São Gião

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 Portugal São Gião  
—  Freguesia  —
Panorâmica de São Gião
Panorâmica de São Gião
Bandeira de São Gião
Bandeira
Brasão de armas de São Gião
Brasão de armas
São Gião está localizado em: Portugal Continental
São Gião
Localização de São Gião em Portugal
40° 20' 12" N 7° 47' 58" O
País  Portugal
Distrito Coimbra
Concelho OHP1.png Oliveira do Hospital
 - Tipo Junta de freguesia
Área
 - Total 14,19 km²
População (2011)
 - Total 425
    • Densidade 30/km2 
Gentílico: Sangianense
Código postal 3400-655 S.Gião
Orago São Julião
Correio electrónico freguesia_s.giao@sapo.pt
Telefone/Fax: 238 691 377

São Gião (hagiotopónimo derivado de São Julião, proveniente do seu padroeiro, com o tempo alterado para Santulhão dando origem ao nome actual) é uma freguesia portuguesa do concelho de Oliveira do Hospital e do distrito de Coimbra, com 14,19 km² de área e 425 habitantes (2011), tendo vindo este valor a diminuir (apresentava 700 habitantes em 1991). Densidade: 30 hab/km².

Foi curato de apresentação do comentador de S.Tomé de Penalva, tendo pertencido à vila de Penalva de Alva. Pertenceu ao concelho de Sandomil, até à sua extinção em 1846, após o qual passou a integrar o concelho de Seia. A partir de 13 de Janeiro de 1898, foi transferido para o concelho de Oliveira do Hospital.

Localização[editar | editar código-fonte]

Em termos geográficos, localiza-se a 40.3330° N, 7.8000° W numa altitude de 704m (Pinhal Interior Norte, uma sub-região da Região Centro, na província da Beira Alta). Encontra-se no Vale do Alva, vale escavado pelo Rio Alva, afluente do Rio Mondego (nasce na Serra da Estrela e desagua na Figueira da Foz), bem como entre as ribeiras de Vide e de Alvoco (afluente, por sua vez, do Rio Alva). Sito na confluência da Serra da Estrela e da Serra do Açor, fazendo ainda parte do Parque Natural da Serra da Estrela.

Encontra-se na fronteira Este do distrito de Coimbra (com o distrito da Guarda), pertencendo desta forma à região das Beiras (de uma forma específica pertence à Beira Litoral bem como à Beira Interior - existindo uma contradição de critérios na classificação do concelho relativamente a estas duas regiões, devido à sua localização central, pelo que diferentes fontes referem diferentes classificações). É a freguesia mais a Este do Concelho e do Distrito.

Dista, sensivelmente, da sede de concelho (Oliveira do Hospital) 10 km e da sede do distrito (Coimbra) 84 km, ficando a cerca de 300 km da capital (Lisboa).

Localidades[editar | editar código-fonte]

Esta freguesia é composta por várias localidades, nomeadamente:

  • Alentejo
  • Barroca
  • Covão
  • Chã
  • Mosteiro (parcialmente)
  • Parceiro
  • Rio de Mel
  • São Gião

Cultura e Património[editar | editar código-fonte]

Aproveitando os recursos naturais abundantes desta zona serrana, farta em bosques e pinhais, como em recursos hídricos (que levaram à construção de inúmeras fontes, e à prospecção de rios e ribeiros), possui uma parque de campismo e praias fluviais (Rio Alva) classificado com duas estrelas dispondo de hotel, apartamentos, campismo, restaurante, entre outros, bem com existem na freguesia habitações para turismo rural. É também possível visitar grutas naturais, como as grutas do Penedo da Moura.

