Rio Mu

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Mu
Mu Myit
Comprimento 275 km
Nascente Vale de Kabaw
Caudal máximo 12 355 m³/s
Foz Rio Irauádi
País(es) Myanmar
País(es) da
bacia hidrográfica
Myanmar
Coordenadas 21° 56' N 95° 38' E

O rio Mu (birmanês: မူးမြစ်) é um rio na parte superior central de Myanmar (Birmânia), e um afluente do principal rio do país, o Irauádi. Ele irriga o vale de Kabaw e parte da zona árida entre o Irauádi a leste e seu maior afluente, o rio Chindwin a oeste, flui diretamente de norte a sul por cerca de 275 quilômetros e deságua no Irauádi a oeste de Sagaing, perto de Myinmu.[1]

Sua área de captação acima da represa Kabo é de 12.355 km². O fluxo do rio e as chuvas são sazonais e erráticas, sendo o seu nível mais baixo de janeiro a abril, subindo acentuadamente durante maio e junho, e alto de agosto a outubro.[2] Porque o Mu está dentro da zona árida da sombra de chuva da Yoma Rakhine, ele recebe escassa precipitação de monção no verão com um total de vazão de 350 mm.[3] Uma velha expressão popular em birmanês diz assim: Ma myinbu, Mu myit htin - Se você ainda não viu um rio antes, você pensaria que o Mu é isso. Também pode ser chamado de Mu Chaung (riacho) ao invés de Mu Myit (rio) por alguns.

O vale arborizado no trecho superior do rio Mu é habitado pelas minorias kadu e kanan, enquanto que o fértil vale inferior constitui parte da terra natal da maioria étnica dos birmanes.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Em 1503 Mong Yang, da etnia shan, atacou e tomou a guarnição norte da cidade de Myedu, que protegia o vale irrigado do rio Mu, um celeiro importante para o reino birmanes de Ava. Estes ataques culminaram em uma invasão total em 1524 e o estabelecimento do governo shan (1527-1555).[5] O vale de Kabaw sofreu muitas invasões do reino de Manipur a oeste, mais notadamente durante o reinado de Garibaniwaj (1709-1748), quando seu exército atravessou os rios Chindwin e Mu, tomou Myedu, e chegou até Sagaing, no lado oposto da capital Ava. A situação inverteu-se em 1758 depois de o rei Alaungpaya ascender ao trono birmanês e invadir Manipur.[6]

A ponte da ferrovia sobre o rio Mu foi destruída na retirada das forças japonesas durante a Segunda Guerra Mundial.[7] Em abril e julho de 1943, vários B-25 Mitchell da Força Aérea dos Estados Unidos atacaram a ponte entre Ywataung e Monywa com pouco sucesso, mas acidentalmente realizaram um ataque bem-sucedido no dia de Ano Novo de 1944.[8]

O relato de uma testemunha ocular afirma que, na época do massacre de Depayin, em maio de 2003, a maioria das vítimas mortas foram queimadas e os restos jogados no rio Mu.[9]

Os Bayingyi[editar | editar código-fonte]

Os bayingyi são descendentes de cativos portugueses feitos pelo rei birmanês Anaukpetlun depois de derrotar o aventureiro Filipe de Brito e Nicote, em Sirião, no ano de 1613. Estes cativos instalaram-se à volta do vale do rio Mu, nomeadamente em aldeias perto de Shwebo, e ficaram a formar um corpo hereditário de artilheiros ao serviço dos reis da Birmânia. Já não sendo artilheiros, eles continuam até hoje a manter viva a sua fé católica no vale do rio Mu, e a sua ascendência portuguesa ainda é perceptível, devido às suas características fisionómicas e culturais euro-asiáticas.[10] [11]

Flora e fauna[editar | editar código-fonte]

A caducifólia de folhas largas e madeira de lei do gênero botânico Dipterocarpus spp., principalmente a D. tuberculatus, domina as florestas mistas juntamente com algumas ingyin Pentacme suavis e Shorea oblongifolia, taukkyan (Terminalia elliptica), thitsi (Melanorrhoea usitata), bambu, e kaing grama (Saccharum spp.) em torno de furos de água.[12] [13]

