Raymond Chandler

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Raymond Chandler
Nome completo Raymond Thornton Chandler
Nascimento 23 de Julho de 1888
Chicago
Morte 26 de março de 1959 (70 anos)
San Diego
Nacionalidade  Estados Unidos
Ocupação Escritor
Influências
Influenciados

Raymond Chandler (Chicago, 23 de Julho de 1888La Jolla, 26 de Março de 1959) foi um romancista e roteirista dos Estados Unidos. Exerceu uma influência imensa no gênero dos romances policiais modernos, especialmente no que diz respeito ao estilo da escrita e nas atitudes que atualmente são características do gênero. Seu protagonista, Philip Marlowe, juntamente com o Sam Spade de Dashiell Hammett (ambos interpretados no cinema por Humphrey Bogart, respectivamente, em "À Beira do Abismo" dirigido por Howard Hawks; e em "Reliquia Macabra" dirigido por John Huston), é considerado praticamente um sinônimo do "detetive particular".

Além de sua obra em prosa, também foi autor de diversos poemas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Raymond Thornton Chandler nasceu a 23 de Julho de 1888 em Chicago, Illinois, nos Estados Unidos. A partir de 1895, após o divórcio dos pais, passou os primeiros anos de vida na Irlanda e a juventude em Londres, onde frequentou o Dulwich College, com o apoio financeiro de um tio materno, um advogado de sucesso. Em Londres publicou os seus primeiros escritos, ensaios e poesia, enquanto trabalhava como free-lancer no The Westminster Gazette e no The Spectator.

Chandler retornou aos Estados Unidos em 1912 onde trabalhou como contabilista. Em 1917, alistou-se no Exército Canadense e combateu na França. Após o armistício mudou-se para Los Angeles, Califórnia, onde iniciou um caso amoroso com uma mulher já divorciada duas vezes, Cissy Pascal, uma pianista dezessete anos mais velha do que ele, com quem veio a casar em 1924. Por esta altura, Chandler possuía dupla nacionalidade, americana e britânica. Em 1932 Chandler ocupava a vice-presidência na Dabney Oil Syndicate, uma empresa petrolífera em Signal Hill, Califórnia, mas acabou por perder este emprego bem remunerado devido a problemas de alcoolismo.

A Grande Depressão pôs fim à sua carreira de negócios. No princípio dos anos 1930 publicou histórias policiais no Black Mask Magazine. Publicou The Big Sleep (À Beira do Abismo), o seu primeiro romance policial, em 1939, apresentando o detetive Philip Marlowe, herói de mais seis romances ("Adeus Minha Adorada", "Janela para a Morte", "A Dama do Lago", "A Irmãzinha", "O Longo Adeus" e "Playback").

Por causa dos resultados dd seus ganhos na Inglaterra acabou por ter problemas com os serviços fiscais e renunciou à sua cidadania britânica em 1948. Ainda assim, realizou o seu sonho de levar Cissy a Inglaterra em 1952. Cissy morreu em 1954 e Chandler, emocionalmente arrasado e a sofrer de uma dolorosa doença nervosa voltou novamente a refugiar-se no álcool. A sua escrita sofreu bastante, tanto em qualidade como em quantidade, e acabou por tentar o suicídio em 1955. A vida tornou-se ainda mais complicada ao atrair a atenção de algumas mulheres, especialmente da sua noiva Helga Greene e de Jean Fracasse. Depois de uma tentativa fracassada de se estabelecer na Inglaterra, voltou aos Estados Unidos e faleceu em La Jolla de pneumonia, em 26 de Março de 1959. Depois de uma batalha legal pelos seus bens entre Greene e Fracasse, o tribunal decidiu a favor de Greene, que se tornou a sua herdeira.