Possui um património arquitectónico vasto e rico, como por exemplo:

  • Igreja Matriz de São Gião (também denominada por Catedral das Beiras), Igreja Paroquial de São Gião (1795, Classificada como MIP - Monumento de Interesse Público, pela Portaria n.º 740-BH/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012.);
  • Ponte de estilo Romano de acesso à localidade (Estrada Municipal M515);
  • Cruzeiro do Calvário;
  • Solares (como o Solar dos Viscondes e o Solar das Massas);
  • Capela do Senhor dos Aflitos (1856);
  • Capela da Senhora da Criação (Séc. XVII);
  • Capela de São Sebastião (Séc. XVI);
  • Capela da Nossa Senhora das Febres, no Parceiro;
  • Capela de Santo Estevão, no Rio de Mel;
  • Capela da Senhora dos Remédios, no Rio de Mel;
  • Capela de São Caetano, no Parceiro;
  • Capela dos Viscondes de Valongo (1737, apenas persiste a frontaria, transformada em residência)
  • Alminhas;
  • Fontes (Fonte da Igreja, Fonte do Senhor dos Aflitos, Fonte de São Sebastião, Fonte do Castelo, Fonte do Fundo do Povo, Fonte do Ribeiro, Fonte da Lameira, Fonte da Escola, Fonte do Chafariz, Fonte de Louro);
  • Possíveis vestígios de estrada Romana (carece de confirmação oficial).

A povoação, composta por 488 edifícios, está divida em 2 zonas: a zona antiga, tradicional, composta essencialmente por casa de pedra, rústicas, e onde se encontram os antigos e opulentos casarões de abastadas famílias, e uma zona mais recente, com construções mais modernas.

Apresenta produção própria de artesanato tradicional, como cestaria, e produtos alimentares, como o Queijo da Serra da Estrela (apresenta certificação e encontra-se agrupada na Região Demarcada do Queijo da Serra da Estrela). É representado musicalmente pela Escola de Música da Banda Filarmónica Sangianense, com mais de 150 anos de história, tendo possuído, igualmente, um rancho folclórico e um grupo desportivo.

A Igreja Matriz foi construída em 1795, nos tempos de D. Maria I, tendo a fachada sido reconstruída no início do século XX devido à sua derrocada. O seu estilo é barroco, sendo o tecto composto por 102 painéis, atribuídos a Pascoal Parente, um italiano então a residir em Coimbra. Os retábulos ostentam talha dourada.

São Julião é o orago que se venera nesta freguesia. Associa-se a São Julião que viveu no século III, em Antioquia, e dedicou a sua vida, em colaboração com Basilissa (sua esposa), à assistência aos pobres e necessitados, chegando mesmo a transformar a sua casa num hospício. Demonstrou dedicação pelos assuntos da Igreja, o que poderá ter provocado desaprovação por todos os que eram pagãos na época. Esse mesmo sentimento deverá ter levado Marciano, um governador de Antioquia, a prende-lo e puni-lo, sendo a sua sentença, percorrer as ruas da cidade amarrado, como forma de mostrar a punição exercida sobre os cristãos. Pensa-se que se manteve fiel à sua fé cristã e aos seus princípios, o que levou à continuidade das respectivas torturas, causa da sua morte.

Possui várias festas anuais em honra a diversos santos, associadas às respectivas capelas. Em São Gião honram-se 3 santos: no dia 20 de Fevereiro (Domingo mais próximo desta data) honra-se São Sebastião, em Agosto (4.º Domingo do mês) honra-se o padroeiro Senhor dos Aflitos, e em no último domingo de Novembro é a vez da Senhora da Criação receber as celebrações. No Rio de Mel festeja-se a Senhora dos Remédios no final de Maio/Início de Junho, e no Parceiro têm lugar os festejos em honra da Senhora das Febres em Junho. Cada festividade é realizada numa capela distinta, associada ao respectivo padroeiro.

A economia local é sustentada pelo comércio, indústria têxtil e civil, exploração florestal (com incidência na resinagem) e agricultura.

Acessibilidade[editar | editar código-fonte]

Esta localidade é apenas acessível por estrada. A estrada principal de acesso é a Nacional 17 (N17), futura IC7. As vias rápidas mais próximas são a IP3 (podendo ser acedida pela IC6 ou IC12). A Estrada Municipal de acesso à freguesia é a M515 (sendo, no entanto, necessário cruzar as estradas municipais M506 e M514 para aceder à N17 e sede do concelho).

A linha de ferro mais próxima é a linha das Beiras, estando a região servida pelas paragens e apeadeiros de Nelas (30 km, Norte), Carregal do Sal (30 km, Noroeste) e Santa Comba Dão (40 km, Noroeste).

