Raul da Costa Couvreur

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Raul da Costa Couvreur
Conhecido(a) por Ter empreendido a construção da Estação Ferroviária do Sul e Sueste, da ligação ferroviária entre Tavira e Vila Real de Santo António, do Ramal do Montijo, e de outros troços ferroviários
Nascimento 27 de Agosto de 1879
Lisboa
Morte 24 de Junho de 1959
Lisboa
Nacionalidade  Portugal
Progenitores Mãe: Júlia Penteado da Costa Couvreur
Pai: Jaime Agnelo dos Santos Couvreur
Parentesco Rui da Costa Couvreur, António Carlos Craveiro Lopes, Jaime Agnelo Neuparth Couvreur
Cônjuge Deborath Olímpia de Aguiar Craveiro Lopes Couvreur
Filho(s) Carlos Guilherme Craveiro Lopes Couvreur e Rosebelle Craveiro Lopes Couvreur de Assis Camilo
Ocupação Engenheiro, professor, numismata e escritor
Prémios Grã-Cruz da Ordem de Cristo, Oficialato da Ordem de Sant'Iago da Espada, comenda da Ordem da Instrução Pública, medalha da Imperatriz Leopoldina, e grau de Cavaleiro da Legião de Honra

Raul da Costa Couvreur (27 de Agosto de 1879 - Lisboa, 24 de Junho de 1959), foi um engenheiro, professor, numismata e escritor português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Vida pessoal e educação[editar | editar código-fonte]

Nasceu em 27 de Agosto de 1879, na cidade de Lisboa.[1]

Em 1902, formou-se, com distinção, no Curso de Engenharia Civil e Minas da Escola do Exército.[2]

Carreira profissional[editar | editar código-fonte]

Estação do Sul e Sueste, em Lisboa.

Iniciou a sua carreira em 1904, na Direcção de Sul e Sueste dos Caminhos de Ferro do Estado, como engenheiro praticante[2] nas Oficinas Gerais; foi promovido a engenheiro de estudos, chefe da Secção de Construção, adjunto e chefe dos Serviços de Via e Obras, atingindo, finalmente, o cargo de subdirector da Companhia.[3] Celebrizou-se, durante a sua permanência nesta função, por ter empreendido a construção da Estação Ferroviária do Sul e Sueste, em Lisboa, do troço entre Tavira e Vila Real de Santo António da Linha do Algarve, e do Ramal do Montijo; ordenou, igualmente, a elaboração dos estudos para a construção de vários troços da Linha do Vale do Sado.[3] Abandonou este cargo em 1921[3] , para se empregar como subchefe e chefe da secção de Engenharia Civil da Administração-Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones[3] ; também desempenhou, nesta organização, o cargo de engenheiro adjunto.[2]

Posteriormente, foi convidado para leccionar no Instituto Industrial de Lisboa, onde foi assistente e professor, nas cadeiras de Topografia, Estradas, e Caminhos de Ferro.[3] Quando foi criada a Direcção-Geral dos Caminhos de Ferro, assumiu a posição de chefe da Divisão de Via e Obras; transitou, depois, para o Conselho Superior de Obras Públicas, onde foi engenheiro inspector superior, presidente da 1.ª Subsecção da 4.ª Secção, vogal, e, finalmente, presidente desta instituição.[3] Durante o governo do ministro Duarte Pacheco, foi nomeado secretário-geral do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.[3]

Foi membro da Associação Internacional dos Congressos de Caminhos de Ferro e delegado de Portugal nos vários congressos desta instituição entre 1930 e 1950 em Roma, Londres, Madrid, Cairo, Paris, entre outras localidades,tendo sido nomeado membro honorário, após o seu jubileu[2] Também exerceu como bastonário da Ordem dos Engenheiros, eleito em 1952[4] [5] [6] , e foi vice-presidente da Associação de Engenheiros Civis Portugueses em 1929[1] , presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses e da sua Comissão de Numismática[3] , da Comissão de Fiscalização dos Levantamentos Topográficos e Urbanos[2] , vogal da Junta Nacional de Educação do Ministério da Educação Nacional[7] , académico de número da Academia Portuguesa da História[3] , sócio da Sociedade de Numismática do Porto, sócio honorário da Sociedade de Numismática de São Paulo[2] e da Sociedade Numismática Brasileira, e académico correspondente das Reais Academias de Ciencias, Bellas Letras y Nobles Artes de Córdova[3] e de História de Madrid.[2] Foi, igualmente, um membro laureado da Société des Ingénieurs Civils de France, tendo exercido como presidente efectivo e, posteriormente, como presidente de honra da secção portuguesa desta instituição.[3]

Também foi vice-presidente do 1.º Congresso Nacional de Turismo, tendo representado Portugal, em vários congressos internacionais, e organizado a XV Sessão do Congresso Internacional dos Caminhos de Ferro, em Lisboa; foi, igualmente, nomeado como membro de honra da Comissão Internacional dos Congressos dos Caminhos de Ferro.[7]

Fez parte dos corpos directivos de algumas empresas ultramarinas, como a Companhia do Boror e a Companhia da Zambézia,[3] e participou no Conselho Directivo do periódico Gazeta dos Caminhos de Ferro, do qual se demitiu em 1957, por motivos de saúde.[8]

Para além da sua actividade profissional, como engenheiro, foi notável numismata de renome internacional e coleccionador, sendo autor de inúmeras publicações e artigos sobre numismática.[3]

Encontra-se colaboração da sua autoria na revista Feira da Ladra[9] (1929-1943).

