Pimenta-da-guiné

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Não deve ser confundida com a variedade de Capsicum frutescens, pimenta-malagueta.
Como ler uma caixa taxonómicaPimenta-da-guiné
Aframomum melegueta.jpg

Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Angiospermae
Classe: Monocots
Ordem: Zingiberales
Família: Zingiberaceae
Género: Aframomum
Espécie: A. melegueta
Nome binomial
Aframomum melegueta
K. Schum.

Aframomum melegueta é uma espécie de planta da família do gengibre, Zingiberaceae. A especiaria conhecida como grão-do-paraíso, malagueta (não confundir com a pimenta malagueta) ou pimenta-da-guiné, de sabor pungente e apimentado, é obtida a partir das suas sementes moídas. É nativa da África Ocidental.

Características[editar | editar código-fonte]

A. melegueta é uma planta herbácea perene nativa de habitats pantanosos ao longo da costa da costa da África Ocidental. As suas flores púrpuras em forma de trompete desenvolvem-se em frutos com 5 a 7 cm de comprimento, contendo numerosas pequenas sementes castanho-avermelhadas.

O sabor pungente e apimentado das sementes é devido a cetonas aromáticas, como (6)-paradol. Os óleos essenciais, componentes dominantes no aroma e sabor do seu parente próximo, o cardamomo, ocorrem apenas de modo vestigial.

História e usos[editar | editar código-fonte]

Frutos de Aframomum melegueta num mercado de São João dos Angolares, Ilha de São Tomé

A pimenta-da-guiné é usada de modo corrente nas culinárias da África Ocidental e da África do Norte, para onde era exportada pelas rotas das caravanas de camelos através do Deserto do Saara, e dali distribuída para a Sicília e Itália. Mencionada por Plínio, o Velho como "pimenta africana", foi esquecida na Europa até se tornar um substituto da pimenta-preta em moda nos séculos XIV e XV, sobretudo no norte da França, uma das mais populosas regiões europeias da época.

Em 1469, Afonso V, Rei de Portugal concedeu o monopólio do comércio do Golfo da Guiné ao mercador lisboeta Fernão Gomes,[1] incluindo o exclusivo do comércio da pimenta-da-guiné, então chamada "malagueta" - que lhe foi concedido por 100 000 reais anuais- em troca de explorar 100 léguas da costa da África por ano durante cinco anos.[2] A pimenta-da-guiné era então muito popular como substituto da valiosa pimenta-preta asiática.[3]

Quando Cristóvão Colombo chegou ao Novo Mundo em 1492 e trouxe os primeiros exemplares de Capsicum frutescens, o picante da capsaicina deve ter despertado o interesse dos portugueses que há décadas buscavam a rara pimenta da Ásia. O nome malagueta foi então adoptado para esta nova "pimenta".[3]

O Ménagier de Paris recomenda a pimenta-da-guiné para melhorar o vinho que "cheira a velho". Passado algum tempo, a especiaria perdeu interesse, e o seu uso ficou limitado à aromatização de cerveja e salsichas. No século XVIII a sua importação para a Grã-Bretanha colapsou devido a uma lei parlamentar de Jorge III ter proibido o seu uso no licor de malte, aqua vita e tónicos.[4] Apesar das suas qualidades, hoje em dia é quase desconhecida fora da África Ocidental[5] e do Norte, excepto pelo seu uso em algumas cervejas e gins.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. O Contrato de Fernão Gomes (em português). Página visitada em 24-12-2006.
  2. Thorn, Rob. Discoveries After Prince Henry. Página visitada em 2006-12-24.
  3. a b Daniel F. Austin, "Florida ethnobotany", p. 170, CRC Press, 2004, ISBN 0-8493-2332-0
  4. Peter Kup, A history of Sierra Leone, 1400-1787 (Cambridge University)
  5. E. A. Weiss, "Spice crops", p.187 CABI, 2002, ISBN 0-85199-605-1

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Pimenta-da-guiné