Os Aeródromos mais próximos encontram-se em Coja (Concelho de Arganil, a Sudoeste) e Pinhanços (Concelho de Seia, a Nordeste), ambos distando cerca de 20 km da freguesia.

Os aeroportos mais próximos encontram-se em Lisboa (300 km, Sul) e Porto (200 km, Norte).

É acessível a partir da autoestrada A1, saindo em Coimbra Norte para apanhar a IP3 sentido Viseu. Após 30 km, e na confluência do Rio Alva ao Rio Mondego (perto da barragem da Aguieira), sair para a IC6 (sentido Covilhã, Guarda, Oliveira do Hospital), que termina, após 14 km, na N17 (IC7) por onde se deve continuar até perto de Oliveira do Hospital (OH). Após chegar ao cruzamento para OH continuar em frente na N17, e após 200m, virar à direita, para a estrada M506, sentido S.Gião e Vale do Alva. Esta estrada termina num cruzamento com a estrada M514, devendo seguir em frente (Sentido S.Gião e não Penalva de Alva). Ao chegar ao limite do concelho, encontra um novo cruzamento, devendo virar à direita para a M515 (Ponte Romana), sentido S.Gião e Parque de Campismo. Após 2 km encontra-se em S.Gião (dando esta estrada - M515 - ligação às restantes localidades da freguesia, bem como à estrada N230, sentido Covilhã).

Heráldica[editar | editar código-fonte]

Conforme o parecer emitido a 2 de Maio de 2001 e publicação em Diário da República N.º186 de 16 de Agosto de 2001, a freguesia de São Gião apresenta a seguinte ordenação heráldica:

  • Brasão: escudo de púrpura, torre sineira de prata, aberta e lavrada de negro, com sino de ouro, entre uma estrela de prata e uma lira de ouro; em ponta, um molho de três espigas de milho de ouro, folhadas de prata. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: "S. GIÃO".
  • Bandeira: amarela. Cordão e borlas de ouro e púrpura. Haste e lança de ouro.
  • Selo: os termos da Lei, com a legenda "Junta de Freguesia de São Gião-Oliveira do Hospital".
  • Escudo: escudo de púrpura.
  • Coral Mural: cural moral de prata de três torres.
  • Listel: listel branco, com a legenda a negro "S. GIÃO".
  • Torre Sineira: torre sineira de prata, aberta e lavrada de negro, com sino de ouro. Representa a "Catedral das Beiras", ex-libris da freguesia, a sua monumentalidade e a religiosidade dos seus habitantes.
  • Estrela: à dextra, uma estrela de prata. Representa a Serra da Estrela, onde está localizada a freguesia.
  • Lira: à sinistra, uma lira de ouro. Representa a Filarmónica Sangianense, fundada há mais de 150 anos, e todas as colectividades responsáveis pela tradição e pela divulgação cultural e musical da freguesia.
  • Espiga de Milho: em ponta, um molho de três espigas de milho de ouro, folhadas a prata. Representa a agricultura, com especial destaque para a produção cerealífera.


Referências

  • NEVES, Francisco Correia (2007) - "Enquadramento histórico e Toponímia do Concelho de Oliveira do Hospital", in Edições do Município de Oliveira do Hospital, pp.: 110-112, 406-408, 473-476, Oliveira do Hospital
  • BARATA, Alberto Fontes (2007) - "O Concelho de Oliveira do Hospital - Credenciais para a sua história", pp.: 230-243.
  • NEVES, António Nunes da Costa (2000) - "Igreja Matriz e Capelas da freguesia de S. João de Areias", in Beira Alta, vol. 59, n.ºs 1 e 2, p. 160, Assembleia Distrital de Viseu, Viseu
  • GONCALVES, António Nogueira, CORREIA, Vergílio (1993) - "Inventario Artistico de Portugal - Distrito de Coimbra", in IGESPAR - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, Lisboa
  • Câmara Municipal de Oliveira do Hospital (2012). Património Histórico e Natural do Concelho de Oliveira do Hospital <http://www.cm-oliveiradohospital.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=123>. Visitado em 1 de Outubro de 2013


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