Morte e família[editar | editar código-fonte]

Faleceu no dia 24 de Junho de 1959, com 79 anos de idade, na sua habitação em Lisboa.[3] Casou com Deborath Olímpia de Aguiar Craveiro Lopes Couvreur, e foi pai de Carlos Guilherme Craveiro Lopes Couvreur e Rosebelle Craveiro Lopes Couvreur de Assis Camilo.[3]

Na altura do seu falecimento, exercia a função de presidente aposentado do Conselho Superior de Obras Públicas.[3]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Foi agraciado, entre outras condecorações, com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, o Oficialato da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, a comenda da Ordem da Instrução Pública, a medalha da Imperatriz Leopoldina, e o grau de Cavaleiro da Legião de Honra, concedido pelo governo da República de França.[3] Recebeu, igualmente, o Prémio Garnier de engenharia da Société des ingénieurs civils de France, em 1949.

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • As moedas de D. Afonso V com as armas de Portugal e as de Castela e os escudos de ouro do mesmo reinado (1935)
  • Ainda as moedas de D. Afonso V com as armas de Portugal e as de Castela (1936)
  • Moedas do Príncipe da Paz, Manuel Godoy como Soberano do Principado dos Algarves (1936)
  • A Cruz da Ordem de Cristo em Moeda Estrangeira (1943)
  • Numismática indo-portuguesa : bazarucos (1943)
  • Moedas de D. Manuel I : o meio-portuguez de prata (1942)
  • Moedas da Companhia do Niassa (1946)
  • Moedas da Companhia do Niassa : moedas de 20 e de 10 Rèis (1946)
  • Primeiro centenário do Ministério das Obras Públicas: 1852-1952 (1952)
  • Moedas de D. Manuel I o índio (1952)
  • Moedas Híbridas (1954)
  • Numismática de D. João V (1955)
  • As moedas de cobre para S.Tomé e Príncipe (1956)
  • Uma Reprodução em Cobre de Moeda de Retrato datada de 1650, com a Efígie de D. João IV e a "Conceição" (1956.
  • Inauguração dos caminhos de ferro em Portugal : uma data e um nome (1959)

Uma relação bastante completa das obras do engenheiro Raul Couvreur sobre numismática, organizada pelo Sr. Engenheiro Paulo Ferreira de Lemos, foi publicada in "Numismática", órgão do Clube Numismático de Portugal,Ano XI, N.º 33, Abr-Jun, 84.

Referências

  1. a b Título não preenchido, favor adicionar. Instituto de História Contemporânea. Página visitada em 4 de Março de 2011.
  2. a b c d e f g (16 de Outubro de 1955) "Conselho Directivo da Gazeta dos Caminhos de Ferro". Gazeta dos Caminhos de Ferro 68 (1628): 420. Página visitada em 8 de Abril de 2014.
  3. a b c d e f g h i j k l m n o p q (1 de Julho de 1959) "in Memoriam: Eng.º Raul da Costa Couvreur". Gazeta dos Caminhos de Ferro 72 (1717): 257, 258. Página visitada em 8 de Abril de 2014.
  4. História. Ordem dos Engenheiros. Página visitada em 4 de Março de 2011.
  5. (1 de Julho de 1952) "Engenheiro Raúl da Costa Couvreur". Gazeta dos Caminhos de Ferro 65 (1549): 153. Página visitada em 8 de Abril de 2014.
  6. (16 de Junho de 1952) "Ordem dos Engenheiros". Gazeta dos Caminhos de Ferro 65 (1548): 137. Página visitada em 8 de Abril de 2014.
  7. a b (1 de Janeiro de 1952) "Conselho Directivo da "Gazeta dos Caminhos de Ferro"". Gazeta dos Caminhos de Ferro 64 (1537): 405, 406. Página visitada em 8 de Abril de 2014.
  8. (1 de Maio de 1957) "Gazeta dos Caminhos de Ferro: Conselho Directivo". Gazeta dos Caminhos de Ferro 69 (1641): 213. Página visitada em 8 de Abril de 2014.
  9. Feira da Ladra : revista mensal ilustrada (1929-1943) cópia digital, Hemeroteca Digital

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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