Rhyolite

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Rhyolite
Localidade dos Estados Unidos Estados Unidos
Rhyolite2.jpg
Ruínas do prédio do Cook Bank em Rhyolite, Nevada.
Rhyolite está localizado em: Nevada
Rhyolite
Localização de Rhyolite em Nevada
Rhyolite está localizado em: Estados Unidos
Rhyolite
Localização de Rhyolite nos Estados Unidos
Dados gerais
Fundado em 1904
Localização
36° 54' 11" N 116° 49' 35" O
Condado Nye
Estado  Nevada
Tipo de localidade Cidade fantasma
Fuso horário Horário do Pacífico -8
Características geográficas
População (1907–08) ~ 3,500 à 5,000 hab. ( hab./km²)
Altitude 3819[1] m

Portal Portal Estados Unidos

Rhyolite é uma cidade fantasma no Condado de Nye, no estado estado-unidense de Nevada. Está localizada nas Bullfrog Hills, cerca de 190 km ao noroeste de Las Vegas, próxima à borda leste do Vale da Morte. A cidade começou no início de 1905 como um dos diversos campos de mineração que surgiram após uma descoberta no garimpo das colinas próximas ao local. Durante a febre do ouro posterior, milhares de gold-seekers, desenvolvedores, mineradores, e provedores de serviços concentraram-se no Bullfrog Mining District. Muitos se fixaram em Rhyolite, a qual se situava em um vale desértico protegido perto da maior produtora da região, a Montgomery Shoshone Mine.

O industrialista Charles M. Schwab comprou a Montgomery Shoshone Mine em 1906 e investiu pesadamente em infraestrutura, incluindo água encanada, linhas elétricas, e transporte ferroviário que servia à cidade assim como a mina. Em 1907, Rhyolite possuía luz elétrica, esgoto, telefones, jornais, um hospital, uma escola, uma casa de ópera, e uma bolsa de valores. Estimativas publicadas acerca do ápice de população da cidade variam muito, mas fontes acadêmicas geralmente o colocam em uma alcance de 3.500 a 5.000 em 1907–08.

Rhyolite declinou quase tão rápido quanto surgiu. Após o minério mais rico ter se extinguido, a produção caiu. O terremoto de San Francisco de 1906 e o pânico financeiro de 1907 criaram maiores dificuldades para juntar capital de desenvolvimento. Em 1908, investidores da Montgomery Shoshone Mine, preocupados que ela era supervalorizada, solicitaram um estudo independente. Quando as descobertas do estudo foram consideradas infavoráveis, o valor da companhia na bolsa despencou, restringindo ainda mais o investimento. No final de 1910, a mina estava operando no vermelho, e foi fechada em 1911. Nesta época, muitos mineradores desempregados se mudaram para outros lugares, e a população de Rhyolite caiu bem abaixo de 1.000 habitantes. Em 1920, estava próxima à zero.

Após 1920, Rhyolite e suas ruínas se tornaram uma atração turística e um cenário para filmes. A maior parte de seus prédios desmoronaram, foram desconstruídos a fim de coletar materiais de construção, ou foram movidos para a cidade vizinha de Beatty ou outras cidades, ainda que a estação de trem e uma casa feita principalmente de garrafas vazias tenham sido reparadas e preservadas. De 1988 à 1998, três empresas operaram uma lucrativa mina a céu aberto na base da Ladd Mountain, cerca de 1,6 km ao sul de Rhyolite. O Goldwell Open Air Museum está situado em uma propriedade privada ao sul da cidade fantasma, a qual está em propriedade pública supervisionada pelo Bureau of Land Management.

Nomes[editar | editar código-fonte]

"Rhyolite Mercantile", uma mercearia abandonada na cidade. É uma das poucas construções originais de madeira que ainda permanecem.

