Escola Austríaca[editar | editar código-fonte]

O economista austríaco Ludwig von Mises a partir de 1920 e tendo como base as dificuldades econômicas da Revolução Russa defendeu posições liberais tais como a de que "o equilíbrio entre a oferta e a procura é impossível num mercado controlado" pois num comando centralizado da Política Econômica não existiria a escala de preços racional e operativa, o que impediria a alocação eficaz dos recursos disponíveis. No sistema liberal, a medição dos custos dos recursos e os preços de bens e serviços funcionariam como "índices de escassez" reproduzidos com fidelidade, o que não aconteceria no socialismo.

A primeira manifestação de Lange aconteceu em 1936 e baseou-se em dois pontos fundamentais: a calculabilidade dos preços (base do "índice de escassez") e a racionalidade do sistema. Em relação ao primeiro defendeu que a planificação socialista podia levar em conta preços históricos e seria mais eficiente pois não sofreria das "imperfeições do mercado". Quanto ao segundo, a visão global das alternativas de consumo, poupança, investimento e produção dada pela planificação garantiria a racionalidade. Acrescenta que a racionalidade da empresa capitalista tem um caráter privado e não social, o que leva "a um desperdício de meios e de recursos econômicos na escala do conjunto da sociedade". [1]

Na sequência das observações, o inglês Maurice Dobb depois mudaria da calculabilidade dos preços e racionalidade do sistema para a análise do processo de acumulação.

Entretanto, quando Lange, um devoto comunista, voltou à sua Polônia natal em 1947 para atuar no alto escalão da burocracia estatal, o governo comunista não pediu para que ele implementasse sua grande teoria do "socialismo de mercado". Com efeito, nenhum país socialista jamais implementou sua teoria.

Durante 50 anos, poucos livros-textos de economia mencionavam Mises. E, quando o faziam, era apenas para dizer que ele havia sido totalmente refutado por Lange. Os acadêmicos do establishment simplesmente jogaram Mises no buraco orwelliano da memória.

No dia 10 de setembro de 1990, o multimilionário escritor, economista e socialista Robert Heilbroner publicou um artigo na revista The New Yorker intitulado "Após o Comunismo". A URSS já estava em avançado processo de colapso. Neste artigo, Heilbroner recontou a história da refutação de Mises. Ele relata que, na pós-graduação, ele e seus pares foram ensinados que Lange havia refutado Mises. Porém, agora, ele anunciava: "Mises estava certo".

Obras publicadas no Brasil[editar | editar código-fonte]

  • Introdução à Econometria. Rio de Janeiro. Editora Fundo de Cultura, 1963.
  • Moderna Economia Política. Rio de Janeiro. Editora Fundo de Cultura, 1963.
  • LANGE. Economia Política. In: Economia (Org., Lenina Pomeranz, Coleção Grandes Cientistas Sociais). São Paulo, Ática, 1981. coleção de textos retirados de publicações científicas internacionais e polonesas.
  • North Gary. O Socialismo na prática - O laboratório da morte. in (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1341)

Referências

  1. ROSSETTI, JOSÉ PASCHOAL - Política e Programação Econômicas - 3ª Ed. - 1979 - Editora Atlas, págs.92-94
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