Obra literária[editar | editar código-fonte]

Algumas das suas obras foram levadas ao cinema, com grande êxito, como por exemplo: The Big Sleep (1946), realizado por Howard Hawks, com Lauren Bacall e Humphrey Bogart protagonizando Philip Marlowe, Farewell, My Lovely intitulado Murder, My Sweet (1944 e 1975) ou The Long Goodbye, realizado por Robert Altman (1973). Chandler escreveu o argumento dos filmes Double Indemnity de Billy Wilder, baseado no romance homónimo de James M. Cain (1944). Também escreveu o argumento de A Dália Azul (1946) e foi co-autor, com Czenzi Ormonde, de Strangers on a Train, de Alfred Hitchcock (1951). Os argumentos de Chandler bem como a adaptação dos seus romances ao grande ecrã nos anos 1940, do Século XX, tornaram-se uma grande influência no chamado film noir americano.

Títulos publicados[editar | editar código-fonte]

Romances[editar | editar código-fonte]

Barbara Stanwyck como a loira fatal de Double Indemnity, produção de 1944 que popularizou o gênero dos filme noir
  • The big sleep (1939) (no Brasil conhecido como O sono eterno, da editora L&PM)
  • Farewell, My Lovely (1940) (no Brasil: Adeus, minha adorada)
  • The High Window (1942) (no Brasil: Janela para a morte)
  • The Lady in the Lake (1943) (no Brasil: A dama do lago)
  • The little sister (1949) (no Brasil: A irmãzinha)
  • The long goodbye (1954) (no Brasil: O longo adeus) (Prémio Edgar para Melhor Romance, 1955)
  • Playback (1958) (no Brasil, "Para sempre ou nunca mais (Playback)")
  • Poodle Springs (1959) (no Brasil, "Amor e morte em Poodle Springs") (incompleto, foi terminado por Robert B. Parker em 1989)

Contos policiais[editar | editar código-fonte]

  • Blackmailers Don't Shoot (1933)
  • Smart-Aleck Kill (1934)
  • Finger Man (1934)
  • Killer in the Rain (1935)
  • Nevada Gas (1935)
  • Spanish Blood (1935)
  • Guns at Cyrano's (1936)
  • Goldfish (1936)
  • The Man Who Liked Dogs (1936)
  • Pickup on Noon Street (1936, publicado originalmente com o título Noon Street Nemesis)
  • The Curtain (1936)
  • Try the Girl (1937)
  • Mandarin's Jade (1937)
  • The King in Yellow (1938)
  • Red Wind (1938)
  • Bay City Blues (1938)
  • Pearls Are a Nuisance (1939)
  • Trouble is My Business (1939)
  • No Crime in the Mountains (1941)
  • The Pencil (1961; publicado postumamente; publicado originalmente com o título Marlowe Takes on the Syndicate)

Contos não policiais[editar | editar código-fonte]

  • I'll Be Waiting (1939)
  • The Bronze Door (1939)
  • Professor Bingo's Snuff (1951)
  • English Summer (1976; publicado postumamente)

Não ficcionados[editar | editar código-fonte]

  • Writers in Hollywood (The Atlantic Monthly, December 1944)
  • The simple art of murder (The Atlantic Monthly, November 1945)
  • Oscar Night in Hollywood (The Atlantic Monthly, March 1948)
  • Ten percent of your life (The Atlantic Monthly, February 1952)

Referências culturais[editar | editar código-fonte]

  • No episódio The One With Rachel's Dress da série televisiva Friends, o personagem Chandler menciona Raymond Chandler em resposta à questão de Joey se havia algum Chandler famoso. No entanto, Joey não fica convencido e afirma que o nome foi inventado.
  • Na canção Three Sisters de Jim Carroll, a letra inclui a frase "But she just wants to lay in bed all night reading Raymond Chandler."
  • No conto "Mandrake", de Rubem Fonseca, uma das últimas frases de Mandrake é: Adeus, minha querida, longo adeus. O grande sono (referindo-se a uma personagem que vai embora). Ele diz os títulos dos romances Farewell, my lovely; The long goodbye e The Big Sleep. O advogado Mandrake possui muito de Philip Marlowe.
  • O Cantor cristão americano Michael Anderson deu título a uma canção: Raymond Chandler Said, no disco Sound Alarm de 1988.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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