A cidade tem seu nome retirado de rhyolite, riólito em inglês, uma rocha ígnea composta de silicatos, geralmente de cor couro à cor-de-rosa e ocasionalmente cinza claro. Pertence à mesma classe de rochas, félsico, que o granito, mas é bem menos comum.[2] O Rio Amargosa, que passa por Beatty, recebeu seu nome a partir da palavra castelhana amargo. Em seu curso, o rio recebe grandes quantidades de sais, os quais o confere um gosto amargo.[3]

"Bullfrog" foi o nome que Frank "Shorty" Harris e Ernest "Ed" Cross, os prospectores que iniciaram a corrida do ouro de Bullfrog, deram à sua mina. Como citado por Robert D. McCracken em A History of Beatty, Nevada, Harris disse durante uma entrevista em 1930 para a revista Westways, "A rocha era verde, quase como turquesa, manchada com grandes pedaços de metal amarelo, e parecia muito como as costas de um sapo".[4] O Bullfrog Mining District, as Bullfrog Hills, a cidade de Bullfrog, e outras entidades geográficas da região foram nomeadas a partir da Bullfrog Mine.[5]

Três ferrovias serviam Rhyolite em seu auge; a antiga estação de trem da cidade permanece relativamente intacta.

"Bullfrog" tornou-se tão popular que Giant Bullfrog, Bullfrog Merger, Bullfrog Apex, Bullfrog Annex, Bullfrog Gold Dollar, Bullfrog Mogul, e a maior parte das outras 200 mineradoras do distrito incluíram "Bullfrog" em seus nomes.[6]

"Beatty" foi nomeada em homenagem à "Old Man" Montillus (Montillion) Murray Beatty, um veterano da Guerra de Secessão e minerador que adquiriu um rancho próximo do Rio Amargosa ao norte do que se tornou a cidade de Beatty. Em 1906, ele vendeu o rancho para a Bullfrog Water, Power, and Light Company.[7] "Shoshone" em "Montgomery Shoshone Mine" se refere ao povo indígena Shoshone Ocidental na região. Em aproximadamente 1875, os Shoshone possuíam seis campos perto do Rio Amargosa, próximo à Beatty. A população total destes campos era de 29 habitantes, e uma vez que a caça era escassa, eles subsistiam principalmente de sementes, bulbos, e plantas recolhidas pela região, incluindo as Bullfrog Hills.[8]

Geologia[editar | editar código-fonte]

As Bullfrog Hills localizam-se na margem oeste do campo vulcânico do sudoeste de Nevada. Rochas vulcânicas com falhas laterais, variando em idade de aproximadamente 13,3 milhões de anos para cerca de 7,6 milhões de anos, cobrem as rochas sedimentares paleozoicas.[9] As rochas prevalescentes, as quais contêm os depósitos de minérios, são uma série de fluxos de lava riolíticas[10] que formam uma espessura combinada de aproximadamente 2.400 m acima das rochas mais antigas.[11]

História[editar | editar código-fonte]

Crescimento[editar | editar código-fonte]

A Montgomery Shoshone Mine, em 1907; a mina possuía um grande moinho de processamento conectado à ferrovia por uma linha ramificada a partir da linha principal que passava por Rhyolite.

Em 9 de agosto de 1904, Cross e Harris encontraram ouro no lado sul de uma colina no sudoeste de Nevada chamada Bullfrog Mountain.[12] Ensaios de amostras de minério vindas do local sugeriam valores de até U$3.000 por tonelada curta,[13] ou cerca de U$73.000 por tonelada curta em dólares de 2009 quando ajustados pela inflação.[14] Notícias da descoberta se espalharam à Tonopah e além, e logo milhares de prospectores esperançosos e especuladores corream para o que se tornou conhecido como Bullfrog Mining District.[15]