O Refúgio da Vida Selvagem de Chatthin, com o rio Mu próximo de sua fronteira oriental, foi designado um santuário da vida selvagem em 1941 para a preservação do cervo de Eldi, Thamin (Cervus Eldi Thamin). Houve um declínio na população de grandes mamíferos, do fim da Segunda Guerra Mundial até a década de 1980, e estes incluem o tigre, o urso, o leopardo, o gauro, o banteng, o cão-selvagem-asiático, o cervo barking e o cervo porcino.[12]

O pato-de-asa-branca (Cairina scutulata), uma espécie em extinção de pato da floresta, é nativo do rio Mu.[14]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

O vale do rio Mu é fértil e os esforços do governo para desenvolver a região pode ser visto no Projeto do Vale do Rio Mu. A ponte do rio Mu foi concluída em abril de 2000, uma ponte rodo-ferroviária que liga Monywa, Budalin, Dabayin, Ye-U e Kin-U. De Kin-U ela tem ligação com a linha férrea Mandalay - Myitkyina, e de Monywa com a linha Sagaing-Monywa.[15] [16]

A represa de Kabo foi construída no rio Mu entre 1901-1907 pela administração colonial britânica.[17] A maior represa e reservatório na região em Thaphanseik para irrigação e usina hidrelétrica (30 MW) foi também concluída em maio de 2002, com o auxílio da China.[15] [18]

Notas

  1. Mu River. Encyclopaedia Britannica online.
  2. Hla Baw. Study on Reuse Water in Shwebo Irrigation Scheme in Myanmar. International Commission on Irrigation and Drainage, 1st Asian Regional Conference, Seoul 2001.
  3. Michael Bonell et al.. Hydrology and Water Management in the Humid Tropics. [S.l.]: Cambridge University Press, 1993. 59 p. isbn 9780521452687
  4. Myanmar States & Divisions - Sagaing. Yadanabon.com.
  5. Jon Fernquest. Min-gyi-nyo, the Shan Invasions of Ava (1524-27), and the Beginnings of Expansionary Warfare in Toungoo Burma: 1486-1539. SOAS, outono de 2005.
  6. Phanjoubam Tarapot. . [S.l.]: Har-Anand Publications, 2003. 112–3 p. isbn 9788124109021
  7. Burma C 1945-04 photo. Australian War Memorial.
  8. The Army Air Forces in World War II, Volume Four: The Pacific, Guadalcanal to Saipan, August 1942 to July 1944. [S.l.]: DIANE Publishing. 491–2 p. isbn 9781428915893
  9. Amreen Choudhury and Yeshua Moser-Puangsuwan. Justice Disappeared: Exploring the Links of Arms Trade, Impunity and Political Disappearances in Asia. Nonviolence International Southeast Asia, 2007.
  10. Portuguese Descendants of Bhurma's Mu Valley - The Bayingyi. Arscives.com.
  11. Sirião, a ilha dos portugueses, O Clarim, 26 de Março de 2010.
  12. a b Myint Aung et al.. The environmental history of Chatthin Wildlife Sanctuary, a protected area in Myanmar (Burma). Journal of Environmental Management, April 2004.
  13. Kyatthin Wildlife Sanctuary. ARCBC (ASEAN Regional Centre for Biodiversity Conservation).
  14. White-Winged Duck. Birdbase.
  15. a b The current of Union Spirit with sources from three rivers-2. The New Light of Myanmar, April 14, 2003.
  16. Sr Gen Than Shwe urges officials to collectively strive for turning Sagaing Division into granary of Upper Myanmar Assistance assured to upgrade Monywa-Budalin-Dabayin-YeU-KhinU Road. The New Light of Myanmar, December 3, 2002.
  17. Irrigation Works in Myanmar. Ministry of Agriculture and Irrigation, 2004.
  18. China in Burma. EarthRights International.