Dentro do distrito, assentamentos de corrida do ouro surgiram rapidamente próximos às minas, e Rhyolite se tornou o maior.[16] Surgiu perto da descoberta mais promissora, a Montgomery Shoshone Mine, que em fevereiro de 1905 produziu ensaios de minérios em valores altos como U$16.000 por tonelada curta,[17] equivalente à U$388.000 por tonelada curta em 2009.[14] Iniciando como um campo de dois homens em janeiro de 1905, Rhyolite se tornou um município de 1.200 pessoas em duas semanas e alcançou uma população de 2.500 em junho de 1905. Nessa época, possuía 50 saloons, 35 mesas de jogo, barracas para prostituição, 19 locais de hospedagem, 16 restaurantes, meia dúzia de barbeiros, uma casa de banhos pública, e um jornal semanal, o Rhyolite Herald. Quatro charretes diárias conectavam Goldfield, 97 km ao norte, e Rhyolite. Auto linhas transportavam pessoas entre Rhyolite e Goldfield e a estação de trem em Las Vegas em Pope-Toledos, carros a vapor, e outros carros de turismo.[16]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. "Rhyolite" (em Inglês) Geographic Names Information System (GNIS). Página visitada em 18 de Fevereiro de 2008.
  2. Nave, C.R. (2006). Rhyolite (em inglês). Department of Physics and Astronomy, Georgia State University. Página visitada em 20 de maio de 2009.
  3. Phalen, W.C.. Bulletin 669: Salt Resources of the United States. Washington: Government Printing Office, 1919. 185–86 p. ISBN none Página visitada em March 10, 2009.
  4. McCracken 1992, p. 29
  5. Carlson, Helen S.. Nevada Place Names: A Geographical Dictionary. Reno, Nevada: University of Nevada Press, 1974. 62–63 p. ISBN 9780874170948
  6. McCracken 1992, p. 37
  7. McCracken 1992, p. 21–22
  8. McCracken 1992, p. 7–10
  9. Connors, Katherine A.; Weiss, Steven I., e Noble, Donald C.. Geology of the Northeastern Bullfrog Hills and Vicinity, Southern Nye County, Nevada (PDF) (em inglês). Nevada Bureau of Mines and Geology. Página visitada em 27 de abril de 2009. Mapa 112, que acompanha o texto, mostra um limite na área de estudos estendendo às proximidades de Rhyolite e incluindo a Montgomery-Shoshone Mine.
  10. Ransome 1907, p. 43
  11. Ransome 1907, p. 50
  12. Lingenfelter 1986, p. 203
  13. Lingenfelter 1986, p. 204
  14. a b Consumer Price Index (Estimate) 1800-2008 (em inglês). Federal Reserve Bank of Minneapolis (2009). Página visitada em 19 de junho de 2009.
  15. Lingenfelter 1986, p. 204–07
  16. a b Lingenfelter 1986, p. 210
  17. Lingenfelter 1986, p. 208

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Elliott, Russell R. (1988). Nevada's Twentieth-Century Mining Boom: Tonopah, Goldfield, Ely. Reno: University of Nevada Press. ISBN 0-87417-133-4.
  • Hall, Shawn. (1999). Preserving the Glory Days: Ghost Towns and Mining Camps of Nye County, Nevada. Reno: University of Nevada Press. ISBN 0-87417-317-5.
  • Hustrulid, William A., and Bullock, Richard L., eds. (2001) Underground Mining Methods: Engineering Fundamentals and International Case Studies. Littleton, Colorado: Society for Mining, Metallurgy, and Exploration (SME). ISBN 0-87335-193-2.
  • Lingenfelter, Richard E. (1986). Death Valley & the Amargosa: A Land of Illusion. Berkeley and Los Angeles, California: University of California Press. ISBN 0-520-06356-2.
  • McCoy, Suzy. (2004). Rebecca's Walk Through Time: A Rhyolite Story. Lake Grove, Oregon: Western Places. ISBN 1-893944-01-8.
  • McCracken, Robert D. (1992). A History of Beatty, Nevada. Tonopah, Nevada: Nye County Press. ISBN 1-878138-54-5.
  • McCracken, Robert D. (1992). Beatty: Frontier Oasis. Tonopah, Nevada: Nye County Press. ISBN 1-878138-55-3.
  • Patera, Alan H. (2001). Rhyolite: the Boom Years (Western Places #10, fourth printing). Lake Grove, Oregon: Western Places. ISBN 0-943645-38-7.
  • Ransome, R.L. (1907). "Preliminary Account of Goldfield, Bullfrog and Other Mining Districts in Southern Nevada". Originally published as "United States Geological Survey Bulletin 303". Reprinted in Mines of Goldfield, Bullfrog and Other Southern Nevada Districts (1983). Las Vegas: Nevada Publications. ISBN 0-913814-60-1.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Rhyolite